❝ My Angel — Capítulo 4

❝ New Moon

Eu estava errada quando disse que não estava cansada. Com Edward acariciando meu cabelo e sussurrando minha cantiga de ninar, eu acabei adormecendo nos braços dele mais uma vez.
Quando acordei, me dei conta de que havia dormido demais.
Abri meus olhos piscando algumas vezes para me acostumar com a forte claridade do quarto. A claridade que entrava através das cortinas brancas, em frente às gigantescas janelas de vidro, era forte.
- Mas já acordou? – Edward sussurrou, dando um beijo em meu ombro.
- Não devia ter me deixado dormir tanto – disse a ele, apoiando-me nos braços para olhar nos olhos dele.
- Você estava cansada meu amor. E além do mais eu adoro ver você dormindo – sorriu.
- Nunca vou entender isso.
- Entender o que? – questionou.
- O fato de você gostar de me ver dormir. Não é algo interessante – revirei os olhos.
- Você esta se esquecendo de um detalhe – disse.
- Qual?
- A pessoa em questão que eu gosto de ver dormindo é você, e você fala dormindo. – arqueou uma das sobrancelhas perfeitas.
- E eu vou querer saber o que eu disse dormindo? – dei risada.
- Na verdade, por incrível que pareça você nada disse. Mais uma prova de que você estava cansada, senhorita Swan.
- Ainda bem! – suspirei aliviada. Nunca gostei muito do fato das pessoas ficarem ouvindo o que eu digo quando estou dormindo, mesmo que essa pessoa seja Edward.
- As pétalas das rosas ainda ficaram presas no seu cabelo – sussurrou, mexendo nos fios de meu cabelo que caia em ondas um tanto embaraçadas por minhas costas e meu rosto emoldurando-o.
- Porque será né? – sorri, com as lembranças da noite passada.
Ele pegou uma das pétalas vermelhas que estavam presas nos fios de meu cabelo entre os dedos e a deixou cair. A pequena e aveludada pétala flutuou pelo ar até cair nos lençóis de seda a nossa volta.
- E então... Aonde é que nós paramos antes de toda essa tempestade atingir nossas vidas? – ele sorriu.
Eu entendi o que ele quis dizer. Aonde é que nós havíamos parado antes da nossa separação?
- Sinceramente, não me lembro. Mas tenho uma idéia melhor – sussurrei envolvendo meus braços em volta de seu pescoço e olhando intensamente em seus olhos.
- E qual é, meu amor? – sussurrou, acariciando meus lábios.
- Esquecer o passado e seguir a diante. – murmurei. - Vamos começar de novo, dessa vez do zero. Vamos deixar tudo de ruim que passou para trás... Esquecer. Nós estamos tendo uma segunda chance de recomeçar, então temos de aproveitar.
- Sim, meu amor. É tudo o que eu mais quero – sorriu e encostou a testa na minha. – E por onde é que nós começamos?
- Você eu não sei, mas eu vou começar desfazendo os nós de meu cabelo e tirando essas pétalas que estão presas nele – sorri.
- Eu te ajudo – sussurrou me beijando com um sorriso.
- Não... Nada disso – dei risada me afastando um pouquinho dele. Se nós começássemos tudo de novo, não iríamos sair nunca daquele quarto.
- Posso saber por que negas minha ajuda, senhorita Isabella Marie Swan? – questionou com um sorriso.
- Você sabe muito bem o que aconteceu quando eu tentei tirar as pétalas durante a noite com você... – sorri. - E nós precisamos sair desse quarto, não irá dar certo se você vier comigo. Esqueceu que Alice esta conosco? – murmurei saindo de seus braços e me enrolando num dos lençóis brancos de seda.
- Era por causa dela que você corou mais cedo? – respondeu com uma nova pergunta, com um sorriso debochado.
Ele tinha matado a charada.
- Sim – admiti. – Foi por causa dela.
- Ela não passou a noite aqui, não ouviu nada, meu amor – deu risada acariciando meu rosto.
- Ainda bem – sorri.
- Não vai mesmo me deixar ir com você? – arqueou uma das sobrancelhas, com um sorriso torto nos lábios, mas seus olhos pareciam com o de um cachorrinho pidão, implorando.
Eu não ia cair nessa, por mais que me partisse o coração recusar.
- Não... não mesmo. – sorri levantando-me da cama, enrolada no lençol e prendendo-o firmemente acima do busto como se fosse um vestido sem alças. Minhas pernas estavam meio dormentes, mas nada que me impeça de andar.
Antes que eu pudesse ver, Edward se ajoelhou na cama e me puxou pela ponta do lençol de modo que eu caísse na cama junto com ele novamente. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele me tomou nos braços e me silenciou com um beijo completamente apaixonado, ao qual eu correspondi com igual paixão.
Estávamos na Itália, em Verona – pra ser mais exata - que não é tão longe de Volterra, com os Volturi concerteza ansiando por nossas cabeças servidas numa bandeja regada ao meu sangue, mas parecia que tudo isso sumia quando eu estava com Edward.
Estar com Edward naquela cabana num hotel fazenda - que tinha uma plantação gigante de uvas, um vinhedo - no meio do nada, era como ter um pedaço do Paraíso no meio do Inferno.
Eu era a sortuda pecadora e ele o meu anjo - e meu vampiro -, que se arriscara diversas vezes a ir para o inferno só para estar comigo.
Acredito que nem mesmo que eu vivesse mil anos conseguiria amá-lo tanto como ele me ama, mas como eu não sei quanto tempo irei viver afinal eu não tenho a eternidade... Que nosso amor seja eterno enquanto dure. E se depender de mim, será enquanto ambos estivermos vivos.
- Não... quero... ficar... mais... nem... um... minuto... longe... de... você... – Edward sussurrou com um sorriso enquanto nos beijávamos.
- E não vai. – prometi olhando ternamente em seus olhos. – Mas eu preciso tirar essas pétalas do meu cabelo – sorri.
- Vou te esperar – prometeu, seu hálito frio e doce banhou o meu rosto.
- Eu não demoro – prometi e dei um beijo rápido em seus lábios.
Levantei-me da cama novamente e fui direto pro banheiro que ficava dentro do quarto, sem olhar pra trás.
Se eu olhasse pra ele concerteza voltaria para cama e ficaria com ele, e por mais que eu desejasse intensamente isso, existia um mundo além de nós e estava na hora de acordar deste doce sonho.
Encostei a porta e respirei fundo, apoiando-me na bancada do lavabo. Olhei-me no grande e emoldurado espelho preso na parede de ladrilhos a minha frente e mal me reconheci.
Meus olhos estavam extremamente brilhantes, as pupilas dilatadas num chocolate profundo, minha face e meus lábios num tom de rosa claro corado e os meus cílios grandes e espessos.
Eu ainda era a mesma, ainda era a Bella, mas algo dentro de mim havia mudado. Eu me sentia diferente, não fisicamente, e sim emocionalmente. Não me sentia mais uma menina, mas sim... Uma mulher.
Olhei para o lado e vi os candelabros com as velas já apagadas e completamente derretidas da madrugada, a gigante banheira de hidromassagem com sais de banho, velas aromáticas e pétalas de rosas vermelhas – as quais algumas delas estavam presas no meu cabelo. O perfume das rosas, dos sais e das velas aromáticas ainda preenchia o ambiente.
Não pude deixar de sorrir com as lembranças da madrugada que preenchiam minha mente naquele momento. Deixei que o lençol escorresse por meu corpo e fui para o Box tomar um banho.
Fechei as portas de vidro e liguei o chuveiro, deixando que a água quente escorresse por meu corpo relaxando-o, tirando toda e qualquer tensão que houvesse nele. Com a ajuda da água quente e de óleos de banho, eu consegui tirar os nós de meu cabelo e as pétalas que escorriam lentamente pela minha pele até cair ao chão. Depois que meu cabelo estava livre de todos os nós e pétalas de rosas, desliguei o chuveiro e me enrolei numa das toalhas brancas e felpudas penduradas num suporte na parede ao lado do Box e fui para frente do espelho do espelho arrumar meu cabelo úmido, que estava totalmente desgrenhado.
Comecei a pentear meu cabelo com meus próprios dedos e distraída, não percebi quando ele entrou no banheiro, só o senti quando ele me abraçou pela cintura e pousou seus lábios frios no meu pescoço depositando um beijo, fazendo com que uma corrente elétrica passasse por meu corpo. Eu sorri e fechei meus olhos.
- Como você esta perfumada – sussurrou com a sua sedutora e aveludada voz em meu ouvido, e uma onda de calafrios percorreu o meu corpo.
- E isso é bom ou ruim? – fitei seus olhos dourados pelo espelho, com um sorriso e percebi que ele já estava vestido. Uma calça preta e uma camisa branca - ao qual ele havia levantado as mangas até os cotovelos e deixado os dois primeiros botões desabotoados, deixando a mostra seu peitoral musculoso.
- Maravilhoso. Adoro o seu perfume... – sussurrou depositando pequenos beijos do meu pescoço a ponta de meus ombros. – A sua pele... O seu sabor... – virei meu rosto para o lado e seus lábios vieram de encontro aos meus naquele exato momento.
Edward envolveu seus braços em minha cintura novamente – agora de frente para mim – e estreitou o pequeno espaço entre nós, colando nossos corpos um no outro, enquanto eu envolvia meus braços em volta de seu pescoço. A sensação fria de sua pele na minha febril era maravilhosa.
O silêncio que pairava no ar só era quebrado pelas batidas frenéticas e ao mesmo tempo suaves de meu coração, e o sussurrar de nossos lábios movendo-se em sincronia. Edward só me soltou quando percebeu que eu estava quase sem ar, praticamente desfalecendo em seus braços – algo que eu desconfiava que ele adorava. Sempre soube que Edward adorava saber o poder que exercia sobre mim, e a cada vez que tinha a certeza disso, se sentia mais presunçoso.
- Respire, Bella – sussurrou, com um sorriso afastando-se um pouco de mim, mas não deixando de envolver seus braços envolta de minha cintura.
Fiz o que ele disse. Respirei fundo.
- Pronto, estou bem – sorri.
- Você disse que não demorava. Vim ver se estava bem – sussurrou, colocando uma mecha de meu cabelo atrás de minha orelha.
- Estou bem, só foi difícil desfazer os nós do meu cabelo rebelde - sussurrei, observando sua testa um pouco franzida. – E você esta bem? Parece preocupado... – notei.
- Alice esteve aqui agora a pouco e parece que há algo de errado, ela teve alguma visão. Ela não me deixou ver na mente dela, mas eu sei que há algo de errado, envolvendo Jasper.
- Ela esta aqui ainda? – perguntei.
- Não, ela só veio trazer umas coisas para nós e já saiu de novo. Está cuidando das coisas para a nossa volta para casa, mas... Não é por isso que eu estou preocupado.
- Se não é por causa de Alice, o porquê então?
Ele olhou seriamente em meus olhos.
- Olhe nos meus olhos e diga a verdade, amor. Por favor, não minta para mim – pediu, me deixando confusa. – Eu a machuquei?
Essa pergunta me pegou de surpresa e eu respondi automaticamente a verdade.
- Não. Pelo menos eu não senti nada, nem vi nada de errado comigo. – murmurei naturalmente - Porque está perguntando isso?
- Vi umas gotas de sangue no lençol – explicou. - Tem certeza que está tudo bem, Bella? Que não está sentindo nada?
Balancei a cabeça num “sim”.
De repente de me lembrei de uma coisa.
Aula de sexologia, no primeiro ano do ensino médio... Minha professora em Phoenix, explicando que quando a mulher perde a virgindade, o hímen é rompido e sangra um pouco. Em alguns casos dói muito, outros só um pouco e alguns nem sentem.
Na primeira vez em que fizemos amor, um pequeno incômodo seguido por uma pontada de dor tomou conta de mim, mas depois o prazer e todas aquelas sensações indescritíveis sobrepuseram de maneira que eu esqueci completamente aquilo.
O incomodo, a pontada de dor e as gotas de sangue que Edward viu, eram porque eu era virgem e eu a havia perdido com ele naquela noite.
As gotas de sangue eram uma coisa natural numa mulher quando se perde a virgindade.
Senti meu rosto esquentar, corando.
Era uma coisa um tanto complicada e embaraçosa de se explicar. Como é que eu ia dizer isso a ele?
A vergonha tomou conta por completo de mim.
- Bella, está corando de novo – Edward sussurrou acariciando meu rosto.
- É eu... – pigarreei para clarear a voz e olhei para os lados, desviando o olhar.
- O que foi? – perguntou, levantando meu queixo de modo que pudesse encarar meus olhos.
- Eu... Isso vai ser embaraçoso de explicar, mas... Lembra-se da primeira noite na minha casa, quando você perguntou para mim se... – não consegui terminar e as palavras estavam saindo rápidas e embaraçosas.
- Lembro da primeira noite na sua casa, quando estávamos juntos no seu quarto, ficamos horas conversando... O que tem ela, meu amor? – franziu a testa.
- Nada mudou desde aquela noite, bom, agora mudou... Depois da noite passada... – murmurei olhando para baixo.
- Ainda não estou entendendo do que está falando, amor. Conversamos tanto naquela noite... – ele não havia entendido ainda sobre o que eu estava falando.
- Quando... Quando você falou que Rosalie e Emmett iriam se casar em breve, eu perguntei se seria um casamento normal e... Depois você me perguntou sobre... – respirei fundo tomando fôlego e coragem pra dizer logo de uma vez o que tinha de ser dito. – Olha, você disse que nem sempre o amor e o desejo andam de mãos dadas e queria saber, sobre mim... Eu... Eu era virgem até ontem à noite. As gotas de sangue são normais – murmurei tudo de uma só vez, rapidamente. Cadê o buraco agora para eu enfiar a cabeça dentro dele que nem um avestruz?
Edward começou a dar risada.
- Foi por isso que você ficou vermelha como um tomate, amor? – perguntou me abraçando.
- Foi, é um tanto embaraçoso falar sobre isso – sussurrei escondendo o rosto em seu peito.
- Bella meu amor, eu já sabia disso. Só tinha esquecido esse detalhe do sangue, por isso perguntei se tinha te machucado, mas fico aliviado que tenha me refrescado a memória e explicado... Não é algo que eu tente pensar, acho que as poucas vezes que ouvi sobre isso foi em alguma aula entediante da escola – sussurrou baixinho no meu ouvido.
- Não me faça falar sobre isso de novo – murmurei dando risada, aliviada de ter conseguido fazer o que tinha de ser feito.
- Tudo bem, mas você sabe que nisso somos iguais, não é?
- Sei. Você me disse isso naquela noite também – levantei o rosto e olhei nos seus olhos.
- De qualquer forma... – ele acariciou as mechas rebeldes de meu cabelo que insistiam em sair do lugar e as colocou novamente atrás de minha orelha – A noite passada, foi à melhor noite da minha existência – seus olhos dourados se derreteram como mel, enquanto ele fitava os meus intensamente.
- A minha também – sussurrei subindo minhas mãos por seu peito e envolvendo meus braços em volta de seu pescoço.
Edward estreitou seus braços em minha cintura por cima da toalha e se inclinou para me beijar.
Meu coração batia freneticamente em meu peito toda vez que Edward se aproximava de mim e quando me beijava, o ritmo das batidas triplicava, mas eu não me importava. Era apenas o meu coração reagindo ao dono dele. Edward era o dono do meu coração, ela era tudo para mim. Todo o amor que eu guardava ali dentro, pertencia a ele e a mais ninguém.
- Concerteza a noite passada lidera o ranking das melhores noites da minha vida – ele sorriu, acariciando meu rosto, enquanto eu acariciava os fios de seu cabelo cor de bronze.
- Tem uma lista? – perguntei.
- Sim. Todas elas eu passei com você e a noite passada esta em primeiro lugar, senhorita Swan – murmurou, beijando levemente meus lábios.
- E qual noite está em segundo lugar? – quis saber, brincando.
- A noite em que você disse que me amava, enquanto dormia – respondeu com um sorriso.
- Mas você já sabia disso, naquela época – sorri.
- Mesmo assim, foi bom ouvir... Saber que eu estava nos teus pensamentos e nos teus sonhos. – sorriu - Posso não poder ler a sua mente, mas sempre tento ler através dos seus olhos. Às vezes eu consigo, pois seus olhos sempre foram muito comunicativos meu amor, mas quando se trata de ler a sua mente, eles nos enganam. Suas emoções transparecem no seu olhar, mas seus pensamentos não.
- Eu sempre digo o que eu penso... E você consegue saber quando eu durmo também, apesar de que... Você esta sempre nos meus pensamentos e nos meus sonhos – sussurrei, olhando para ele.
- Sempre? E durante esses meses que eu estava longe... Você em nenhum momento pensou em tentar esquecer e seguir em frente? – perguntou.
- Não – respondi com convicção - Isso era uma idéia insuportável. Por mais que eu lutasse para não pensar em você, eu não lutava para esquecer, então no fundo você sempre estava lá. Eu me preocupava – tarde da noite, quando a exaustão da privação do sono, penetravam minhas defesas – que tudo desaparecesse. Que minha mente fosse uma peneira e eu um dia não conseguisse me lembrar da cor exata de seus olhos, da sensação da sua pele fria ou da textura da sua voz. Eu podia não pensar em você, mas queria me lembrar de tudo. Porque só havia uma coisa em que eu precisava acreditar para poder viver – eu precisava saber que você existia. Era só. Todo o restante eu podia suportar. Desde que você tivesse existido. – confessei a ele.
Se ele soubesse de tudo... Das alucinações, dos perigos em que eu havia me metido apenas para ouvir sua voz em minha mente...
Edward me observava com os olhos atentos. Então eu continuei, era melhor eu contar tudo de uma vez:
“Eu já não dormia mais, todas as noites tinha pesadelos horríveis e acordava gritando e chorando, meu pai e minha mãe estavam muito preocupados comigo. Eu me sentia mais presa a Forks do que antes, briguei com Charlie quando ele sugeriu uma mudança. Eu sabia que não devia me importar, pois sabia que ninguém voltaria. Mas se eu fosse pra Jacksonville, ou qualquer outro lugar iluminado e desconhecido, como eu poderia ter certeza de que você era real? Em um lugar onde eu não pudesse te imaginar, a convicção desapareceria... E eu não podia conviver com isso, pois eu estava presa as lembranças para viver. Proibida de lembrar, com medo de esquecer; era uma situação limite. – suspirei sentindo meu coração bater novamente em meu peito. - No final das contas tudo se tornou desastroso, acabei me afastando das pessoas, me envolvendo numa névoa, num torpor para me proteger da realidade, me proteger da dor. Eu literalmente havia me tornado um zumbi. Mas depois que eu descobri algo, tudo piorou e melhorou de certa forma...”
- Como assim? – ele quis saber. Sua voz estava rouca.
- Tem certeza que quer que eu conte tudo? – perguntei preocupada com ele. Não queria que ele sofresse. - Vai por mim, você não vai querer saber...
- Eu preciso saber amor e eu quero saber tudo o que houve – respondeu olhando profundamente em meus olhos. – Eu te amo tanto... Nunca vou me perdoar por toda essa dor que fiz você passar, mas eu não tinha idéia de que eu havia estragado tanto a sua vida, não sabia que eu havia mexido tanto com você... Pensei que você esqueceria com o tempo...
- Shhh... – toquei suas faces, ele segurou a palma da minha mãe em seu rosto e a beijou. – Você não estragou minha vida, só deu sentido a ela. Eu te amo, e se vale alguma coisa para você, eu te perdôo. Você me deixou pensando que estava fazendo o melhor, mas foi um erro. E errar é uma das coisas mais humanas que existem, Edward.
- Você é tão boa e pura... Tenho medo de um dia acabar com esse olhar inocente e de tirar esse brilho puro de menina que só você tem.
- Pare com isso. Não precisa ter medo, pois eu sempre serei a sua Bella – sussurrei.
- Vem cá – ele me puxou pela cintura e me levou de volta pro quarto. Havia duas caixas brancas em cima da cama, que nós ignoramos e sentamos juntos. Edward me puxou para os braços dele e me abraçou, mas antes colocou o edredom por cima de mim. Não havia percebido que estava com frio, até meu corpo começar a esquentar com o tecido quente do edredom sobre ele – Continue amor, eu preciso saber de tudo. Eu quero saber de tudo o que aconteceu durante esses meses em que fiquei longe de você – pediu.
- Tudo bem, se você quer saber eu digo - respirei fundo me aconchegando em seus braços – De outubro a janeiro era como se eu estivesse envolta a uma névoa, um torpor que me protegia da dor. Quando foi em fevereiro, Charlie chegou ao seu limite comigo, ele via que eu não estava bem. Eu não me metia em problemas, mas também não fazia nada. Eu estava literalmente sem vida, era tudo tão vazio... Nós discutimos quando ele disse que iria me mandar para a Flórida para morar com minha mãe, e para não o preocupá-lo, eu tentei me reaproximar de alguns amigos. Fui pro cinema com a Jessica em Port Angeles, mas quando saímos de lá e íamos procurar uma lanchonete para comer algo, me deparei com uns caras que pareciam os mesmos que me abordaram em Port Angeles numa outra noite -, sabe de qual noite estou falando, não é?
- Sei, a noite em que eu te salvei de ser assaltada ou até mesmo coisa pior – ele respondeu com um suspiro pesado.
- Até aquele dia, eu não pensava nem no seu nome. Tudo estava cravado ali em minha mente, mas eu lutava para encobrir as lembranças com a névoa. Foi quando eu me deparei com aqueles homens que eu tive a primeira alucinação.
- Alucinação? – Edward indagou com uma expressão estranha.
- Sim. Eu tentei me aproximar daqueles caras e eu ouvi sua voz na minha mente, repreendendo-me por fazer aquela idiotice. No meu subconsciente, eu tinha noção de que eu havia prometido a você não fazer nenhuma imprudência, besteira ou idiotice; mas foi mais forte do que eu. Eu dei mais um passo na direção deles e sua voz voltou a me repreender. Foi como se eu tivesse despertado quando eu a ouvi em minha mente pela primeira vez, eu me sentia acordada pra vida novamente. O torpor era interminável, ele ainda continuava ali, porque entre a dor e o nada, eu escolhera o nada... Mas... – parei para respirar fundo. Era duro demais lembrar a dor, agora que tudo havia passado. Lembrar dos tempos de escuridão, dos tempos de Lua Nova agora que os de luz haviam voltado. Uma nova lua estava no céu, mas ela irradiava brilho e felicidade, não dor e escuridão.
- Bella, está tudo bem amor? – perguntou, beijando minha testa.
- Esta, só é difícil lembrar tudo... Dói demais – sussurrei, pousando a mão em meu peito. O buraco em meu peito havia desaparecido, todas as feridas curas e cicatrizadas, ou melhor, pareciam que nunca haviam existido. Mas lembrar de toda a dor era como tentar abri-lo novamente em meu peito. Um nó subiu em minha garganta.
Edward segurou minha mão pousada em meu peito onde meu coração batia e a beijou com carinho e amor.
- Me perdoe amor. Eu nunca quis fazer você sofrer, eu nunca imaginei que eu fosse lhe causa tanta dor, eu... – ele deu um suspiro triste.
Levantei o rosto e dei um beijo na sua bochecha.
- Não quero ver você triste... Eu não devia ter dito nada – murmurei olhando em seus olhos, que estavam extremamente agoniados.
- Não, eu quero saber, meu amor. Não me esconda nada, por favor – pediu. – Continue... O que aconteceu depois?
- Quando eu ouvi sua voz em minha mente, o torpor sumir. Eu esperei pela dor, mas nada veio, além da dor da ausência da sua voz em minha mente. Então eu descobri que quando eu fazia algo perigoso que envolvesse adrenalina, eu conseguia ouvir sua voz com maior clareza em minha mente, era como se você se importasse novamente comigo e estivesse querendo me proteger – disse a ele.
- Eu sempre me importei com você, porque eu te amo e você é a coisa mais importante para mim. – sussurrou. - Quando estávamos na floresta, quando eu estava te dizendo adeus, eu vi nos seus olhos que você honestamente acreditou que eu não te queria mais, que eu não te amava mais. O conceito mais absurdo, mais ridículo, como se houvesse alguma forma de eu existir sem você – ele deu um beijo em minha testa.
Era tão bom estar nos braços dele novamente, sentindo o acalento de seu amor e carinho.
- É bom saber disso – suspirei, me aconchegando em seus braços que me apertaram mais.
- E o que você fez pra estimular essas alucinações, como Jacob Black entrou na história? – ele quis saber.
- Eu pensei muito, e percebi que a promessa que você havia me feito de “Será como se nunca tivesse existido”, já havia sido quebrada no momento em que você a fez. Como se eu pudesse seguir minha vida em frente sem você...
- Eu sei que isso é egoísta, mas fico aliviado em saber que você não deixou de pensar em mim, assim como eu nunca deixei de pensar em você um sequer segundo – murmurou.
- Seria impossível te esquecer... Mas enfim, você me perguntou como Jacob veio parar na história, certo?
- Exatamente, quero saber até aonde ele esta envolvido nisso, afinal, você disse algo sobre não ter esperado ele e pulado do penhasco – lembrou.
- Eu comprei duas motos e ele me ajudou a concertar. Ser imprudente em Forks não é algo muito fácil, mas... Acho que eu me sai bem. – Edward deu risada. - Jacob é mecânico e como pagamento por seus serviços eu dei uma das motos para ele. Ele me ensinou a pilotar e como era algo que envolvia perigo e adrenalina, eu consegui o que eu queria. Trazer sua voz de volta a minha mente. Mas eu cai com a moto e me machuquei. Ele achou melhor pararmos com aquela loucura.
- Se machucou como? Foi até o hospital, foi muito sério? – perguntou com preocupação.
- Não, só cortei a minha cabeça e sangrou um pouco – murmurei passando a mão no local do corte.
Edward começou a beijar minha testa. E viu perto dos fios de meu cabelo a cicatriz.
- Foi aqui em cima? – perguntou beijando o exato lugar em que eu havia cortado e agora tinha uma cicatriz. Somente alguém muito observador como Edward iria perceber.
- Foi – respondi.
- Isso é loucura, Bella. Andar de moto pra estimular alucinações? – sua voz parecia exasperada.
- Eu sei. Mas, não parou por ai – alertei.
- O que mais você fez de insano? – ele quis saber.
- Jacob e eu nos tornamos bons amigos, eu comecei a passar um bom tempo em La Push, até o dia em que eu vi os meninos da aldeia pular de um penhasco. Pura adrenalina! Naquela época eu não sabia que eles eram lobisomens e eram mais fortes que o normal – disse.
- Foi por isso que você pulou do penhasco? Por causa de adrenalina?
- Não, eu pulei do penhasco por causa do que a adrenalina me trazia: A sua voz. Eu não medi os riscos, não vi que tinha um furacão vindo e quase me afoguei com a força das ondas do mar. Jacob tinha pedido para eu esperá-lo, ele tinha saído junto com os outros lobos da alcatéia para ir atrás de Victoria que estava na região, mas eu não o ouvi e fui sozinha. Se ele não tivesse ouvido o meu grito quando pulei e ido atrás de mim, eu estaria morta agora. Bom, antes disso tem também a trilha... Eu andei fazendo trilha pela floresta com ele, mas teve um dia que eu fui sozinha e acabei me deparando com Laurent. Ele ia me matar como um favor pra Victoria, mas na hora em que ele ia me atacar, os lobos apareceram – expliquei.
- Laurent? – indagou perplexo.
- Sim, ele estava trabalhando com Victoria que esta atrás de mim. Os lobos os encontraram e o mataram – sussurrei me lembrando de onde foi.
Na clareira de Edward... Tudo lá parecia tão sem vida. Era o mesmo lugar, mas não dava a mesma sensação sem Edward.
- Isso explica o porquê dela ter escapado de mim diversas vezes, se ela tivesse trabalhando sozinha isso não teria acontecido. Tudo era uma cilada – ele murmurou me deixando confusa.
- Victoria? Como assim... O que você quer dizer com “ter escapado de mim”? – perguntei.
Edward deu um suspiro e respondeu.
- Eu estava caçando Victoria durante esses meses que estávamos longe um do outro. Quando nos deparamos com James na campina, eu prestei atenção apenas na mente dele, não tinha previsto nenhum tipo de reação de Victoria, não percebi que os laços que os uniam eram tão fortes a ponto dela querer se vingar. Bom, eu estava errado pelo visto.
- Estava caçando Victoria? – murmurei um pouco alto demais, assustada com a idéia de aquela ruiva poder machucar Edward.
- Sim, eu a estava rastreando. O fato de eu não prever nenhum tipo de perigo dela, não significa que eu iria deixá-la poluindo o ar perfeito por muito tempo. Victoria vai morrer e logo.
- Não, não vai ir atrás dela novamente – disse a ele.
- Bella, é pra sua segurança. Assim que voltarmos pra casa e as coisas entrarem nos eixos, irei cuidar disso – retrucou.
Sentei-me na cama de maneira que pudesse olhar em seus olhos.
- Você prometeu que não iria mais me deixar. – sussurrei agoniada com a idéia. – Isso não é lá muito compatível com uma longa expedição de caça e rastreamento a uma vampira louca, não é?
Ele franziu a testa num sinal de preocupação.
- Vou cumprir minha promessa, Bella. Mas Victoria vai morrer. Logo.
- Não seja precipitado. Os lobos a assustaram e talvez ela suma por uns tempos, e quem sabe nem apareça mais – disse.
- Ela não vai desistir de se vingar, amor. Ela vira atrás de nós novamente, e vai ser nessa hora que ela irá bater nas portas do inferno. O diabo já a este esperando faz tempo! – murmurou me puxando para seus braços novamente e me envolvendo com eles.
- Tenha um pouco de esperança, afinal, ela é a última que morre – murmurei e senti o sorriso dele ao beijar minha testa.
- Vou tentar, meu amor – prometeu. – Agora, eu vou deixar você trocar de roupa. É melhor você se vestir, não quero que fique tomando friagem e venha a adoecer – sussurrou, dando um rápido beijo em meus lábios e depois ele me soltou.
Fiquei sentada na cama e ele se levantou e apontou pra duas sacolas de roupa em cima da cama.
- Alice disse que isso é pra você, e já deu o fim nas outras roupas que usávamos ontem – ele murmurou.
- Ta bom, vou me trocar – disse me colocando de pé.
- Vou te esperar na sala – ele beijou a minha testa e saiu do quarto me deixando sozinha.
Abri as duas sacolas. Numa, havia uma caixa branca de sapato e na outra, havia uma caixa também só que com uma roupa.
Abri a primeira caixa que havia um sapato e quando eu o vi, meu queixo caiu.
Era um sapato branco de salto alto, desenhado e ornamentado por pedrarias.
Tinha de ser Alice!
Será que ela esqueceu que eu não sei andar de salto alto?
Resolvi abrir a segunda caixa e lá havia um pacote com lingerie branco e um vestido branco de um ombro só, desenhado com uma renda negra em padrões florais. Era lindo.
Bom, eu não tinha escolha uma vez que Alice tinha dado o fim nas roupas que eu usava ontem.
Vesti a lingerie e depois o vestido. Tive problemas na hora de subir o zíper lateral que era muito delicado e pequenino, mas consegui.
Depois olhei para o sapato e comecei a encará-lo. Como diabos eu conseguiria ficar em cima de um salto alto daquele?
Respirei fundo e sentei-me na cama para calçá-lo.
Fiquei de pé e segurei numa das armações da barra lateral da cama ao qual pendia o mosqueteiro, para me equilibrar no salto. Pelo menos o sapato era macio e confortável por dentro.
Dei alguns passos e por incrível que pareça consegui manter o equilíbrio. Andei um pouco com ele pelo quarto, tentando me acostumar um pouco com o salto até que consegui.
Fui pro banheiro e dei uma ajeitada básica no meu cabelo que já estava quase seco. Ele estava caindo em graciosas ondas por minhas costas e meu ombro. Joguei-o de lado, de modo que combinasse com o vestido.
Eu nunca seria uma rainha da beleza, então estava bom.
Sai do banheiro passando pelo quarto e abri a porta passando direto para a sala.
A sala da cabana era pequena. Havia um sofá e uma poltrona de couro marrom bem escuro, uma mesinha no centro da sala de mogno com um vaso cheio de rosas vermelhas, e outra mesinha que abrigava uma TV de LCD um tanto grande que ficava em frente há uma das gigantes janelas que iam do chão até quase o teto e que se abrissem, passaria para a pequena varanda que rodeava a casa.
Um pouco atrás do sofá e de poltrona que ficavam de frente pra TV, havia uma mesa de vidro com quatro cadeiras estofadas e cima da mesa, havia uma bandeja de prata com vários cachos de uvas lá dentro. E logo ao lado tinha a bancada que dava direto pra cozinha que era emendada na sala sem divisória, que era onde Edward estava mexendo com alguma coisa.
Fui até ele atrás da bancada e percebi que ele mexia no fogão.
- O que está fazendo? – perguntei, encostando-me na bancada.
- Você precisa comer – ele olhou para mim desviando a atenção da frigideira e sorriu. – E eu estou cozinhando.
- Desde quando vampiros cozinham? – dei risada.
Como uma pessoa que não comia, poderia saber cozinhar?
- Desde sempre. Tem muita coisa que você não sabe sobre mim, senhorita Isabella – ele sorriu, largando a frigideira no fogão com o fogo ligado e me enlaçou pela cintura, unindo nossos lábios num beijo.
- Hummm... Que misterioso! – comentei dando risada enquanto nos beijávamos.
Conforme ele aprofundava o beijo, eu comecei a sentir o cheiro da comida. Ovos? Bacon?
- Vai queimar – alertei dando risada, sentindo o cheiro.
Ele deu risada e se afastou, indo até o fogão cuidar do que estava fazendo.
- Isso esta cheirando muito bem, pra alguém que não come – comentei a respeito do fato dele não comer comida humana e cozinhar de maneira que cheire tão bem. Olhei em cima da pia ao lado do fogão e percebi que havia algumas sacolas em cima – De onde veio tudo isso?
- Programas de culinária Italiana. Esme adora assistir isso, eu pedi pra Alice trazer essas coisas – ele sorriu olhando para mim, apontando para as sacolas e para a frigideira, ao mesmo tempo em que uma vertigem me atingia, me desequilibrando por completo. Apoiei-me na bancada para não cair, enquanto a zonzeira passava.
- Ai – resmunguei baixinho, ao mesmo tempo em que Edward largava tudo o que estava fazendo e passasse os braços na minha cintura, me segurando.
- Bella? Bella, meu amor... O que houve? Está tudo bem? – perguntou em alerta.
- To, foi só uma tontura – respondi ao mesmo tempo em que ele passava sua mão gélida em minha testa. A sensação era boa, afinal, estava um calor do caramba naquele lugar apesar de todas as janelas estarem abertas e a leve brisa, balançando as cortinas. A sala estava bem iluminada pela luz do dia.
- Desde quando você não come? – perguntou.
- Não sei – admiti. Não conseguia me lembrar à última vez que tinha engolido algo.
- Sente aqui – ele sussurrou me levando pra mesa e me fazendo sentar em uma das cadeiras.
Ele agachou a minha frente e segurou as minhas mãos com um olhar preocupado.
- Estou bem, sério – garanti.
- A tontura, passou?
- Sim, passou.
- Fica quietinha aqui. Você precisa comer, meu amor – ele sussurrou e voltou pro fogão.
Logo depois ele voltou com um prato com ovos e bacon, suco natural de laranja, bolo e frutas. Nunca que eu iria conseguir comer tudo aquilo, embora eu admitisse que estivesse com fome.
- Não esta pensando que vou comer tudo isso, não é? – apontei pra tudo o que ele colocou em cima da mesa.
Ele sorriu e se sentou ao meu lado.
- Não precisa comer tudo isso, mas que a senhorita irá se alimentar muito bem... Ah, isso vai!
- Tudo bem – murmurei e dei uma garfada nos ovos com bacon - que devo acrescentar - estava maravilhoso.
- Depois que você comer, o que acha de irmos dar uma caminhada pelo bosque? Verona é um lugar lindo e é a cidade de Romeu e Julieta... - propôs.
- Edward, nós estamos na Itália. E o sol? – indaguei.
- Apesar do calor, hoje não tem sol e há uma brisa suave. Há muitas nuvens no céu encobrindo o sol, ao contrário de ontem esse horário – ele disse com um sorriso.
Tremi com a idéia. Ontem nesse mesmo horário, eu estava correndo que nem uma louca por Volterra, para tentar salvar algo que era mais importante do que minha própria vida: Edward.
- Então, parece uma boa idéia – sorri ao mesmo tempo em que Edward pegava a minha mão em cima da mesa e depositava um pequeno beijo.
- Precisamos conversar, e eu queria dar um volta com você justamente por isso – sussurrou.
- Posso saber sobre o que? – perguntei apertando mais os seus dedos entrelaçados nos meus.
- Por enquanto é segredo, ou melhor... – ele deu o meu sorriso torto favorito e meu coração disparou – Uma surpresa – disse por fim com uma piscadela e um sorriso lindo, até seus olhos pareciam ter um brilho diferente.
Sorri também, fascinada com seu radiante sorriso e o brilho intenso em seu olhar.
Qual seria a surpresa?

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