❝ My Angel — Capítulo 1


❝ Believe In Me


A chuva caia do lado de fora da cabana e o fogo crepitava lentamente na lareira.
Eu não queria ficar ali. Eu não podia ficar ali.
Não era saudável para mim, eu sabia disso.
Mas eu também sabia que era necessário, e eu havia prometido a ele que iria esperá-lo.
Sim, ele Edward Cullen.
O homem que me abandonou e me machucou. O homem que quando soube da notícia de minha suposta morte, tentou se suicidar por sentir culpa. E também aquele que me amou como ninguém, assim como eu o amei e ainda o amo, mas infelizmente esse amor não já não é mais recíproco.
Eu o amo, mas ele não, afinal, eu não era - nem sou - boa o suficiente para ele.
Durante muito tempo, eu não consegui sentir meu coração batendo em meu peito, parecia que havia um buraco enorme dentro de mim, um buraco que sangrava e se abria cada vez mais, lentamente e doloroso a cada dia. Mas desde o momento em que me deparei com o amor da minha vida novamente, parece que tudo se apagou.
Parecia que toda a dor, todas as feridas haviam desaparecido. Não curadas, mas como se nunca houvessem existido.
E era nessa pequena esperança de manter isso por mais algumas horas, de me sentir inteira, sentir meu coração batendo em meu peito, sem dor, sem tristeza, sem ardor... Que eu estava me agarrando para permanecer naquele quarto da cabana, até que Edward voltasse.
Ele havia me feito prometer que iria esperá-lo voltar, e para garantir havia deixado sua irmã – e minha melhor amiga – Alice de babá.
Enquanto eu observava a chuva cair lentamente pela janela, Alice estava sentada no sofá em frente à lareira conversando com sua alma gêmea, Jasper.
Se ela não conseguisse acalmar seu marido, concerteza ele viria até a Itália atrás de nós e isso não era nada bom. Nada bom mesmo.
Eu sabia o que acontecia quando Jasper perdia a cabeça, havia presenciado isso no meu aniversário de 18 anos quando ele tentou me matar por não conseguir se controlar ao cheiro do meu sangue, mas eu não podia culpá-lo. Nunca.
Jasper era um vampiro, e não estava tão acostumado a dieta vegetariana assim como os outros Cullen, e eu havia me cortado acidentalmente com o papel do embrulho de um dos presentes, e havia sangrado.
A culpa era minha. Eu havia me cortado e me colocado em risco.
Mas dessa vez era outra história.
Quem estava em risco era a mulher da vida dele, Alice e o irmão dele Edward. E eu também para variar.
E mais uma vez a culpa era minha, afinal, havia sido eu quem pulou daquele maldito penhasco e quase morrido afogada.
Alice havia previsto minha morte e foi para Forks para ter certeza, porém me encontrou viva, só que a outra irmã, a belíssima Rosalie, havia ficado sabendo e tinha dado um jeito de avisar a Edward sobre a minha suposta morte, e ele se sentindo culpado tentou se matar. Se eu e Alice não tivéssemos vindo atrás dele e ele não tivesse visto que eu estava viva, ele estaria morto a essa hora.
Resumindo, tudo isso era por causa de um mal entendido e uma alimentação louca de minhas alucinações.
Já estávamos metidos em problemas aqui, e só não tínhamos ido embora ainda, porque por causa da chuva, todos os vôos foram cancelados.
Se Jasper viesse atrás de nós, eu não tinha dúvidas de que ele iria perder a cabeça – de novo - e ir atrás dos Volturi.
A essa altura eles já estavam com muita raiva de nós, primeiro por Edward ter se recusado a ir falar com Aro, e segundo por ele e Alice terem arrancado a cabeça de Felix e Demetri, dois dos guardiões da guarda Volturi e deixado Jane sem os braços.
Foi horrível presenciar a cena, porém não foi tão assustador quanto eu imaginava que fosse.
Eles estavam tentando machucar Edward, e isso me deu uma coragem, uma frieza tão grande, que quando Alice e Edward mataram os três vampiros, eu nem me importei.
Alice ficou preocupada que eu estivesse em choque, e Edward parecia cauteloso com tudo que fazia em relação a mim.
Eu não me importava com nada, além dele.
Só queria que ele estivesse bem, quanto ao resto, quanto a minha dor e a minha tristeza eu poderia lidar.
Sobreviver, era isso. Viver eu já não sabia o que era desde quando Edward me deixou. Eu apenas sobrevivia a dor de cada hora, cada dia durante os últimos 8 meses.
Suspirei e encostei a cabeça na parede ao lado da janela observando a chuva.
– Precisa descansar um pouquinho, Bella. Todo esse estresse não é bom pra você – disse Alice, olhando para mim.
Nem havia percebido que ela já havia desligado o telefone.
– Estou bem, só um pouco... Cansada, mas estou bem – garanti, puxando as mangas da minha blusa azul.
Edward costumava gostar quando eu me vestia com essa cor. Mas já faz muito tempo.
– Você não parece bem. Se continuar assim, Edward vai ter razões pra realmente ficar preocupado com você.
Essa era boa.
Edward preocupado comigo?
Ele me deixou, ele me abandonou. Se ele se preocupasse comigo não teria me feito sofrer com fez, mas eu tinha de aceitar os fatos.
Eu não era boa o bastante para ele.
– Desde quando ele se preocupa comigo? – desdenhei, olhando pela janela.
Desde a primeira vez que te vi.
Virei-me e lá estava ele, lindo como um Deus, parado na soleira da porta me observando.
Na hora que nos reencontramos mais cedo seus olhos estavam negros, agora eles estavam dourados novamente.
– É melhor eu... Bom, vou deixar vocês às sós para conversarem – disse Alice pegando sua bolsa e saindo da cabana, antes que qualquer um de nós pudesse dizer qualquer coisa que a impedisse.
Edward fechou a porta assim que ela saiu.
– Precisamos conversar – ele sussurrou olhando para mim.
– Tudo bem – murmurei e me sentei no sofá onde Alice estava agora a pouco.
Ele veio e se sentou na poltrona a minha frente.
– Eu... – ele respirou fundo, uma espécie de agonia permeava seu olhar. – Devo-lhe desculpas. Não é claro que eu devo muito mais do que isso. Mas você precisa saber... Precisa sabe que eu não fazia a menor idéia do risco em que a estava colocando. Não percebi a confusão que estava deixando para trás. Pensei que Forks fosse seguro pra você sem mim. Muito seguro. Não fazia idéia de que Victoria voltaria, de que a magia dos lobos voltou e que...
Victoria, lobos?
Como ele já sabia de tudo isso?
De repente me lembrei de que provavelmente ele deve ter visto tudo isso na mente de Alice.
– Pare Edward – eu o interrompi.
Não podia deixá-lo continuar se culpando, quando nada tinha haver com ele.
Ele me olhou confuso.
Eu tentei encontrar as palavras certas, as palavras que o libertariam de sua obrigação imaginária que lhe causava tanta dor. Eram palavras difíceis. Não sabia se podia pronunciá-las sem sucumbir. Mas eu tinha de tentar fazer aquilo direito. Não queria ver uma fonte de culpa e angustia na vida dele por minha causa. Ele devia ser feliz, por mais que isso me custasse.
– Edward – seu nome ardeu um pouco em minha garganta ao sair. Eu podia sentir o fantasma do buraco em meu peito preparando-se para se abrir novamente, assim que ele partisse. Não via como conseguir sobreviver novamente. – Isso tem que parar agora. Não pode pensar nos fatos desse jeito. Não pode deixar que essa... culpa... domine sua vida. Não pode assumir a responsabilidade pelo que me acontece. Nada disso, nada do que aconteceu é sua culpa. Apenas faz parte de como a vida é para mim. Mesmo que eu tivesse pulado daquele penhasco para morrer, isso teria sido minha opção, não culpa sua. Não pode assumir a responsabilidade de algo que...
Eu estava prestes a perder o controle. Precisava libertá-lo de uma vez por todas. Tinha de ter certeza que aquilo nunca mais aconteceria.
– Isabella, meu anjo – ele deu um sorriso tristonho. Meu coração disparou. – Acha mesmo que eu vim até a Itália e pedi para os Volturi me matarem porque eu me sentia culpado?
– E não foi?
– Sentindo culpa? Intensamente. Mais do que você pode compreender, mais do que você pode sequer imaginar...
– Então, do que está falando? Eu não entendo.
– Bella eu vim até os Volturi porque achei que você estivesse morta, mesmo que eu não tivesse nada haver com sua morte... – ele suspirou. – Pensei que já tivesse deixado isso bem claro. Não se lembra de nada que eu te disse?
– Lembro-me de tudo o que me disse – Inclusive as palavras que negavam todo o restante.
– Parece que você é vitima de um mal entendido então. – ele se levantou e se ajoelhou na minha frente segurando minhas mãos. – Eu realmente pensei que tivesse explicado com clareza.
– Edward eu...
– Não posso viver num mundo onde você não exista, meu anjo.
Eu olhava para ele sem entender nada. Não conseguia encontrar um sentido no que ele dizia.
– Edward, como... do que você está falando, eu...
– Eu te amo Bella. Sempre te amei e sempre irei te ama por toda a eternidade – ele olhava profundamente em meus olhos.
O choque atravessou meu rosto.
As lágrimas começaram a escorrer por meu rosto.
Levantei e fui até a janela respirando fundo.
– Bella, eu...
Respirei fundo, tentando conter as lágrimas e olhei para ele.
– Você... Você me abandonou. Você me deixou há mais de seis meses atrás, dizendo que eu não era boa para você. Você disse que não me queria... E agora... diz que me ama? – minha voz estava fina e era só um sussurro por causa das lágrimas.
– Perdoe-me. Perdoe-me por tê-la abandonado. Perdoe-me por tê-la feito sofrer. Perdoe-me por tê-la feito derramar lágrimas com a minha ausência. Perdoe-me por tê-la colocado em risco diversas vezes. Só... Perdoe-me, por favor, meu amor – disse agoniado.
Ele segurou meu rosto entre as mãos. Um toque tão intenso e cheio de carinho que me fez fechar os olhos em meio as lágrimas que caiam por meu rosto.
Ele estava aqui. Ele estava me tocando e dizendo que me amava.
Edward estava dizendo que me amava, mas como eu poderia acreditar nele depois de tudo?
– Depois de tudo o que você me disse na floresta... negando todo o resto... Como eu posso confiar, como eu posso acreditar em você? – sussurrei de olhos fechados.
– Confie em mim amor, eu nunca deixei de te amar. A cada dia que eu passei sem você, sem te ver, sem te tocar... meu amor por você só aumento e continua aumentando cada dia mais. Eu ouvia sua voz, eu via você em todo e qualquer lugar... Perdoe-me. Eu menti pra te proteger, menti porque eu precisava dar a chance de você ter uma vida humana, uma vida feliz e normal. Menti porque achava que sem mim você seria feliz. Mas eu te amo, e preciso de você como alguém precisa do ar para respirar. Eu te amo mais do que minha própria vida. Você é tudo para mim Bella, tudo – e então as lágrimas que eu estava tentando segurar escaparam por meus olhos.
Abri meus olhos e olhei o mais intensamente nos lindos olhos dourados dele.
– Eu te amo. Eu nunca deixei de te amar e vou te amar para sempre. Não há nada que você ou qualquer outra pessoa possa fazer em relação a isso – admiti.
– Era tudo que eu precisava ouvir, meu amor – e em seguida seus lábios estavam nos meus.
O beijo começou lento, mas com o passar do tempo se tornou desesperador, como se a qualquer momento tudo fosse acabar e nós fossemos nos separar novamente.
Eu não queria pensar nisso.
Edward me amava. Ele havia mentido pra me proteger.
E agora ele estava aqui comigo, me beijando, me tocando, me abraçando... me amando.
Assim como eu o amava. Para sempre.
– Eu nunca mais vou te deixar. Nunca mais vou ficar um segundo sequer longe de você. Sem você eu definitivamente não posso viver Bella. Se eu perder você, eu perco tudo, amor. Tudo – sussurrou nos meus lábios.
– Você não vai me perder. Nunca. Eu sempre serei sua, não importa a distância.
– Assim como eu sempre serei seu, meu amor. Por toda a eternidade.

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