❝ My Angel — Capítulo 6


❝ Just One Last Kiss

Olhos vermelhos como sangue era tudo o que eu via. Olhos assassinos que estavam ali com um propósito.
Nos matar.
- Aro – a voz de Edward estava fria e áspera. – Porque será que eu não estou surpreso em vê-lo?
Outros vampiros envoltos á um manto negro começaram a aparecer. Meu sangue gelou quando eu vi Jane, Felix e Demetri, ambos com um sorrisinho cínico nos lábios.
A intenção deles estava mais do que clara.
Vingança. Eles queriam vingança.
E a morte era o preço.
- Ora caro Edward, porque recusastes ir ao meu encontro? - murmurou Aro de uma maneira muito cordial e doce para ser verdadeira. Aquele imortal tinha uma expressão assustadoramente gentil. Sua pele era extremamente branca e contrastavam com seu cabelo preto na altura do ombro.
Sua voz era amigável e entusiasmada, mas seus olhos vermelhos o contradiziam.
Morte, sangue, crueldade... Era tudo o que eu conseguia ver nos olhos daquele vampiro.
- Porque já tinha plena consciência de seu propósito a ordenar aos seus subordinados que viesse atrás de mim, Aro – Edward respondeu.
- Claro que sim, afinal, não haveria como esconder nossos propósitos de alguém com um dom tão peculiar como você, Edward – disse um dos vampiros ao lado de Aro, que por sinal eram ambos muito parecidos um com o outro. Ele tinha os cabelos brancos como a neve – do mesmo tom de sua pele – que roçavam no ombro. Ao seu lado havia outro vampiro, esse tinha os cabelos negros como os de Aro. Os rostos tinham a mesma pele de papel de seda.
Ao observar os três vampiros um ao lado do outro me dei conta que o trio do quadro de Carlisle estava completo, inalterado pelos últimos trezentos anos desde que fora pintado.
- Marcus, Caius. Vejam! – sussurrou Aro. – Bella esta viva afinal. Não é ótimo?
Tremi ao ouvir meu nome sendo pronunciado com tamanha familiaridade. Edward apertou um pouco a minha mão.
Nenhum dos outros dois deu a impressão de que ótimo seria a palavra de escolha. O de cabelo preto parecia completamente entediado, como se tivesse visto muitos milênios do entusiasmo de Aro. A expressão do outro era amargurada sob o cabelo de neve.
O desinteresse deles não refreou o deleite de Aro.
- Conte-nos a história – Aro, com a voz leve, quase cantava.
O vampiro ancião de cabelos brancos se afastou. O outro parou ao lado de Aro e estendeu a mão, de inicio pensei que fosse para pegar a mão dele. Mas ele apenas tocou a palma e logo a largou. Aro ergueu uma das sobrancelhas pretas. Perguntei-me como sua pele de papiro não se amassou com o esforço.
- Obrigada, Marcus – disse Aro. – Isso é muito interessante.
Percebi um segundo atrasada, que Marcus estava deixando que Aro lesse seus pensamentos.
Marcus não parecia interessado. Afastou-se de Aro para se unir ao que devia ser Caius, ficando ao seu lado, dois passos atrás de Aro.
Jane se botou ao lado de Aro e outro vampiro também. O rapaz pálido de terno cinza-pérola podia muito bem ser gêmeo de Jane. Seu cabelo era mais escuro e os lábios não eram tão cheios, mas era tão lindo quanto. Sua expressão era tão cínica quanto a de Jane com seus cabelos castanho-claros curtos e lisos.
Jane tinha o corpo minúsculo – magro e andrógino - como o de Alice, e mais uma vez estava envolto sob o manto quase negro, contrastando com seus olhos.
Ontem, quando a vi pela primeira vez, de inicio pensei que fosse um garoto. Mas o rosto era bonito demais para um menino. Os olhos grandes e os lábios cheios fariam um anjo de Botticelli parecer uma gárgula. Mesmo considerando as íris opacas e vermelhas. Seu tamanho era tão insignificante que a reação de Edward, Alice, Felix e Demetri ao seu aparecimento me confundiu.
Até então, eu não tinha consciência dos talentos daquele vampira.
Observei quando Aro sacudiu a cabeça.
- Incrível – disse ele olhando para nós. – Absolutamente incrível.
Do que ele estava falando?
Edward observando a confusão nos meus olhos, respondeu a pergunta oculta em minha mente.
- Marcus vê relacionamentos. Ele esta surpreso com a intensidade do nosso.
Aro sorriu.
- Muito conveniente – repetiu para si mesmo. Depois falou conosco: - É preciso muito para surpreender Marcus, posso lhes garantir.
Olhei o rosto apático de Marcus e acreditei nisso.
- É que é tão difícil de entender, mesmo agora – refletiu Aro, olhando a maneira como Edward me protegia. Para mim era difícil acompanhar a linha de raciocínio caótica de Aro. Eu me esforçava para entender. – Como pode ficar assim tão perto dela?
- Não é sem esforço – Edward respondeu calmamente.
Diante da situação, aquela calmaria excessiva de Edward não era normal. Havia algo por trás daquilo.
- Mas ainda assim... La tua cantante! Que desperdício!
Edward riu uma vez, sem nenhum humor.
- Sabe que vejo isso como um preço.
Aro estava cético.
- Um preço muito alto.
- Apropriado.
Aro riu.
- Se eu não tivesse sentido o cheiro dela em suas lembranças, não teria acreditado que o apelo do sangue de alguém pudesse ser tão forte. Nunca senti nada parecido. A maioria de nós daria muito por um presente desses, e no entanto você...
- Desperdiço – concluiu Edward, a voz agora sarcástica.
Aro riu outra vez.
- Ah, como sinto falta de meu amigo Carlisle! Faz-me lembrar dele... Só que ele não era tão irritável.
- Carlisle é melhor do eu de muitas outras maneiras.
- Certamente, entre tudo mais, nunca imaginei ver Carlisle ser suplantado na questão do autocontrole, mas você o supera.
- Dificilmente – Edward parecia impaciente. Como se tivesse cansado das preliminares. Isso me deu mais medo, não pude deixar de imaginar que ele esperava que acontecesse.
- O seu controle... – Aro parecia fascinado, admirado. – Não sabia que essa força era possível. Habituar-se contra tal canto de sereia, não apenas uma vez, mas repetidamente... Se eu próprio não sentisse, não teria acreditado.
Edward retribuiu o olhar de admiração de Aro sem nenhuma expressão. Eu conhecia bem o seu rosto, para supor que algo fervilhava sob a superfície. Lutei para manter minha respiração constante.
- Só de me lembrar do apelo que ela tem a você... – Aro riu. – Fico com sede.
Edward se contraiu. Meu coração se acelerou com tais palavras.
Ele desejava meu sangue, tanto quanto Edward desejava.
- Não fique perturbado – Aro o tranqüilizou. – Não pretendo causar nenhum dano a ela. Mas estou muito curioso com uma questão em particular – Ele me olhou com vivo interesse. – Posso? – perguntou ansiosamente, erguendo a mão em nossa direção.
- Peça a ela – sugeriu Edward numa voz monótona.
- Claro, que grosseria a minha! – exclamou Aro. – Bella – ele agora se dirigia a mim. – Estou fascinado que você seja a única exceção ao talento impressionante de Edward... É tão interessante que aconteça uma coisa dessas! E estava me perguntando, uma vez que nossos talentos são em muitos aspectos semelhantes, se você faria a gentileza de me permitir tentar... ver se você é uma exceção também para mim?
Meus olhos voaram apavorados para o rosto de Edward. Apesar da gentileza explicita de Aro, eu não acreditava que de fato tivesse alternativa. Estava apavorada com a idéia de permitir que ele me tocasse, e no entanto, também perversamente intrigada com a possibilidade de sentir sua pele estranha.
Os olhos dourados de Edward fitaram os meus de uma maneira intensa e ao mesmo tempo encorajadora.
Edward assentiu, encorajando-me – se foi porque ele tinha certeza de que Aro não ia me machucar ou porque não havia alternativa, eu não sabia.
Com um suspiro resignado, tomei coragem e sai de trás de Edward dando alguns passos em direção ao vampiro que também se dirigia a mim.
O barulho do salto do meu sapato batendo no assoalho era como um grito mortal no meio da escuridão.
Levantei a minha mão em sua direção. Ele se aproximou, e acredito que sua intenção fosse mostrar uma expressão tranqüilizadora. Mas suas feições de papiro eram estranhas demais, fora do comum de uma maneira extremamente assustadora  para me acalmarem. O olhar em seu rosto era mais confiante do que as palavras que dissera.
Aro estendeu a mão, como que para me cumprimentar, e cumpriu a pele de aparência insubstancial na minha pele. Era dura, mas pareceu frágil – de xisto e não de granito – e ainda mais fria do que eu esperava.
Os olhos turvos sorriram para mim e foi impossível desviar o olhar. Eles eram hipnóticos, de maneira estranha e desagradável.
A expressão de Aro mudou enquanto eu observava. A confiança oscilou e se tornou primeiro dúvida, depois incredulidade antes de se acalmar numa máscara de simpatia.
- Muitíssimo interessante – disse ao soltar a minha mão e recuar, assim como eu fizera naquele exato momento.
Voltei para o lado de Edward, que parecia cada vez mais impaciente, embora tentasse demonstrar calma.
Ele passou o braço envolta de minha cintura.
Aro olhou para Jane e o outro vampiro que parecia ser seu gêmeo. Felix e Demetri estavam ao lado dos Caius a Marcus, ambos observando a cena.
Eu os havia visto mutilados. Ainda não acreditava no que estava vendo a minha frente. Jane com os braços de volta no lugar. Intactos. E os dois vampiros que eu julgava estarem mortos, vivos com uma raiva e um ódio eminente no olhar.
Edward tinha razão, eles podem se recompor.
- Então, essa era a causa de todo o problema? – o vampiro gêmeo de Jane, perguntou a Edward de uma maneira um tanto cética, observando-me ao seu lado.
Edward limitou-se a sorrir, a expressão desdenhosa.
- Ora caro Alec, não a subestime. Bella é uma garota muito especial de diversas maneiras – Aro disse ao vampiro gêmeo de Jane. Então esse era o nome dele, Alec? Aro se virou novamente para nós com um sorriso enérgico – Esta vendo, Edward? – O vampiro estranhamente sorriu para Edward como um avô afetuoso, mas rabugento. – O que eu lhe disse? Não esta feliz por eu não ter lhe dado o que queria a dois dias?
- Sim Aro. Estou. Muito, mais do que consegue imaginar – concordou ele, apertando o braço em minha cintura.
- Adoro finais felizes – Aro suspirou. – São tão raros. Mas como isso aconteceu? Você parecia acreditar que Alice, era infalível. Alias, fui informado de que ela estava com vocês ontem. Onde a nossa adorável vidente está?
- Não sei – Edward respondeu. E então, para minha surpresa, toda a paciência que Edward poderia ter se perdeu – Porque não para com essa enrolação e vai direto ao ponto? Já sei qual o propósito de sua visita, é o mesmo de quando mandou seus subordinados me chamar ontem, com o acréscimo de vingança pelo presente que deixei em sua amada Volterra. Vamos acabar logo com isso.
- Realmente, és um excelente telepata. Melhor do que eu me arriscaria a dizer... – Aro sussurrou. – Mas, já que prefere assim...  Gostaria de saber quais os motivos que levaram a você a tentar contra aqueles que me são tão caros? – Aro começou a gesticular para Jane, Felix, Demetri e até mesmo para Alec, embora ele não estivesse junto.
- Uma questão de segurança. – Edward respondeu simplesmente. - Quando me chamou para ir falar com você novamente, vi de imediato qual era a sua intenção. Estava tudo bem claro. Ou eu me unia a você como um Volturi, - que é a sua vontade -, ou morreria. Precisava proteger Bella de você, porque sei muito bem que desrespeitei as leis ao revelar o segredo sobre o nosso mundo a ela. Sendo ela humana e tendo conhecimento pleno de tudo, sei o que acontece a ela. Foi para salvá-la de você que eu lutei contra a guarda.
- Não somente você, mas Alice também – acrescentou Jane.
Edward nada respondeu.
- Edward meu caro, parece que você se equivocou. Eu apenas queria conversar amigavelmente, como estamos fazendo aqui – Aro murmurou ultrajado.
- Por enquanto – Edward sussurrou.
- Então, esta ciente de que o desrespeitar da regra suprema de guardar o segredo, tem sérias punições? – Caius, indagou arqueando uma de suas sobrancelhas que eram tão brancas quanto seu cabelo.
- Façam o que quiser comigo, estou disposto a pagar por meus erros. – Edward murmurou para meu completo desespero. - Mas a deixem em paz. Ela não tem culpa de nada e jamais revelaria o nosso segredo. Puna a mim e a mais ninguém. Expor-me ao sol, - algo que não aconteceu -, e lutar contra a guarda, foi uma escolha minha. Somente minha. Apenas eu devo ser punido.
Edward era realmente absurdo. Como assim punir apenas a ele?
Eu tinha tanta culpa quanto ele. E como ele achava que eu poderia viver sem ele?
Eu era a Julieta dele. Ele meu Romeu. Não poderíamos existir num mundo onde o outro não existia. Jamais.
Éramos um só amor. Uma só alma.
Éramos almas gêmeas, nos completávamos nos tornando um só.
- Acho que não pode ser assim – Caius murmurou de uma maneira ameaçadora.
Jane, Felix, Demetri e Alec esbanjaram um sorrisinho presunçoso.
Ouvi um rugido começar a se formar no peito de Edward.
- Então vão para o inferno – Edward murmurou para eles rudemente.
Tudo aconteceu em menos de um segundo.
Edward olhou para as portas da sacada do quarto da cabana abertas, e olhando de relance para mim, ele me jogou em suas costas me mandando segurar firme. Minhas pernas se fecharam com força em volta de sua cintura e meus braços a sua volta.
O chão começou a desaparecer por debaixo de nós, enquanto ele corria mais rápido do que eu estava acostumada pelo bosque obscuro.
O sangue parecia ferver sob minhas veias, misturados com a adrenalina. Meu coração palpitava cada vez mais rápido, num ritmo quase audível a distância. O vento batia violentamente em meu rosto, cortando a minha pele.
De repente, Edward parou de correr, me colocando no chão.
Tudo estava escuro demais, eu mal conseguia enxergar.
Ele pegou a minha mão e começamos a correr numa velocidade humana pela floresta, enquanto Edward observava entre as árvores a nossa volta.
- O que vamos fazer? – perguntei a ele em pânico.
Os Volturi estavam a trás de nós, eles queriam nos matar.
- Preciso distraí-los para você ter alguma chance de sair daqui – murmurou, segurando a minha mão.
O que? Eu sair daqui, mas e ele?
Puxei um pouco a minha mão e Edward voltou a olhar para mim. Estacamos onde estávamos.
- Não vou a lugar nenhum sem você. Se eles fizerem algo a você, terão de fazer a mim também – murmurei.
- Bella, meu amor me ouça. Não temos muito tempo. O bosque é grande, mas não é infinito e eles vão nos achar a qualquer momento, eles estão seguindo nosso rastro. Tenho certeza absoluta disso – ele acariciou meu rosto e mesmo no escuro, eu podia ver o brilho dourado de seu olhar. – Você precisa ir.
Enquanto eu me dava conta do que estava acontecendo, lágrimas começavam a escorrer por meus olhos.
Ele iria me deixar novamente.
- Não, não. Por favor, não me deixe novamente – implorei em meio às lágrimas que agora escorriam violentamente por minha face. – Eu preciso de você. Eu amo você.
- Eu te amo. Amo mais do que minha própria vida, e é por isso que eu preciso te proteger – murmurou dando um beijo na minha testa.
- Eles vão matar você – murmurei me dando conta da verdade em minhas palavras.
- Sei me cuidar. Mas eu preciso que você me ouça e faça o que estou pedindo. Corra o mais rápido que puder pelo bosque e tente não cair e se machucar. O cheiro se sangue no ar fará com que eles a achem com facilidade. Corra, corra pelo bosque. Alice a verá e ela e Jasper irão te encontrar, tenho certeza. Você ficara a salvo.
- Não posso viver sem você, não posso viver sem a minha alma. Não posso te deixar – sussurrei chorando.
Eu preferia sofrer as piores torturas possíveis, preferia morrer do que não ter um razão para meu coração continuar a bater, não ter uma razão para respirar, para abrir meus olhos todas as manhãs. Desta vez, eu preferia a dor do que o vazio. Do que o nada.
- Tudo vai dar certo, amor. Eu te prometi, lembra? – murmurou Edward encostando a testa na minha.
- Sim, me lembro. Mas não, não vai dar tudo certo. Edward, se eles não te matarem vão te machucar... Não posso te deixar - disse a ele completamente desesperada.
- Eu te amo. Confie em mim – pediu. - Eu preciso te proteger de alguma maneira, amor. Se você estiver bem, eu estarei bem. Tudo vai ficar bem, tudo vai dar certo. – sussurrou, tocando meus lábios com seus dedos frios que nunca me pareceram tão aconchegantes quanto agora.
Aquela poderia ser a última vez que nos tocávamos. A última vez que nos veríamos.
Edward se inclinou e beijou sutilmente meus lábios. Amor, dor, tristeza e medo de perdemos um ao outro, se misturava ao toque enquanto nossos lábios se moviam em sincronia, naquele ato tão intenso para dois amantes que se amam como nós nos amávamos. Eternamente.
Algo dentro de mim - a voz do meu coração -, dizia que aquele era o nosso último e sôfrego beijo.
Estávamos perdendo um ao outro para sempre. Eu sentia isso e aquilo doía demais.
Eu podia sentir que o buraco em meu peito parecia se abrir novamente tortuosamente lento.
Doía e sangrava como uma adaga cravada em meu peito.
- Você precisa ir – murmurou de olhos fechado com a testa encostada na minha. Seu hálito maravilhoso e sua respiração gélida banhavam meu rosto. – Eu te amo. Perdoe-me.
- Eu te amo – murmurei uma última vez. Edward pressionou os lábios mais uma vez nos meus.
E então nós nos afastamos um do outro, lentamente. Nossos olhos pareciam conectados por uma força maior, que nos impediam de desviar o olhar.
Lágrimas quentes continuavam a escorrer de meus olhos pouco a pouco.
Com um suspiro cansado, Edward se virou e desapareceu na floresta, enquanto uma brisa nada natural me atingia.
Edward se fora. Levando consigo meu coração.
Respirei fundo e comecei a correr pela floresta.
As raízes das arvores batiam nos meus tornozelos, provocando cortes e arranhões em meio a escuridão, mas nada doía mais do que o buraco em meu peito que começava a se abrir naquele momento.
As árvores e a escuridão pareciam não ter fim. Eu cai algumas vezes por causa do salto, cai por causa das lágrimas que me cegavam, cai por causa das raízes das árvores que eram grandes demais e eu não conseguia enxergar no meio da escuridão, mas eu levantava e continuava a correr.
Corria sem rumo. Corria numa busca insana pela libertação daquele pesadelo.
Eu queria encontrar a luz, queria encontrar uma porta que iria me sugar novamente para uma manhã mágica como a que eu vivi ao lado de Edward. Mas nada disso parecia se encaixar em meio aquela obscura escuridão.
E quando eu achava que nada podia piorar, algo muito frio e pesado me atingiu e eu cai no chão, machucando bruscamente minhas pernas descobertas. Senti quando os cortes se abriram me ferindo radicalmente, provocando uma dor horrível, enquanto o sangue quente começava escorrer por minhas pernas.
Um gemido de dor escapou por meus lábios. Forcei os olhos no meio da escuridão e quando olhei para cima, me dei conta do que havia me atingido, ou melhor, de quem.
Um Volturi.
Alec.
Eles haviam me achado.
- Aonde pensa que vai, mocinha? – murmurou Alec assustadoramente gentil. Mesmo na escuridão, eu pude ver seu sorrisinho cínico.
Comecei a sentir o cheiro do sangue, o cheiro de ferrugem e sal tomando conta do ar. Meu estomago começou a embrulhar e um enjôo muito forte tomou conta de mim.
O maxilar do vampiro a minha frente se contraiu. Seus olhos se tornaram assassinos, enquanto ele inalava o cheiro de sangue no ar.
Ele se agachou numa posição como para me atacar.
Eu era a presa e ele o caçador.
Eu iria morrer. Tive certeza disso naquele momento, enquanto eu ouvia o rugido ameaçador se formar no peito daquele vampiro, que seria o meu assassino.
Eu iria morrer, mas pelo menos eu iria morrer feliz. Fui mais feliz em vinte e quatro horas, do que muitas pessoas são em cinquenta anos de suas vidas. Eu havia experimentado do mais puro e verdadeiro amor. Havia sido mais amada e desejada do que muitas mulheres são durante anos e anos de casamento. Havia sido pedida em casamento, feito planos para o futuro ao lado de meu amor e havia sonhado com a eternidade.
Para sempre. Um tempo infinito para nos amarmos. Esse era o sonho.
Mas de repente para sempre não parecia tanto tempo assim.
Ele ia atacar e quando avançou para cima de mim, algo mais rápido o atingiu jogando-o longe. O vampiro bateu com tudo numa árvore, caindo no chão.
Jasper. Ele havia me salvado.
Alice apareceu ao meu lado naquele mesmo instante e me ajudou a levantar.
- Bella, meu Deus... Você esta sangrando, esta machucada – ela murmurou exasperada olhando meus joelhos, enquanto Jasper travava uma luta com Alec. – Edward. Onde ele esta? – perguntou para mim.
Outro gemido de dor escapou por meus lábios, enquanto eu ficava de pé. Meus joelhos estavam na carne viva, sangrando violentamente e doendo demais.
- Acho que os Volturi o pegaram. – murmurei desesperada. - Ele me mandou correr pela floresta, me mandou correr o mais rápido que eu pudesse e disse que você e Jasper me encontrariam – murmurei em meio às lágrimas. Alice jogou meu braço em volta de seus ombros.
- Eu vi os Volturi na cabana, mas já era tarde demais. Eles conseguiram burlar os meus dons, devem ter deixado alguém decidir por eles. Eu não os vi decidindo vir atrás de nós – Alice disse, me segurando pela cintura.
Minha perna doía e ardia demais. Eu mal conseguia manter o equilíbrio.
- Alice – segurei seu braço e olhei desesperada nos olhos dela. – Me deixem. Edward precisa de vocês, ele precisa de ajuda. Os Volturi vão matá-lo. Jane esta com eles, Felix e Demetri também. Por favor, tentem salvar Edward – implorei.
De repente, olhamos as duas para Jasper e Alec.
Sem nada fazer, Jasper caiu de joelhos no chão e Alice ao meu lado também, os olhos de ambos fora de foco. Eu desequilibrei a cai ao lado dela também.
Alec olhava para Alice e Jasper fixamente, enquanto se levantava. Ele não havia relado a mão em nenhum deles, mas ambos haviam sido incapacitados por algum tipo de dom.
- Seja lá o que estiver fazendo, Alec... Pare – pedi. – Me leve, faça o que quiser comigo, mas deixe Alice e Jasper. Por favor – implorei.
Dane-se o que eles iriam fazer comigo!
- Vou levar os três. Aro irá gostar da surpresa, afinal, ele me mandou buscar um e eu voltarei com três – murmurou vindo até mim e tocou meu rosto. Virei para o lado num gesto arrogante de repulsa. – Eu beberia até a última gota de seu sangue neste momento, não sabe como tem um cheiro apetitoso, mas... Acho que meu mestre tem planos especiais para você, Isabella – murmurou me pegando bruscamente pelo braço e me tirando do chão.
Uma lágrima cheia de dor escorreu por meus olhos, enquanto meus joelhos protestavam pelo movimente brusco, abrindo ainda mais os cortes e as feridas em minha perna.
- Como quiser – murmurei sentindo-me derrotada. Cansada.
O fim da minha vida nunca esteve tão próximo e cruel como agora. Nem mesmo quando James tentará me matar, fora tão doloroso.
- Irei liberar os sentidos de vocês dois. Mas que fique claro: Se tentarem qualquer coisa, a garota morre – Alec olhou para mim.
De repente, Alice e Jasper tomaram conta novamente de si mesmo. Eles recuperaram o controle de seus sentidos e seus corpos. Ambos olharam para mim.
Então era isso. Alec havia tirado os sentidos de Alice e Jasper, por isso eles não conseguiam se mover.
Alice olhou para mim com um claro pedido de desculpas no olhar. E Jasper olhava fixamente para Alec com um ódio mortal no olhar.
- Sigam-me – ele ordenou. Alice assentiu e Jasper foi para o lado da esposa.
Alec segurava rudemente meu braço, provocando uma dor forte no lugar em que ele apertava. A dor só não era mais forte do que a dor em minhas pernas e meu joelho, completamente machucados. Literalmente, minha pele estava na carne viva, escorrendo gotas de sangue que faziam meu estomago se revirar cada vez mais.
Mas a dor em meu coração, a dor do buraco que se abria no meu peito, sobrepunha qualquer dor física. Era intensa e devastadora.
O vazio. O nada. Parecia que eu era uma morta viva. Se existia uma alma dentro de mim, ela fora arrancada de dentro de mim no momento em que Edward e eu nos separamos.
Dor era tudo o que eu sentia, enquanto eu andava pela escuridão sombria daquela floresta. Aquele vazio doía tanto, que isso era tudo o que eu sentia. Dor. Nada além de dor.
Ela era física, mas também emocional. E era exatamente essa dor – a emocional – a mais intensa e avassaladora. Se me matassem naquele momento, eu ficaria muito feliz.
Fechei os olhos enquanto as minhas tão conhecidas e companheiras lágrimas me atingiam. O cabelo grudava em minha testa e nuca, por causa do suor provocado pelo esforço físico. Minhas mãos estavam machucadas, me dei conta naquele momento enquanto as sentia latejar assim como os meus joelhos que doíam cada vez mais com o atrito ao decorrer dos movimentos das minhas pernas.
Um cheiro de queimado me atingiu e um clarão alaranjado começou a se formar a minha frente.
Forcei um pouco o olhar e então me dei conta do que era. Uma fogueira.
Uma enorme fogueira.
As labaredas do fogo me eram assustadoras. Era como uma espécie de portal para o inferno.
E eu tinha razão de ter medo, pois a minha visão do diabo estava logo a frente.
Aro, Caius, Marcus, Jane e mais ao lado eu o vi.
Edward.
Ajoelhado na relva, sua expressão estava cansada e parecia cheia de dor. Ele estava preso, segurado por Demetri e Felix.
Ao vê-lo meu coração voltou a pulsar em meu peito, foi como uma chama de esperança no meio do desespero.
- Ah, finalmente Bella se juntou a nossa festinha! – Aro murmurou com um sorriso enquanto nos aproximávamos ficando envolta da fogueira. – E veja só, Alice e Jasper também. Não é maravilhoso? – ele se virou para Marcus e Caius.
Caius tinha um sorriso diabólico nos lábios, assim como Jane que não tirava os olhos de Edward. E Marcus parecia continuar entediado.
Edward levantou os olhos e olhou agoniado para mim. Seus olhos eram um misto de dor, agoniada e um claro pedido desculpas para mim.
Eu não conseguia desviar os olhos dele. Ele me fitava intensamente e eu retribuía o mesmo olhar.
Se for para termos um fim, que ao menos seja juntos.
- Olá Aro. É um prazer finalmente, conhecê-lo – Alice se colocou ao meu lado e sorriu para Aro.
- Alice, minha querida. O prazer é todo meu – Aro sorriu para Alice e estendeu a mão para ela. Alice deu alguns passos e tocou a mão dele.
Os olhos de Aro mais uma vez se tornaram hipnóticos enquanto ele lia os pensamentos de Alice. Observei que Jasper começou a ficar impaciente.
Alec parecia apertar cada vez mais forte o meu braço e aquilo doía cada vez mais. Edward olhou para ele com raiva.
- Compreendo. – Aro sussurrou soltando a mão de Alice. – Já havia visto o quão peculiar é o seu dom, querida Alice. Nunca havia visto algo do gênero, é fantástico.
- Obrigada – Alice sussurrou e deu um sorriso para Aro.
Ela deu as costas a ele e deslizou para o meu lado. Ela olhava para o irmão com uma expressão preocupada.
Jasper parecia estar com raiva de tudo e de todos.
Se tínhamos algumas esperança disso acabar bem, Jasper não podia de maneira alguma perder o controle.
- E agora? – Aro se perguntou. - O que faremos com vocês?
- Por favor, peço que reconsiderem meu pedido. Deixem Bella, Alice e Jasper partirem. Somente eu devo ser punido por meus atos. Somente eu devo ser punido por ter desrespeitado as leis e as regras. Somente eu devo ser punido por ter tentado contra Volterra e a guarda Volturi – Edward se pronunciou.
Num ato desesperado, tomei coragem e me pronunciei o contradizendo.
- Não. Ele está errado – murmurei convicta. – Eu tenho tanta culpa quanto ele. Se eu não tivesse pulado do penhasco, se eu não tivesse tido uma atitude insana e imprudente, ele não teria vindo até Volterra e feito tudo o que fez. Eu é que devo ser punida.
- Bella, por tudo o que é sagrado pare com isso. Por favor, deixem que eles decidam, não diga mais nada. – Edward pediu.
Mas eu não parei.
- Edward errou, mas eu errei mais do que ele. Se ele agiu contra a Guarda Volturi, foi por minha causa. Se tem de punir alguém, esse alguém deve ser somente a mim. Deixem-no... Punam a mim. Me matem, façam o que quiser comigo, mas o deixem-no.
- Bella... – Edward sussurrou meu nome de maneira intensa e ao mesmo tempo desesperada.
- Ora, você estaria disposta a dar a sua vida por um monstro, sem alma? – Aro indagou perplexo.
Aquilo foi a gota d’água.
Edward não era um monstro desalmado.
- Não fale nada sobre a alma dele. – murmurei friamente, com raiva pelo que ele havia dito. - Você não o conhece, não sabe quem ele é.
- Que coisa mais linda é o amor, não? – Aro deu uma gargalhada e bateu palmas uma vez. – Um disposto a dar a vida pelo outro.
- Pena que esse amor é o que tirará a vida de um de vocês. Talvez dos dois – Alec murmurou olhando para mim. – Morrer por amar demais. Que clássico!
- De um lado, temos um imortal que desrespeitou as leis e do outro, uma humana que sabe demais. – Aro murmurou oscilando o olhar entre mim e Edward. - Decisões, decisões e mais decisões... O que faremos com vocês dois?
- Não se esqueça desses dois aí – Caius apontou para Alice e Jasper - Eles devem ser punidos por associação, não irmão? – sussurrou Caius a Aro.
- Hummm... Talvez – Aro deu um sorriso cínico para Alice e Jasper que estava ao seu lado.
- Eu assumo total culpa por qualquer erro que eu, Alice e Jasper tenhamos cometido. Assumo total responsabilidade pelos atos de Bella também, mesmo que a punição seja a morte. – Edward murmurou para meu completo desespero. Alice e Jasper olhavam abismados com tamanho altruísmo da parte dele. - Peço que reconsidere Aro, por favor. Deliberem com racionalidade.
- Edward, não pode fazer isso – Alice murmurou.
- Não faça isso irmão – Jasper murmurou para Edward.
- Já fiz – Edward deu um sorriso sem nenhum humor e olhou para mim. Seus lábios se moveram sem sair nenhum som num silencioso “Eu te amo”.
Fechei meus olhos enquanto as lágrimas escorriam por meus olhos.
- Acho que já temos a resposta – Aro murmurou e os outros dois vampiros anciãos – Caius e Marcus - assentiram.
- O que faremos Mestre? – perguntou a pequena Jane.
Os ombros de Alice se curvaram ao meu lado. Ela já sabia o que estava por vir.
- Alec solte Bella, acredito que a esteja machucando. Algo que não é minha intenção – Aro pediu e o vampiro obedeceu. Toquei meu braço que latejava muito.
Ele havia machucado e muito o meu braço, mas nada em comparação as minhas pernas e a dor em meu peito.
- Alice e Jasper serão absolvidos da culpa por associação. Bella será liberta com a condição de jamais revelar o segredo a respeito do nosso mundo e quem sabe, não ser transformada em vampira? Creio que será uma intrigante imortal. – Aro deu um sorriso fascinado para mim e continuou - Do contrário, sua família humana e todos os outros membros da família Cullen irão pagar. Me fiz bem claro?
- Sim, bem claro – respondi. – E Edward? – fiz a pergunta mais importante, mas algo me dizia que a resposta não era nada boa.
- Este será punido por seus atos. – respondeu. – Não damos segundas chances e o que Edward fez foi muito grave. Expôs o nosso segredo quando contou a você, uma mera humana, que era um vampiro; Quase se expôs ao sol em pleno festival de São Marcus e tentou contra a guarda Volturi. Três crimes imperdoáveis. Não temos escolha a não ser puni-lo.
O desespero tomou conta de mim.
Não. Ele não!
- Não, por favor, não... Ele não! – comecei a implorar. – Me matem, me matem! – gritei desesperada, enquanto as lágrimas escorriam por meus olhos.
- Isso já esta decidido. – Caiu murmurou num claro deleite com meu desespero e a minha dor. - Somente Edward será punido.
- Não, por favor, não - implorei novamente, mas nada parecia adiantar.
O fim eminente havia chegado e nada eu podia fazer para mudá-lo.
- Posso fazer um último pedido Aro? – Edward pediu, olhando para baixo.
- Ah, um último pedido... Que coisa mais triste! – Aro murmurou. – O que deseja, Edward?
- Peça para Alec tirar os sentidos de Alice, Jasper e Bella. Não quero que eles vejam o que quer que vocês farão comigo. Podem fazer isso? – perguntou.
Onde estava a minha voz para implorar que me matassem também? Onde estava a minha força?
Pó. Somente isso.
Tudo havia virado pó enquanto eu fitava pela última vez os olhos de minha eterna paixão. Os olhos dourados do espelho da minha alma.
- Me parece justo – Aro assentiu concordando. – Alec, por favor, faça o que ele pede.
Alice e Jasper observavam horrorizado o que estava prestes a acontecer, mas de repente a expressão de ambos se tornou vaga e vazia. Alec tinha tirado os sentidos deles novamente.
Ele olhava para mim confuso.
- Com ela não esta funcionando – ele murmurou confuso.
- Então tirem Bella daqui. Por favor – Edward pediu, olhando profundamente em meus olhos.
- Não, não faz isso comigo – murmurei encontrando novamente minha voz em meio aquela dor desesperadora.
- Eu sei uma maneira de apagá-la sem machucá-la – Alec disse.
- Fique a vontade – Aro consentiu.
Alec veio para o meu lado e colocou a mão no meu pescoço. De inicio pensei que ele fosse me enforcar, mas ele apenas apertou de maneira que me faltasse o oxigênio. Segurei em seu pulso, numa vã tentativa de impedi-lo, mas ele era muito mais forte do que eu. Era impossível.
- Me perdoe. Eu te amo – Edward sussurrou olhando intensamente em meus olhos. Amor e dor estampados em suas íris.
Aquela foi a última vez que vi Edward.
Então o oxigênio me faltou por completo e a escuridão eminente tomou conta de mim, fazendo com que eu mergulhasse em águas negras dentro da minha mente, de onde eu jamais sairia.
Não voltei à superfície.

Um comentário:

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