❝ My Angel — Capítulo 5

❝ Romeo and Juliet

A curiosidade estava me corroendo.
- Então é isso, você não vai me dizer o que é? – perguntei mais uma vez enquanto terminava de beber meu suco.
- Não, você é muito curiosa – ele deu risada brincando com um das mexas rebeldes de me cabelo que não queriam ficar no lugar.
- Tudo bem, então vamos logo dar uma volta – disse, colocando-me de pé.
Edward me puxou naquele exato momento para seus braços fazendo com que eu caísse em seu colo.
- Hey! – resmunguei meio sem fôlego com a proximidade de nosso rosto.
Seus olhos subiram da minha boca para os meus olhos, apenas um pouco antes dele unir nossos lábios num beijo lascivo.
- Porque a pressa? – sussurrou olhando intensamente em meus olhos. – Temos tempo.
Gostei da idéia de tempo.
A porta se abriu e Alice apareceu discutindo no telefone.
- Isso mesmo... Te espero na recepção – ouvi ela murmurar, um pouco antes de desligar o celular.
Fiquei de pé novamente. 
Edward segurou minha mão, mantendo-me ao seu lado.
- O que foi? – Edward perguntou a irmã.
- Acho que temos um problema. Jasper mentiu para mim – ela disse.
- Como assim? – perguntei.
- Ele esta aqui na Itália. Desembarcou no aeroporto há uma hora, está a caminho daqui – murmurou com um suspiro.
Edward levantou e envolveu seus braços na minha cintura.
- Isso não é nada bom – Edward murmurou. Seus braços se estreitaram a minha volta e eu o conhecia bem o suficiente para saber que ele estava tenso.
- Acho que não há perigo, não o vejo decidindo nada que possa nos colocar em risco. Mas sabe como Jasper é, muda de idéia a cada dez segundos, é impulsivo – disse Alice com um careta, apoiada na bancada.
- Ele não deveria ter vindo para cá, ele pode agir por impulso e decidir ir atrás dos Volturi. Estamos correndo risco aqui, apesar de para todos os efeitos já estarmos bem longe da Itália, não é seguro. – disse Edward.
- Daqui mais ou menos uma hora ele chegará. Dei o endereço daqui para ele, vou esperá-lo na recepção.
Edward assentiu.
- Onde estava, Alice? – perguntei.
Reparei que ela havia trocado de roupa também.
- Por aí. – deu de ombros. - Fui caçar e depois resolver algumas coisas para a nossa volta para casa. Iremos viajar durante a madrugada, o avião sai do aeroporto a meia noite. Reservei as passagens para nós, mas já vou ligar para a companhia aérea e reservar mais uma passagem para Jasper.
- Não vejo a hora de voltar para casa – Edward sorriu.
- Fico feliz que tudo tenha acabado bem. Finalmente vocês estão juntos novamente – disse Alice com um sorriso, olhando para mim e Edward.
- Dessa vez, para sempre – Edward murmurou com um sorriso e deu um beijo no meu ombro.
- A propósito, adorei esse vestido em você Bella. Sabia que tinha escolhido certo e que combinaria com você – ela comentou.
- O vestido é lindo, mas esse sapato esta me matando – olhei para baixo, fitando as pedrarias do salto. Voltei meus olhos para Alice. – Se eu levar um tombo, ou torcer o tornozelo a culpa será sua. Sabe muito bem que não sei andar de salto.
- Não irei deixar você cair, amor. Se você ameaçar a virar o pé, eu te seguro – Edward sussurrou no meu ouvido.
- Ta bom – sussurrei.
- Bem, eu vou pra recepção do Hotel esperar por Jasper – disse Alice indo em direção a porta.
- E nós vamos dar uma volta pelo bosque. Se voltar e nós não estivermos aqui, já sabe – Edward disse á irmã.
- Tudo bem, até mais tarde então – Alice murmurou com um sorriso para nós, um pouco antes de sair porta a fora novamente.
Edward me virou de frente para ele.
- E então... Vamos dar uma volta, senhorita Swan? – propôs com um sorriso, mexendo nos fios do meu cabelo que caia em ondas por meus ombros e minhas costas.
- Vamos – sorri, envolvendo meus braços em volta de seu pescoço.
Ele deu um rápido beijo em meus lábios e pegou minha mão.
Nós voltamos para o quarto e saímos pelas portas de vidro que davam direto para a varanda da cabana – esta fazia fundo com o bosque.

O lugar era lindo. Havia muito verde, parecia mais uma floresta imensa do que um bosque.
As árvores eram extremamente verdes, assim como a grama no chão. O solo estava quase seco, apesar da forte chuva da noite passada. Mas também com a forte onda de calor que pairava no ar, - apesar do sol estar escondido entre as nuvens -, era impossível de a úmida não evaporar.
Nós caminhamos por um bom tempo em silêncio, apreciando a leve brisa, as folhas das árvores voando pelo chão, o cantar dos pássaros e as lindas borboletas voando entre as árvores frutíferas.
Tive alguns problemas com o salto, afinal, andar entre árvores de salto, é a mesma coisa que pedir pra tropeçar, afinal, algumas das raízes ficam por cima do solo. Edward como prometerá me ajudará e não me deixará cair.
Quando eu achava que as árvores não teriam um fim, eu enxerguei logo mais a frente um pequeno relevo, formando-se um morro onde apenas uma árvore solitária de Ipê roxo pairava por lá. Ao sairmos do bosque, Edward e eu seguimos em frente e quando chegamos ao pico ao lado daquela solitária árvore, fiquei sem fala.
Era absolutamente linda a paisagem a minha frente.
Abaixo de nós, do lado direito havia uma plantação enorme de uvas. E do lado esquerdo, um roseiral de rosas vermelhas.
O sol estava escondido entre as nuvens, e a impressão é que ele estava bem pertinho de nós, - pra ser mais exata -, bem atrás da plantação de uvas e do roseiral.
Nunca havia visto cenário tão lindo, a não ser na clareira de Edward.
Edward envolveu seus braços em volta de minha cintura.
- Eu não disse que Verona era um lugar lindo? – sussurrou, no meu ouvido.
- Nossa... Realmente é lindo – murmurei completamente maravilhada.
Já havia ouvido falar diversas vezes daquela cidade, afinal, como uma boa fã do clássico de Shakespeare - Romeu e Julieta - que sou, não haveria como não saber sobre essa cidade.
Ouvir falar sobre as belezas daquele lugar era uma coisa, conhecer era outra.
Isso era porque só estávamos no campo, não estávamos na cidade de Verona em si, onde todas as construções são ornamentadas por pedrarias belíssimas e que parecem cantar, exalando vida.
- Ontem à noite, um pouco antes de nós nos reencontrarmos e conversarmos eu passei por aqui. A noite já era um lugar bonito, mas eu sabia que durante o dia era mais. Por isso eu quis trazê-la aqui, queria que você visse isso.
- Obrigada – murmurei, olhando nos olhos dele.
- Não por isso – ele murmurou de volta, um pouco antes de unir nossos lábios num beijo.
Envolvi meus braços em volta de seu pescoço, aproveitando e desfrutando um pouco mais do sabor de seu beijo.
Tudo estava absolutamente perfeito.
Parecia que tudo no mundo estava no seu lugar certo, onde sempre deveria estar. Finalmente.
Edward e eu estávamos juntos e estávamos felizes.
Éramos diferentes de certa forma, mas iguais de outra. O que nos tornava iguais era que ambos nos amávamos e pertencíamos um ao outro.
Tudo entre nós era recíproco. E de pensar que até um dia atrás eu achava que ele não me amava mais e que o amor que eu sentia por ele não era correspondido...
Todo aquele pesadelo acabou.
Edward suspirou, quando nossos lábios se separaram.
- Eu tive tanto... tanto medo de ter te perdido para sempre. – murmurou de olhos fechados, encostando sua testa na minha. – Eu realmente pensei que você não fosse me perdoar.
- Eu achava que você não me amava mais – disse a ele.
Edward abriu os olhos. Suas íris dourados pareciam derreter como mel.
- Eu sempre te amei. Nunca deixei de te amar e vou te amar para sempre.  – ele olhava intensamente em meus olhos. - Promete uma coisa pra mim?
- O que? – perguntei.
- Se algo um dia acontecer, promete que nunca vai esquecer que eu te amo e te amarei para sempre, que você é e sempre será, tudo para mim? – pediu.
- Nada vai acontecer, você mesmo me disse isso. Nada mais vai nos separar novamente. – disse agoniada com o jeito que ele estava falando, a impressão era que ele estava se despedindo de mim de alguma forma. – Mas sim, eu prometo. Eu prometo que nunca vou esquecer que você me ama e eu também prometo que vou te amar para sempre.
- Para sempre? – ele indagou, arqueando uma das sobrancelhas.
Eu entendi do que ele estava falando.
- Bom, eu não tenho a eternidade. Então que seja eterno em quanto dure – disse a ele.
- Ainda quer fazer parte do meu mundo, Bella? – ele perguntou, olhando seriamente em meus olhos.
Desviei o olhar, olhando para os lados e fitando a bela paisagem.
- Por favor, não vamos falar sobre isso. Eu sei o que você pensa e não quero discutir com você. Se você não quer me transformar, eu não vou mais te pressionar, eu entendo você – murmurei olhando novamente para ele.
Edward ficou em silêncio por alguns minutos, fitando o vazio. Seus pensamentos pareciam distantes.
- Não quero discutir com você Bella. Eu só quero saber se tornar-se imortal e ficar comigo para sempre, é o que você ainda quer – ele disse, voltando a olhar para mim.
- Tudo o que eu quero é ficar com você. Eu te amo – murmurei.
- Sabe que depois que você é transformada, não há mais volta. Tem consciência disso? – ele perguntou.
- Tenho – respondi. – Mas ainda não entendi o porquê você esta falando sobre isso.
- Eu estava sendo egoísta Bella – ele disse de repente, olhando em meus olhos. – Estava levando em consideração o que eu penso e o que eu acredito, não estava levando em consideração o que você pensa, sente e acredita.
- Como assim? – perguntei confusa.
- Você sabe o que eu penso a respeito de você se tornar alguém como eu, não sabe amor?
- Sei – respondi. – Você acha que estará condenando a minha alma.
- Isso, mas eu também sei o porque você quer se tornar imortal e sei no que você acredita. – suspirou. – Eu tive tempo pra pensar e cheguei a conclusão de que eu estava errado.
- No que?
- Em muita coisa, mas não é disso que eu quero falar agora – ele disse, balançando a cabeça pros lados.
- Então, é sobre o que?
- Se você quiser que eu te transforme em Imortal, eu estarei disposto a fazer isso. Bella, você ainda quer se tornar uma vampira?
Estaquei.
A surpresa e choque de ouvi-lo pronunciar aquelas palavras fizeram com que cada músculo do meu corpo se paralisasse.
Abri a boca umas três vezes para pronunciar algo, mas eu não sabia exatamente o que.
No fim, eu consegui me lembrar de como se movimentava as pernas e dei dois passos para trás.
Edward apenas me observava enquanto eu absorvia suas palavras.
- Você... Você está falando sério? – perguntei, voltando a olhar para ele.
- Estou – respondeu convicto. - Basta me dizer que sim.
- Edward você... você sempre foi tão contra eu me transformar em imortal, tão contra em me transformar em vampira, sempre colocou barreiras e limites entre nós por causa do que eu sou e do que você é... O que deu em você? – eu precisava saber.
O Edward que eu conheci a meses atrás, colocou barreiras no nosso contato físico por medo de me machucar e era absolutamente contra eu me transformar em uma vampira assim como ele. Já o Edward que estava na minha frente agora, tinha mandado os riscos ir passear - feito amor comigo e agora estava cedendo ao eu desejo de tornar-me imortal como ele e decidido a me transformar em vampira. Como ele pode mudar tanto nesses meses?
Ele estreitou a distância entre nós e acariciou minhas bochechas.
Aquela mesma corrente elétrica da primeira vez que ele me tocou percorreu o meu corpo naquele momento.
- Eu fiquei tão preocupado em te proteger do que eu sou e do meu mundo, com medo de te machucar... Que acabei machucando-a da pior maneira possível, Bella. Aqui... – Edward pousou uma das mãos em meu peito, onde meu coração pulsava num ritmo descompassado ao seu toque – Eu sei que quebrei o seu coração quando eu te deixei, eu vi a dor estampada nos seus olhos ontem a noite, antes de eu te pedir perdão. Ouvi a dor dos estragos que deixei em você na sua voz quando você disse á Alice que eu não me preocupava com você e quando eu estava te pedindo perdão.
- Edward... – comecei a dizer, mas ele me calou com um toque doce e sutil nos meus lábios. E então ele continuou o que estava dizendo.
- Então eu percebi que depois de todo o estrago que eu deixei na sua vida, eu estava tentando te proteger das coisas erradas. Por isso eu decidi mudar. – ele deu um sorriso. - Eu não sou uma pessoa perfeita, há muitas coisas que eu gostaria de não ter feito, mas eu preciso que você saiba que eu encontrei uma razão para mim, uma razão para mudar quem eu costumava ser. E a razão é você, Bella.
Fiquei simplesmente sem fala diante das palavras dele.
Eu mal percebi que estava chorando quando, Edward levantou a mão e acariciou meu rosto enxugando uma lágrima que escorria por meus olhos.
- Eu nem sei o que te dizer – disse á ele, com a voz meio rouca por causa das lágrimas.
Ele deu um sorriso.
- Não precisa dar uma resposta agora, você tem todo o tempo do mundo para pensar, amor. Se você decidir que quer que eu te transforme, eu vou estar te esperando. É só você me dizer quando quer que eu o faça e eu farei. Não precisa apressar nada, porque eu não vou mudar de idéia – garantiu.
- É claro que eu quero ser como você Edward. – murmurei, enquanto ele envolvia seus braços a minha volta me abraçando. - Eu quero ficar com você para sempre, é só por isso.
Ele deu um sorriso e em seguida me beijou com entusiasmo, me deixando sem fôlego.
Quando ele separou um pouco nossos lábios me dando a chance de respirar, seus olhos brilhavam.
Foi impossível deixar de sorrir.
- Quando? Quando você quer que eu te transforme? – perguntou, olhando em meus olhos.
- Depois da formatura do colegial? – soou mais como uma pergunta do que como uma resposta.
- Quando é a formatura? – quis saber.
- Em poucos meses, acho que um ou dois no máximo. É tempo o suficiente para eu dar uma ‘explicação’ a Charlie, minha mãe Renée, ao seu marido Phill e Jacob, claro – respondi.
- Que seja – ele sorriu – Vem comigo – ele começou a me puxar pela mão para descermos o morro em direção ao roseiral e a plantação de uvas.
Mesmo com a grama, com aquele salto eu iria acabar caindo.
- Não... Não... Eu vou cair... Isso não vai dar certo – disse a ele, tentando me manter no mesmo lugar.
Ele soltou a minha mão e me observou. Ele estava parado com um pé apoiado no pico, onde eu estava e o outro já na descida do morro.
- Eu não vou deixar você cair, Bella. Confie em mim – ele deu uma piscadela. Seus olhos brilhantes eram tão lindos quanto o sorriso estampado em seu rosto naquele momento.
- Edward, olha só essa decida – murmurei.
- Eu te seguro – prometeu, estendendo a mão para mim num convite.
- Ta bom, espera um minuto – pedi, enquanto uma idéia passava pela minha cabeça.
Edward olhou-me de uma maneira como quem pergunta “O que esta fazendo?”.
Arranquei os dois sapatos do meu pé e fiquei descalça, sentindo a grama nos meus pés.
Segurei o par de sapatos entre os meus dedos de uma das mãos e a outra, eu segurei a mão de Edward que estava estendida para mim, entrelaçando nossos dedos um ao outro.
Ele deu uma gargalhada e em vez de segurar minha mão, puxou-me direto para seus braços.
- Ah minha Bella, eu adoro esse seu jeito de menina boa, doce, pura, verdadeira, ingênua... E principalmente, esse seu jeito humilde e espontâneo. Você foi a melhor coisa que me aconteceu na vida – ele sussurrou com um sorriso lindo, um pouco antes de me beijar.
Meus lábios se moldavam aos seus e quando ele quis aprofundar o beijo, eu não neguei. Era maravilhoso sentir seu hálito, o sabor de seus beijos naquela dança exploratória e sedutora, que nossas línguas faziam naquele ato tão apaixonado e simples que era o beijo de dois amantes.
Meu coração batia freneticamente em meu peito, era como se ele cantasse sabendo que seu dono estava por perto.
O vento começou a se tornar mais forte, esvoaçando ainda mais o meu cabelo – que devo acrescentar – a essa altura parecia um ninho de passarinho.
Edward separou um pouco nossos lábios me deixando respirar e ao ver o meu estado deu um sorriso presunçoso. Eu estava quase desfalecendo em seus braços e ele adorava isso. Adorava quando eu me derretia ou quase desmaiava com seus beijos e adorava quando meu coração disparava com seu toque.
- Pare com esse sorriso presunçoso e vamos logo pra sei lá aonde você quer ir – disse descendo o morro sem ele.
- Tem certeza que vai sem mim, senhorita Isabella Marie Swan? – indagou com uma expressão divertida, arqueando as sobrancelhas.
Virei me volta pra ele e fiz sinal com um dos dedos chamando-o de maneira provocativa.
- Estou te esperando, Senhor Edward Anthony Masen Cullen – disse dando risada.
Dei as costas e voltei a descer o morro num ritmo mais rápido, estando ciente de que ele estava atrás de mim, mas um pouco mais distante.
Segurei a bainha do vestido para que ele não esvoaçasse com o vento.
Quando terminei a descida, olhei para trás e ele ainda estava na metade do caminho, descendo lentamente, dando risada e me observando.
- E eu que achava que era lerda pra andar – provoquei, com um sorriso. O som ecoou um pouco mais alto no ar.
- Me deixe chegar ai em baixo e você verá quem é lerdo, senhorita Isabella – ele provocou de volta.
- Então terá de me achar, primeiro – brinquei dando risada e comecei a correr em direção ao roseiral, ainda descalça e com os sapatos nas mãos.
Eu estava ciente de que Edward estava atrás de mim, mas o que importava?
Era tudo uma brincadeira.
Ao entrar entre as longas fileiras de flores, o perfume delas me atingiu.
Todas elas eram rosas vermelhas e já estavam prontas para colher. Tive de tomar um pouco de cuidado ao andar envolta daquele espaço pequeno, afinal, havia espinhos.
Dei a volta em duas fileiras das fileiras do roseiral e foi então que eu ouvi.
- Bella – Edward chamou por mim. Sua voz estava distante.
Ele deveria estar numa das primeiras fileiras da plantação de rosas próximas ao das de uvas - que eram separadas por um espaço um pouco longo -, enquanto eu estava bem no meio.
- Estou aqui... Tente me achar – gritei, dando risada e voltei a andar pelas fileiras longas e altas do roseiral. Era como estar num corredor gigante, com paredes feitas por folhas e rosas.
Dei a volta mais uma vez e entrei numa outra fileira. Edward não chamou mais por mim. Ele deveria estar me procurando ainda.
Com esse pensamento, parei naquela fileira. O roseiral era lindo e demasiado grande, devo admitir.
Era melhor eu parar por ali, vai que eu me perco?
Aproximei-me de uma das rosas e peguei suas pétalas nas mãos, apreciando a fragrância maravilhosa que dela exalava.
De repente, braços fortes envolveram minha cintura, fazendo com que meu coração disparasse pela surpresa.
Edward beijou a minha nuca provocando calafrios no meu corpo.
- Te achei, amor – ele sussurrou no meu ouvido.
- Demorou – brinquei, sorrindo. Não era verdade.
- Só um pouquinho – ele deu risada, uma última vez, antes de tomar-me nos braços num beijo.
Joguei os sapatos que eu segurava no chão e envolvi meus braços em volta de seu pescoço, acariciando os fios macios de seu cabelo na nuca.
Nosso beijo foi se aprofundando a cada vez mais, tornando-se cada vez mais enérgico até que quando nos demos conta, estamos deitados na grama envolta aos roseirais, Edward por cima de mim, suas mãos fortes e másculas prendendo as minhas no chão e minhas pernas presas a sua volta. Meu vestido havia subido um pouco, deixando parte das minhas coxas a mostra.
Aquela posição... Sem comentários.
- É melhor a gente parar por aqui – sussurrei entre seus lábios.
Ele deu risada e pressionou seus lábios mais uma vez nos meus.
- Tem razão, do contrário não respondo por mim. – ele respondeu, sua voz estava meio rouca.
Nós continuamos assim, deitados na grama numa das fileiras do roseiral. Edward acariciava meu rosto e eu seu rosto e cabelo, enquanto nos olhávamos intensamente. Fitando um os olhos do outro.
Não precisávamos dizer nada um ao outro. Nossos olhos quando se encontravam falavam por si só.
- É um pouco irônico, estarmos justo em Verona depois de tudo o que aconteceu, não acha? – ele sussurrou para mim.
- Como assim? – perguntei.
- Lembra do dia em que estávamos assistindo Romeu e Julieta na sua casa? – respondeu com outra pergunta.
- Lembro. Você estava murmurando as falas de Romeu no meu ouvido – sorri com a lembrança.
Lembrava daquele dia por dois fatores não muito agradáveis. Primeiro porque era meu aniversário de dezoito anos e segundo, porque mais tarde na festa dada pelos Cullen, tivemos aquele acidente horrível que acarretou em tanta dor.
A parte boa do dia parecia ter ficado subjugada e esquecida, até Edward lembrar.
- Isso. Agora estamos em Verona, à mesma cidade de Romeu e Julieta. – ele deu um sorriso. - Depois de tudo o que aconteceu, de toda a tempestade que atingiu a nossa vida nos últimos meses, finalmente nós estamos tendo o nosso final feliz. Mas já parou pra pensar que a história de Romeu e Julieta poderia ter se repetido conosco?
- Sim – murmurei compreendendo o que ele dizia. - Se você tivesse morrido, pode ter certeza que eu também não iria viver num mundo onde você não existisse.
Romeu e Julieta.
Essa era a história clássica de dois amantes de levaram seu amor para o túmulo.
Romeu pensará que Julieta havia morrido, quando na verdade ela estava apenas num sono profundo e se matará ao lado da amada. Quando Julieta acordará e virá seu eterno amor, estirado ao seu lado morto e sem vida, pegará uma adaga e enfiara em seu coração, morrendo assim ao lado de seu amado.
Uma tragédia onde os amantes morreram por amar demais um ao outro, assim como eu e Edward.
Se eu não tivesse conseguido chegar a tempo e Edward não tivesse visto que eu estava viva, o mesmo teria acontecido. Ele estaria morto por achar que eu estava morta, assim como Romeu. E eu tampouco viveria sem ele.
A morte que sugou o mel de teu doce hálito, não teve poder algum sobre tua beleza”, Edward sussurrará quando meu encontrou em Volterra. Era a fala de Romeu para Julieta em seu túmulo.
Nossa história era uma versão de Romeu e Julieta com o final feliz, acho que assim pode-se dizer. Um amor proibido que é capaz de superar tudo, até mesmo a morte. Nosso amor é entre almas. É eterno.
- Não a culpo por pensar assim. Mas não consigo imaginar um mundo sem você, Bella – sussurrou, acariciando meus lábios.
- Nenhum de nós vai morrer, teremos um ao outro para sempre. Isso simplifica as coisas, não? – sorri.
- Sim, simplifica – ele sussurrou.
- Posso te fazer uma pergunta?
- Qualquer uma – respondeu.
- O que pensou quando nós nos reencontramos em Volterra? – perguntei. - Primeiro você disse “Paraíso” e depois sussurrou a fala de Romeu para Julieta.
- É hilário... – ele deu um sorriso descrente - Mas naquela hora eu acreditei que tinha uma alma e que eu estava tendo o meu pedacinho de paraíso bem no meio do inferno; Só por poder te ver, te sentir... Só por poder te tocar... E quando eu senti o seu cheiro, o perfume da sua pele e do seu sangue... Aquela fala de Romeu foi à primeira coisa que me veio em mente, minha Julieta...
Edward deu um sorriso lindo, até seus olhos pareciam sorrir.
- Sabia que até eu encontrar você, eu tinha uma queda secreta pelo ator que fazia o Romeu? – dei risada.
- Ah é?  - ele arqueou uma das sobrancelhas dando risada. – E a senhorita só me diz isso agora? Aquilo é concorrência pesada – brincou.
Dei risada me lembrando do meu bobo ciúme da atriz que faz a Julieta. Edward havia dito que tinha inveja dele, mas era por causa do suicídio.
Ugh. Não gostava de pensar nisso.
- Não sei se posso concordar. Já tenho o meu próprio Romeu e não quero mais ninguém além dele – garanti.
- Acho bom, porque o seu Romeu tem um ciúme enorme da Julieta dele – ele deu risada, depositando rápidos beijos em meus lábios.
- Isso é bom, meu Romeu – sorri. – A sua Julieta se sente amada, afinal, quem ama cuida.
- Eu pretendo cuidar da minha Julieta para sempre – murmurou.
- E eu do meu anjo Romeu – murmurei puxando seu rosto para mim, para beijar seus lábios.
Edward sorriu enquanto nos beijávamos. Quando nossos lábios se separaram, ele deu um suspiro e beijou a minha testa.
Ele estendeu a mão pro lado e com uma habilidade e subtilidade incrível, colheu uma rosa vermelha, linda que estava ao nosso lado.
- Para você, senhorita Isabella – deu um sorriso, me oferecendo à rosa.
Senti o perfume dela. Era maravilhoso, eu sempre me lembraria dele. Eu levaria a rosa de volta comigo para casa e depois que a pétala das secassem, as colocaria num livro.
- Obrigada, Senhor Cullen – sorri.
- Sabia que na época em que eu nasci, toda vez que um homem iria cortejar uma mulher, levava consigo um buquê de flores ou rosas vermelhas? – ele disse.
- Já vi isso em filmes.
- Mas como nós não somos um casal muito tradicional, prefiro oferecer-lhe uma rosa e um roseiral inteiro, afinal, eu ainda sou um cavalheiro do século XX – ele deu uma piscadela.
- Você não tem se comportado como um cavalheiro nascido em 1901 – murmurei, dando risada me lembrando da noite passada.
Se Edward e eu tivéssemos nascido na mesma época, e tivéssemos nos envolvido fisicamente como na noite passada em 1918, seria o escândalo do ano.
Era extremamente proibido, o máximo que os noivos conseguiam arrancar de suas noivas – quando essas eram moças de família – era um beijo ou dois, e roubados na maioria das vezes. Qualquer outro tipo de intimidade era depois do casamento.
- Ainda bem que os tempos mudaram e estamos no século XXI – ele deu risada.
- Sim, porque a essa altura Charlie estaria aqui pronto para lhe dar um tiro e matá-lo – murmurei.
- Acho que não será preciso chegar a tanto, eu sou um homem de família e responsável – deu risada. – E afinal, eu sou a prova de balas – ele piscou para mim.
- Convencido – comentei, dando risada.
Ele ficou sério de repente e fitou meus olhos intensamente.
- Eu... Eu queria fazer uma coisa, antes de te transformar – murmurou.
- O que? – perguntei com curiosidade. O que ele poderia querer fazer, antes de me tornar imortal como ele?
Seus olhos dourados arderam, tornaram-se mel puro e derretido. Ele fitava diretamente os meus, como se pudesse enxergar minha alma. Um brilho intenso e lindo tomou conta de suas íris.
- Casa comigo, Bella?
Por essa eu não esperava.
Edward estava pedindo para eu ser esposa dele, era isso mesmo que eu estava ouvindo?
Fiquei mais uma vez simplesmente sem fala.
Quando ele me disse mais cedo que tinha uma surpresa, eu não imaginava que fosse tão grande.
Primeiro, ceder em me transformar em vampira e agora, me pedir em casamento, me pedir para ser sua noiva e futuramente, sua esposa.
De repente todas as coisas que minha mãe me dissera sobre casamento durante toda a minha vida invadiram a minha mente. Coisas essas que não eram nada boas. Para minha mãe, casar-se antes dos trinta, era pior do que cozinhar filhotinhos de cachorro vivos.
Mas... Por que o primeiro casamento dela com meu pai não havia dado certo, o meu também não daria?
Esse fora o destino dela, não o meu. E qual seria a diferença entre o casamento e a eternidade ao lado de uma pessoa?
Eu iria ficar com Edward para sempre e isso já era uma união eterna.
Mandei todas as coisas ruins sobre casamento que minha mãe dissera a mim pro inferno, enquanto uma nova imagem se formava em minha cabeça.
Edward me esperando no altar. Eu vestida de branco – vestida de noiva -, segurando um buquê com várias rosas, meu pai me guiando até o altar. A marcha nupcial tocando... E eu indo em direção ao meu destino, ao meu amor.
Edward.
Parecia que um filme rodava em minha cabeça naquele momento. Mas na verdade eu estava sonhando acordada.
Só acordei dos meus devaneios quando Edward deu um suspiro.
- Olha, eu vou entender se você não aceitar... Se você achar que tudo esta indo rápido demais... Eu...  – ele dizia rapidamente as palavras, tive de me esforças muito pra entender alguma coisa. Ele parecia nervoso, ansioso.
Aquilo era tão humano...
- Sim – disse seriamente, fitando seus olhos.
Edward parou de respirar por um momento. Senti a tensão em seu corpo.
- Por tudo o que é sagrado... Sim você concorda com o que eu disse ou sim você... – ele parecia tão nervoso.
Não pude deixar de sorrir.
Envolvi meus braços em volta de seu pescoço, segurando a rosa que ele me dera nas mãos.
- Sim – murmurei novamente. – Sim, eu aceito casar com você – sorri.
Ele voltou a respirar – de uma maneira aliviada, devo dizer -, e deu o sorriso mais lindo que eu já vira em minha vida. Até seus olhos pareciam sorrir.
- Diz pra mim que eu não estou sonhando ou delirando? – pediu.
Dei risada.
- Não esta sonhando nem delirando – disse.
- Não brinca com isso Bella, eu posso acabar tendo um ataque do coração e isso não é fácil no meu caso. Eu acabei de te pedir em casamento. Você esta mesmo aceitando? – ele perguntou com uma expressão ao mesmo tempo maravilhada e extremamente feliz.
- Sim, eu estou aceitando me casar com você – disse dando risada. – O que você pensou que eu fosse fazer?
- Que fosse dizer não – respondeu. – Você paralisou quando eu te fiz a pergunta.
- Eu fiquei surpresa, não esperava por isso... Que outra reação você queria que eu tivesse?
- Não sei.
- Como eu poderia recusar me casar com você, sendo que eu te amo e pretendo viver para sempre ao seu lado? Casamento e eternidade é a mesma coisa no nosso caso – murmurei olhando intensamente em seus olhos.
- Eu sei, mas eu... Eu sou o homem mais feliz do mundo por ter você como noiva – ele deu um sorriso e levantou, me puxando junto com ele do chão, dobrando meus joelhos e me pegando no colo no mesmo instante.
Ele começou a nos girar no ar.
Ambos sorriamos um para o outro.
Felicidade. Tudo estava extremamente perfeito. Parecia que até as flores exalavam felicidade.
Quando ele me colocou no chão novamente, me fitou intensamente nos olhos, com um sorriso.
Edward acariciava lentamente as minhas bochechas e a minha face. Não pude deixar de inclinar o rosto em suas mãos sentindo seu carinho e seu amor.
- Eu te amo – ele sussurrou antes de me beijar.
Parecia que aquele beijo tinha um toque diferente dos outros.
Enquanto nossos lábios se tocavam - naquele ato tão comum para os amantes apaixonados -, tive a sensação de que naquele momento, Edward teve a certeza de que eu realmente o amava.
Talvez fosse imaginação minha, mas houve algo a mais naquele beijo. Mais amor.
Edward sorriu, quando percebeu que estava me deixando sem ar. Acho que nunca o tinha visto sorrir tanto num dia como hoje e acredito que nem mesma eu tenha sorrido tanto na minha vida como hoje, assim como eu nunca havia sido tão feliz na vida como agora.
- Bom, como eu não tive tempo de arrumar uma aliança, vou ter de improvisar – disse com um sorriso, acariciando meu rosto.
- Eu não preciso de um anel pra dizer que sou sua, pra dizer que sou sua noiva.
- Eu sei, conheço a sua aversão a jóias, mas será que você poderia ceder só desta vez? – perguntou com um sorriso lindo nos lábios arqueando as sobrancelhas.
Não iria negar um pedido daqueles.
- Tudo bem – cedi, dando risada.
Edward colocou uma mão no bolso da calça e tirou uma corrente fininha e dourada de lá de dentro, ao qual pendia um pingente de safira azul em forma de um coração. Esta tinha um desenho em forma de uma flor, feita de diamantes, o cabinho e as folhas estavam incrustados a ouro na pedra azul, como se fizesse parte dela, fundindo-se um ao outro.
Os pequenos brilhantes da flor formavam pequenas facetas em forma de arco íris no ar, a luz do dia.
- Há muito tempo isso está guardado comigo – ele murmurou indo para trás de mim, e afastando meu cabelo para o lado esquerdo do meu ombro. – Era de minha mãe, Elizabeth. Eu estava disposto a convencer você aceitar esse colar como presente de aniversário de dezoito anos, mas então tudo aquilo aconteceu e eu acabei esquecendo por completo.
Edward colocou o colar no meu pescoço, prendendo o pequeno fecho em seguida. Ele deu um beijo na minha nuca, provocando-me arrepios.
Toquei o pingente no meu pescoço e abaixei o olhar, observando-o. O colar tinha o toque clássico e sutil do século XX, era uma verdadeira antiguidade, daquelas que realmente se herdam de geração em geração, na família.
Era lindo.
- É muito lindo – disse me virando de frente para ele e fitando diretamente seus olhos.
- Melhor do que ter uma aliança na sua mão é ter o meu coração perto do seu. – sorriu. – Meu coração é como uma pedra, mas ele é seu. Toda vez que olhar para esse colar no seu peito, pense em mim.
- Sempre – prometi. – Obrigada por me dar seu coração.
- Eu é que tenho que agradecer por você existir, meu amor. Você deu razão a minha existência – murmurou, dando um beijo em minha testa, e passando os braços em volta da minha cintura. – Meu coração sempre foi e sempre será seu.
- Assim como o meu – encostei a cabeça em seu peito, enquanto ele estreitava mais os braços a minha volta, abraçando-me.

Edward e eu voltamos para o pico do morro, decidimos ficar no campo e ver o por do sol. Sentamos embaixo daquela árvore solitária de Ipê roxo e ficamos ali. Conversando, nos abraçando, nos beijando, nos amando.
- Tem algo que eu não entendo – disse a ele, de repente enquanto algo me vinha à cabeça.
O sol estava se pondo através dos morros da fazenda. O céu naquele momento era uma mistura de tons de azul, preto e tons variados de laranja, amarelo e até mesmo vermelho.
Algumas estrelas já começavam a querer aparecer no céu, assim como uma linda e iluminada lua. As nuvens de mais cedo haviam sumido ainda a pouco e o céu estava absolutamente limpo.
Era o crepúsculo.
O fim do dia, o começo da noite.
- O que você não entende? – perguntou, acariciando minhas mãos pousadas em cima de me ventre.
Edward sentado, encostado no tronco da árvore, e eu em seus braços.
Virei o rosto para o lado, observando ele de soslaio.
- Porque esse fascínio pela cor azul? – perguntei.
Ele deu risada.
- Não sei. Eu realmente gosto dessa cor em você, somente você... Você fica ainda mais linda vestida de azul, contrata com o tom de sua pele, mas talvez... – ele parou de responder. Seu silêncio significava uma coisa: ele estava imerso em seus pensamentos.
Ajeitei-me nos braços dele, de modo que pudesse fitar seu rosto. Ele estava realmente estava com uma expressão pensativa, fitando o vazio.
- Talvez... – estimulei.
Edward voltou a olhar para mim e sorriu.
- Talvez seja pelas dimensões naturais ao qual o azul encobre. O céu, - ele olhou para cima, para o céu límpido e azul escuro, onde as estrelas brilhavam - o mar, algumas flores, pedras, borboletas... Tudo belo e encoberto por variados tons de azul. Desde o tom mais claro ao mais escuro. Meu amor por você pode ser comparado ao tamanho infinito do céu, as ondas ora calmas, ora rebeldes e tempestuosas do mar. Quando eu te vejo, meu coração brilha como as estrelas; Quando eu te vi pela primeira vez, toda a minha essência se transformou como uma pedra a ser esculpida... Quando eu te toco, é como se meu amor pudesse voar até você com o mais sutil bater de asas de uma borboleta... São coisas diferentes, mas ambas conectadas pelos tons mais belos e variados de azul... Meu amor por você é assim, nós somos assim. Diferente de várias maneiras, mas igual de certa forma. Nosso amor é o que nos une, ele é eterno.
- Sim, é eterno – concordei, sentindo uma lágrima escorrer por meus olhos.
Edward me abraçou.
Nós ficamos mais alguns minutos, observando o findar do dia. Quando a noite enfim tomou o céu por completo, Edward decidiu que era à hora de voltarmos pra cabana.
Coloquei os sapatos novamente, segurei a rosa que ele me dera nas mãos e então voltamos pelo bosque. Se Edward não enxergasse bem no escuro e eu não tivesse segurando sua mão, concerteza teria me perdido.
Quando passamos pela soleira da porta, meu corpo inteiro se enrijeceu, não por que eu quisesse, foi uma reação voluntária. Espontânea.
Jasper estava sentado no sofá da sala ao lado de Alice.
- Edward, Bella – disse ele com um sorriso quando nos viu de mãos dadas entrando na cabana. – Enfim, chegaram... Pensei que não fossem mais aparecer.
- Estávamos no bosque, Jasper – Edward disse, fazendo pequenos círculos com o dedo polegar na minha mão, numa tentativa de me acalmar. Ele havia sentindo minha tensão.
- Oi Bella, quanto tempo – Jasper me cumprimentou, timidamente.
- Oi Jasper – respondi, educadamente.
- Ei, que tensão é essa aqui no ar? Passado é passado gente; o que passou, passou. O importante é que tudo esta bem agora – murmurou Alice levantando do sofá animadamente, com um sorriso de fada.
- Bella, eu lhe devo desculpas... Desculpa por ter perdido o controle e tentado de atacar no seu aniversário em setembro passado – Jasper disse, ficando de pé ao lado de Alice.
- Não precisa se desculpar Jasper. – murmurei. – O que passou, passou.
Edward olhou para mim e sorriu de lado.
- E então, alguém aqui tem novidades? – disse Alice, revirando os olhos com um sorriso de menina arteira.
Edward deu risada.
- Como se você já não tivesse visto, Alice – Edward murmurou a irmã.
- Do que ela esta falando? – perguntei.
- Do nosso casamento e de eu ter decidido te transformar – Edward respondeu, olhando para mim.
- Vão se casar? – Jasper, indagou com um sorriso imenso.
- Sim, eu fiz o pedido a Bella e ela aceitou – Edward respondeu ao irmão sorrindo e depois olhou para mim novamente. – Já perdemos tempo demais.
- Estou completamente decepcionada Edward. Como um cavaleiro do século XX, eu realmente achei que você fosse fazer conforme manda a tradição e pedi-la em casamento com uma aliança – disse Alice.
- Alice! – exclamei. – Não preciso de uma aliança para dizer que pertenço a ele.
- De qualquer forma, vou resolver isso assim que chegarmos em casa – Edward disse.
- O que? – perguntei surpresa.
- O que Charlie vai pensar quando contarmos a ele sobre nosso casamento? Uma aliança é indispensável – Edward murmurou a mim.
- Charlie vai pensar que irá querer me matar e matar a você. Eu simplesmente desapareci, a agora vou voltar com você e noiva.
- Desse jeito vocês vão matá-lo. O pai da Bella vai ter um ataque cardíaco - Jasper comentou, brincando.
- É muito para meu pai absorver, precisamos ir com calma – disse a Edward.
- Como você quiser, amor – Edward murmurou. – Mas de qualquer forma, sua aliança já esta te esperando.
- Porque me deu esse colar então? – toquei o pingente no meu pescoço.
- Era pra ser seu presente de aniversário, lembra? – arqueou as sobrancelhas. – Pense nisso como uma representação – sorriu.
- Ei, eu ainda não disse o que eu queria dizer – disse Alice estalando os dedos, chamando a atenção de nós.
Edward revirou os olhos.
- Diga Alice – murmurou.
- Vão me deixar ser a madrinha de casamento de vocês? – perguntou minha futura cunhada na cara dura.
Como se eu fosse escolher outra pessoa para ser a madrinha de meu casamento.
Edward deu risada.
- Como você é modesta Alice... Está se convidando pra ser a madrinha de nosso casamento? – gargalhou. – Muito cara de pau.
- Diga se tem alguém melhor do que eu pra ser a madrinha de casamento de vocês? – disse Alice dando um beijo em cada um de seus ombros, com um sorriso divertido.
Sorri.
- Se Edward concordar, não há pessoa melhor para ser a nossa madrinha de casamento – disse a Alice.
- Sério? – ela bateu palmas, com um sorriso enorme quase não contendo o entusiasmo.
- Sim, estou falando sério.
- Se a noiva esta dizendo, eu aprovo. – murmurou Edward sorrindo. - Jasper e Alice, por favor, sejam nossos padrinhos de casamento?
- Com o maior prazer e honra. – Jasper respondeu, envolvendo os braços na cintura de sua esposa.
- Yeah! – Alice cantarolou completamente feliz, fazendo com que todos nós déssemos risada.
Edward e eu conversamos e concluímos que chamaríamos Rosalie e Emmett para nossos padrinhos de casamento também. Edward adorava Emmett, era seu irmão favorito. E apesar de suas intrigas com Rosalie, ele também gostava da irmã.
Alice e Jasper foram para a recepção do hotel fazenda, fechar a conta. Eu fui para o quarto, pegar o sobretudo preto que Alice havia deixado para mim em cima da cama e minha bolsa.
Aproveitei para dar uma rápida ligada no celular, que havia virado a noite guardado.
Suspirei.
Havia mais de dez ligações de meu pai.
Charlie devia estar muito preocupado comigo, teria uma longa e complicada conversa com ele quando voltássemos a Forks. Tenho para mim que ele não aceitaria com muita facilidade Edward em minha vida, mas nada em relação a isso ele poderia fazer.
Edward era tudo para mim.
Coloquei o celular de volta dentro da bolsa e a rosa vermelha que Edward me dera também. Ela ficaria um pouco murcha, mas depois eu a colocaria na água e a faria reviver.
Edward veio por trás e abraçou-me pela cintura.
- Esta tensa. Preocupada com a volta para casa amor? – sussurrou, no meu ouvido depositando um beijo em meu ombro.
- Um pouco. Charlie poderá nos criar problemas e Jacob também – murmurei com um suspiro.
- Não se preocupe, pois iremos resolver isso. Tudo ficara bem. Eu prometo meu anjo – ele virou-me de frente para ele e beijou meus lábios carinhosamente.
Edward simplesmente congelou. Ficou tenso de repente.
Seus olhos se arregalaram, suas mãos na minha cintura se tornaram mármore.
Frias e rígidas como uma pedra.
De repente, ele me girou para trás dele, como se quisesse me proteger de algo que eu não via, um perigo invisível.
- O que foi? – perguntei desesperada com a reação dele.
- Eles estão aqui – respondeu.
Não foi preciso dizer nada mais do que isso.
Inconscientemente, eu já esperava por isso. O medo e o pânico tomaram conta de mim naquele momento.
Edward não disse quem eram eles, mas eu já sabia.
Os Volturi.
A porta do quarto foi arrebentada, caindo com um estrondo enorme no chão, fazendo-me estremecer.
Edward se botou protetoramente a minha frente.
Mantos negros rastejando ao chão foram à primeira coisa que eu vi.
- Ora, ora, ora... Veja só o que temos aqui – sussurrou um dos vampiros, quando subi meus olhos e encarei seu rosto, o reconheci das pinturas da casa dos Cullen.
Aro.

Meu coração começou a palpitar e eu senti naquele momento que o fim estava mais próximo do que eu imaginava.A curiosidade estava me corroendo.
- Então é isso, você não vai me dizer o que é? – perguntei mais uma vez enquanto terminava de beber meu suco.
- Não, você é muito curiosa – ele deu risada brincando com um das mexas rebeldes de me cabelo que não queriam ficar no lugar.
- Tudo bem, então vamos logo dar uma volta – disse, colocando-me de pé.
Edward me puxou naquele exato momento para seus braços fazendo com que eu caísse em seu colo.
- Hey! – resmunguei meio sem fôlego com a proximidade de nosso rosto.
Seus olhos subiram da minha boca para os meus olhos, apenas um pouco antes dele unir nossos lábios num beijo lascivo.
- Porque a pressa? – sussurrou olhando intensamente em meus olhos. – Temos tempo.
Gostei da idéia de tempo.
A porta se abriu e Alice apareceu discutindo no telefone.
- Isso mesmo... Te espero na recepção – ouvi ela murmurar, um pouco antes de desligar o celular.
Fiquei de pé novamente. 
Edward segurou minha mão, mantendo-me ao seu lado.
- O que foi? – Edward perguntou a irmã.
- Acho que temos um problema. Jasper mentiu para mim – ela disse.
- Como assim? – perguntei.
- Ele esta aqui na Itália. Desembarcou no aeroporto há uma hora, está a caminho daqui – murmurou com um suspiro.
Edward levantou e envolveu seus braços na minha cintura.
- Isso não é nada bom – Edward murmurou. Seus braços se estreitaram a minha volta e eu o conhecia bem o suficiente para saber que ele estava tenso.
- Acho que não há perigo, não o vejo decidindo nada que possa nos colocar em risco. Mas sabe como Jasper é, muda de idéia a cada dez segundos, é impulsivo – disse Alice com um careta, apoiada na bancada.
- Ele não deveria ter vindo para cá, ele pode agir por impulso e decidir ir atrás dos Volturi. Estamos correndo risco aqui, apesar de para todos os efeitos já estarmos bem longe da Itália, não é seguro. – disse Edward.
- Daqui mais ou menos uma hora ele chegará. Dei o endereço daqui para ele, vou esperá-lo na recepção.
Edward assentiu.
- Onde estava, Alice? – perguntei.
Reparei que ela havia trocado de roupa também.
- Por aí. – deu de ombros. - Fui caçar e depois resolver algumas coisas para a nossa volta para casa. Iremos viajar durante a madrugada, o avião sai do aeroporto a meia noite. Reservei as passagens para nós, mas já vou ligar para a companhia aérea e reservar mais uma passagem para Jasper.
- Não vejo a hora de voltar para casa – Edward sorriu.
- Fico feliz que tudo tenha acabado bem. Finalmente vocês estão juntos novamente – disse Alice com um sorriso, olhando para mim e Edward.
- Dessa vez, para sempre – Edward murmurou com um sorriso e deu um beijo no meu ombro.
- A propósito, adorei esse vestido em você Bella. Sabia que tinha escolhido certo e que combinaria com você – ela comentou.
- O vestido é lindo, mas esse sapato esta me matando – olhei para baixo, fitando as pedrarias do salto. Voltei meus olhos para Alice. – Se eu levar um tombo, ou torcer o tornozelo a culpa será sua. Sabe muito bem que não sei andar de salto.
- Não irei deixar você cair, amor. Se você ameaçar a virar o pé, eu te seguro – Edward sussurrou no meu ouvido.
- Ta bom – sussurrei.
- Bem, eu vou pra recepção do Hotel esperar por Jasper – disse Alice indo em direção a porta.
- E nós vamos dar uma volta pelo bosque. Se voltar e nós não estivermos aqui, já sabe – Edward disse á irmã.
- Tudo bem, até mais tarde então – Alice murmurou com um sorriso para nós, um pouco antes de sair porta a fora novamente.
Edward me virou de frente para ele.
- E então... Vamos dar uma volta, senhorita Swan? – propôs com um sorriso, mexendo nos fios do meu cabelo que caia em ondas por meus ombros e minhas costas.
- Vamos – sorri, envolvendo meus braços em volta de seu pescoço.
Ele deu um rápido beijo em meus lábios e pegou minha mão.
Nós voltamos para o quarto e saímos pelas portas de vidro que davam direto para a varanda da cabana – esta fazia fundo com o bosque.

O lugar era lindo. Havia muito verde, parecia mais uma floresta imensa do que um bosque.
As árvores eram extremamente verdes, assim como a grama no chão. O solo estava quase seco, apesar da forte chuva da noite passada. Mas também com a forte onda de calor que pairava no ar, - apesar do sol estar escondido entre as nuvens -, era impossível de a úmida não evaporar.
Nós caminhamos por um bom tempo em silêncio, apreciando a leve brisa, as folhas das árvores voando pelo chão, o cantar dos pássaros e as lindas borboletas voando entre as árvores frutíferas.
Tive alguns problemas com o salto, afinal, andar entre árvores de salto, é a mesma coisa que pedir pra tropeçar, afinal, algumas das raízes ficam por cima do solo. Edward como prometerá me ajudará e não me deixará cair.
Quando eu achava que as árvores não teriam um fim, eu enxerguei logo mais a frente um pequeno relevo, formando-se um morro onde apenas uma árvore solitária de Ipê roxo pairava por lá. Ao sairmos do bosque, Edward e eu seguimos em frente e quando chegamos ao pico ao lado daquela solitária árvore, fiquei sem fala.
Era absolutamente linda a paisagem a minha frente.
Abaixo de nós, do lado direito havia uma plantação enorme de uvas. E do lado esquerdo, um roseiral de rosas vermelhas.
O sol estava escondido entre as nuvens, e a impressão é que ele estava bem pertinho de nós, - pra ser mais exata -, bem atrás da plantação de uvas e do roseiral.
Nunca havia visto cenário tão lindo, a não ser na clareira de Edward.
Edward envolveu seus braços em volta de minha cintura.
- Eu não disse que Verona era um lugar lindo? – sussurrou, no meu ouvido.
- Nossa... Realmente é lindo – murmurei completamente maravilhada.
Já havia ouvido falar diversas vezes daquela cidade, afinal, como uma boa fã do clássico de Shakespeare - Romeu e Julieta - que sou, não haveria como não saber sobre essa cidade.
Ouvir falar sobre as belezas daquele lugar era uma coisa, conhecer era outra.
Isso era porque só estávamos no campo, não estávamos na cidade de Verona em si, onde todas as construções são ornamentadas por pedrarias belíssimas e que parecem cantar, exalando vida.
- Ontem à noite, um pouco antes de nós nos reencontrarmos e conversarmos eu passei por aqui. A noite já era um lugar bonito, mas eu sabia que durante o dia era mais. Por isso eu quis trazê-la aqui, queria que você visse isso.
- Obrigada – murmurei, olhando nos olhos dele.
- Não por isso – ele murmurou de volta, um pouco antes de unir nossos lábios num beijo.
Envolvi meus braços em volta de seu pescoço, aproveitando e desfrutando um pouco mais do sabor de seu beijo.
Tudo estava absolutamente perfeito.
Parecia que tudo no mundo estava no seu lugar certo, onde sempre deveria estar. Finalmente.
Edward e eu estávamos juntos e estávamos felizes.
Éramos diferentes de certa forma, mas iguais de outra. O que nos tornava iguais era que ambos nos amávamos e pertencíamos um ao outro.
Tudo entre nós era recíproco. E de pensar que até um dia atrás eu achava que ele não me amava mais e que o amor que eu sentia por ele não era correspondido...
Todo aquele pesadelo acabou.
Edward suspirou, quando nossos lábios se separaram.
- Eu tive tanto... tanto medo de ter te perdido para sempre. – murmurou de olhos fechados, encostando sua testa na minha. – Eu realmente pensei que você não fosse me perdoar.
- Eu achava que você não me amava mais – disse a ele.
Edward abriu os olhos. Suas íris dourados pareciam derreter como mel.
- Eu sempre te amei. Nunca deixei de te amar e vou te amar para sempre.  – ele olhava intensamente em meus olhos. - Promete uma coisa pra mim?
- O que? – perguntei.
- Se algo um dia acontecer, promete que nunca vai esquecer que eu te amo e te amarei para sempre, que você é e sempre será, tudo para mim? – pediu.
- Nada vai acontecer, você mesmo me disse isso. Nada mais vai nos separar novamente. – disse agoniada com o jeito que ele estava falando, a impressão era que ele estava se despedindo de mim de alguma forma. – Mas sim, eu prometo. Eu prometo que nunca vou esquecer que você me ama e eu também prometo que vou te amar para sempre.
- Para sempre? – ele indagou, arqueando uma das sobrancelhas.
Eu entendi do que ele estava falando.
- Bom, eu não tenho a eternidade. Então que seja eterno em quanto dure – disse a ele.
- Ainda quer fazer parte do meu mundo, Bella? – ele perguntou, olhando seriamente em meus olhos.
Desviei o olhar, olhando para os lados e fitando a bela paisagem.
- Por favor, não vamos falar sobre isso. Eu sei o que você pensa e não quero discutir com você. Se você não quer me transformar, eu não vou mais te pressionar, eu entendo você – murmurei olhando novamente para ele.
Edward ficou em silêncio por alguns minutos, fitando o vazio. Seus pensamentos pareciam distantes.
- Não quero discutir com você Bella. Eu só quero saber se tornar-se imortal e ficar comigo para sempre, é o que você ainda quer – ele disse, voltando a olhar para mim.
- Tudo o que eu quero é ficar com você. Eu te amo – murmurei.
- Sabe que depois que você é transformada, não há mais volta. Tem consciência disso? – ele perguntou.
- Tenho – respondi. – Mas ainda não entendi o porquê você esta falando sobre isso.
- Eu estava sendo egoísta Bella – ele disse de repente, olhando em meus olhos. – Estava levando em consideração o que eu penso e o que eu acredito, não estava levando em consideração o que você pensa, sente e acredita.
- Como assim? – perguntei confusa.
- Você sabe o que eu penso a respeito de você se tornar alguém como eu, não sabe amor?
- Sei – respondi. – Você acha que estará condenando a minha alma.
- Isso, mas eu também sei o porque você quer se tornar imortal e sei no que você acredita. – suspirou. – Eu tive tempo pra pensar e cheguei a conclusão de que eu estava errado.
- No que?
- Em muita coisa, mas não é disso que eu quero falar agora – ele disse, balançando a cabeça pros lados.
- Então, é sobre o que?
- Se você quiser que eu te transforme em Imortal, eu estarei disposto a fazer isso. Bella, você ainda quer se tornar uma vampira?
Estaquei.
A surpresa e choque de ouvi-lo pronunciar aquelas palavras fizeram com que cada músculo do meu corpo se paralisasse.
Abri a boca umas três vezes para pronunciar algo, mas eu não sabia exatamente o que.
No fim, eu consegui me lembrar de como se movimentava as pernas e dei dois passos para trás.
Edward apenas me observava enquanto eu absorvia suas palavras.
- Você... Você está falando sério? – perguntei, voltando a olhar para ele.
- Estou – respondeu convicto. - Basta me dizer que sim.
- Edward você... você sempre foi tão contra eu me transformar em imortal, tão contra em me transformar em vampira, sempre colocou barreiras e limites entre nós por causa do que eu sou e do que você é... O que deu em você? – eu precisava saber.
O Edward que eu conheci a meses atrás, colocou barreiras no nosso contato físico por medo de me machucar e era absolutamente contra eu me transformar em uma vampira assim como ele. Já o Edward que estava na minha frente agora, tinha mandado os riscos ir passear - feito amor comigo e agora estava cedendo ao eu desejo de tornar-me imortal como ele e decidido a me transformar em vampira. Como ele pode mudar tanto nesses meses?
Ele estreitou a distância entre nós e acariciou minhas bochechas.
Aquela mesma corrente elétrica da primeira vez que ele me tocou percorreu o meu corpo naquele momento.
- Eu fiquei tão preocupado em te proteger do que eu sou e do meu mundo, com medo de te machucar... Que acabei machucando-a da pior maneira possível, Bella. Aqui... – Edward pousou uma das mãos em meu peito, onde meu coração pulsava num ritmo descompassado ao seu toque – Eu sei que quebrei o seu coração quando eu te deixei, eu vi a dor estampada nos seus olhos ontem a noite, antes de eu te pedir perdão. Ouvi a dor dos estragos que deixei em você na sua voz quando você disse á Alice que eu não me preocupava com você e quando eu estava te pedindo perdão.
- Edward... – comecei a dizer, mas ele me calou com um toque doce e sutil nos meus lábios. E então ele continuou o que estava dizendo.
- Então eu percebi que depois de todo o estrago que eu deixei na sua vida, eu estava tentando te proteger das coisas erradas. Por isso eu decidi mudar. – ele deu um sorriso. - Eu não sou uma pessoa perfeita, há muitas coisas que eu gostaria de não ter feito, mas eu preciso que você saiba que eu encontrei uma razão para mim, uma razão para mudar quem eu costumava ser. E a razão é você, Bella.
Fiquei simplesmente sem fala diante das palavras dele.
Eu mal percebi que estava chorando quando, Edward levantou a mão e acariciou meu rosto enxugando uma lágrima que escorria por meus olhos.
- Eu nem sei o que te dizer – disse á ele, com a voz meio rouca por causa das lágrimas.
Ele deu um sorriso.
- Não precisa dar uma resposta agora, você tem todo o tempo do mundo para pensar, amor. Se você decidir que quer que eu te transforme, eu vou estar te esperando. É só você me dizer quando quer que eu o faça e eu farei. Não precisa apressar nada, porque eu não vou mudar de idéia – garantiu.
- É claro que eu quero ser como você Edward. – murmurei, enquanto ele envolvia seus braços a minha volta me abraçando. - Eu quero ficar com você para sempre, é só por isso.
Ele deu um sorriso e em seguida me beijou com entusiasmo, me deixando sem fôlego.
Quando ele separou um pouco nossos lábios me dando a chance de respirar, seus olhos brilhavam.
Foi impossível deixar de sorrir.
- Quando? Quando você quer que eu te transforme? – perguntou, olhando em meus olhos.
- Depois da formatura do colegial? – soou mais como uma pergunta do que como uma resposta.
- Quando é a formatura? – quis saber.
- Em poucos meses, acho que um ou dois no máximo. É tempo o suficiente para eu dar uma ‘explicação’ a Charlie, minha mãe Renée, ao seu marido Phill e Jacob, claro – respondi.
- Que seja – ele sorriu – Vem comigo – ele começou a me puxar pela mão para descermos o morro em direção ao roseiral e a plantação de uvas.
Mesmo com a grama, com aquele salto eu iria acabar caindo.
- Não... Não... Eu vou cair... Isso não vai dar certo – disse a ele, tentando me manter no mesmo lugar.
Ele soltou a minha mão e me observou. Ele estava parado com um pé apoiado no pico, onde eu estava e o outro já na descida do morro.
- Eu não vou deixar você cair, Bella. Confie em mim – ele deu uma piscadela. Seus olhos brilhantes eram tão lindos quanto o sorriso estampado em seu rosto naquele momento.
- Edward, olha só essa decida – murmurei.
- Eu te seguro – prometeu, estendendo a mão para mim num convite.
- Ta bom, espera um minuto – pedi, enquanto uma idéia passava pela minha cabeça.
Edward olhou-me de uma maneira como quem pergunta “O que esta fazendo?”.
Arranquei os dois sapatos do meu pé e fiquei descalça, sentindo a grama nos meus pés.
Segurei o par de sapatos entre os meus dedos de uma das mãos e a outra, eu segurei a mão de Edward que estava estendida para mim, entrelaçando nossos dedos um ao outro.
Ele deu uma gargalhada e em vez de segurar minha mão, puxou-me direto para seus braços.
- Ah minha Bella, eu adoro esse seu jeito de menina boa, doce, pura, verdadeira, ingênua... E principalmente, esse seu jeito humilde e espontâneo. Você foi a melhor coisa que me aconteceu na vida – ele sussurrou com um sorriso lindo, um pouco antes de me beijar.
Meus lábios se moldavam aos seus e quando ele quis aprofundar o beijo, eu não neguei. Era maravilhoso sentir seu hálito, o sabor de seus beijos naquela dança exploratória e sedutora, que nossas línguas faziam naquele ato tão apaixonado e simples que era o beijo de dois amantes.
Meu coração batia freneticamente em meu peito, era como se ele cantasse sabendo que seu dono estava por perto.
O vento começou a se tornar mais forte, esvoaçando ainda mais o meu cabelo – que devo acrescentar – a essa altura parecia um ninho de passarinho.
Edward separou um pouco nossos lábios me deixando respirar e ao ver o meu estado deu um sorriso presunçoso. Eu estava quase desfalecendo em seus braços e ele adorava isso. Adorava quando eu me derretia ou quase desmaiava com seus beijos e adorava quando meu coração disparava com seu toque.
- Pare com esse sorriso presunçoso e vamos logo pra sei lá aonde você quer ir – disse descendo o morro sem ele.
- Tem certeza que vai sem mim, senhorita Isabella Marie Swan? – indagou com uma expressão divertida, arqueando as sobrancelhas.
Virei me volta pra ele e fiz sinal com um dos dedos chamando-o de maneira provocativa.
- Estou te esperando, Senhor Edward Anthony Masen Cullen – disse dando risada.
Dei as costas e voltei a descer o morro num ritmo mais rápido, estando ciente de que ele estava atrás de mim, mas um pouco mais distante.
Segurei a bainha do vestido para que ele não esvoaçasse com o vento.
Quando terminei a descida, olhei para trás e ele ainda estava na metade do caminho, descendo lentamente, dando risada e me observando.
- E eu que achava que era lerda pra andar – provoquei, com um sorriso. O som ecoou um pouco mais alto no ar.
- Me deixe chegar ai em baixo e você verá quem é lerdo, senhorita Isabella – ele provocou de volta.
- Então terá de me achar, primeiro – brinquei dando risada e comecei a correr em direção ao roseiral, ainda descalça e com os sapatos nas mãos.
Eu estava ciente de que Edward estava atrás de mim, mas o que importava?
Era tudo uma brincadeira.
Ao entrar entre as longas fileiras de flores, o perfume delas me atingiu.
Todas elas eram rosas vermelhas e já estavam prontas para colher. Tive de tomar um pouco de cuidado ao andar envolta daquele espaço pequeno, afinal, havia espinhos.
Dei a volta em duas fileiras das fileiras do roseiral e foi então que eu ouvi.
- Bella – Edward chamou por mim. Sua voz estava distante.
Ele deveria estar numa das primeiras fileiras da plantação de rosas próximas ao das de uvas - que eram separadas por um espaço um pouco longo -, enquanto eu estava bem no meio.
- Estou aqui... Tente me achar – gritei, dando risada e voltei a andar pelas fileiras longas e altas do roseiral. Era como estar num corredor gigante, com paredes feitas por folhas e rosas.
Dei a volta mais uma vez e entrei numa outra fileira. Edward não chamou mais por mim. Ele deveria estar me procurando ainda.
Com esse pensamento, parei naquela fileira. O roseiral era lindo e demasiado grande, devo admitir.
Era melhor eu parar por ali, vai que eu me perco?
Aproximei-me de uma das rosas e peguei suas pétalas nas mãos, apreciando a fragrância maravilhosa que dela exalava.
De repente, braços fortes envolveram minha cintura, fazendo com que meu coração disparasse pela surpresa.
Edward beijou a minha nuca provocando calafrios no meu corpo.
- Te achei, amor – ele sussurrou no meu ouvido.
- Demorou – brinquei, sorrindo. Não era verdade.
- Só um pouquinho – ele deu risada, uma última vez, antes de tomar-me nos braços num beijo.
Joguei os sapatos que eu segurava no chão e envolvi meus braços em volta de seu pescoço, acariciando os fios macios de seu cabelo na nuca.
Nosso beijo foi se aprofundando a cada vez mais, tornando-se cada vez mais enérgico até que quando nos demos conta, estamos deitados na grama envolta aos roseirais, Edward por cima de mim, suas mãos fortes e másculas prendendo as minhas no chão e minhas pernas presas a sua volta. Meu vestido havia subido um pouco, deixando parte das minhas coxas a mostra.
Aquela posição... Sem comentários.
- É melhor a gente parar por aqui – sussurrei entre seus lábios.
Ele deu risada e pressionou seus lábios mais uma vez nos meus.
- Tem razão, do contrário não respondo por mim. – ele respondeu, sua voz estava meio rouca.
Nós continuamos assim, deitados na grama numa das fileiras do roseiral. Edward acariciava meu rosto e eu seu rosto e cabelo, enquanto nos olhávamos intensamente. Fitando um os olhos do outro.
Não precisávamos dizer nada um ao outro. Nossos olhos quando se encontravam falavam por si só.
- É um pouco irônico, estarmos justo em Verona depois de tudo o que aconteceu, não acha? – ele sussurrou para mim.
- Como assim? – perguntei.
- Lembra do dia em que estávamos assistindo Romeu e Julieta na sua casa? – respondeu com outra pergunta.
- Lembro. Você estava murmurando as falas de Romeu no meu ouvido – sorri com a lembrança.
Lembrava daquele dia por dois fatores não muito agradáveis. Primeiro porque era meu aniversário de dezoito anos e segundo, porque mais tarde na festa dada pelos Cullen, tivemos aquele acidente horrível que acarretou em tanta dor.
A parte boa do dia parecia ter ficado subjugada e esquecida, até Edward lembrar.
- Isso. Agora estamos em Verona, à mesma cidade de Romeu e Julieta. – ele deu um sorriso. - Depois de tudo o que aconteceu, de toda a tempestade que atingiu a nossa vida nos últimos meses, finalmente nós estamos tendo o nosso final feliz. Mas já parou pra pensar que a história de Romeu e Julieta poderia ter se repetido conosco?
- Sim – murmurei compreendendo o que ele dizia. - Se você tivesse morrido, pode ter certeza que eu também não iria viver num mundo onde você não existisse.
Romeu e Julieta.
Essa era a história clássica de dois amantes de levaram seu amor para o túmulo.
Romeu pensará que Julieta havia morrido, quando na verdade ela estava apenas num sono profundo e se matará ao lado da amada. Quando Julieta acordará e virá seu eterno amor, estirado ao seu lado morto e sem vida, pegará uma adaga e enfiara em seu coração, morrendo assim ao lado de seu amado.
Uma tragédia onde os amantes morreram por amar demais um ao outro, assim como eu e Edward.
Se eu não tivesse conseguido chegar a tempo e Edward não tivesse visto que eu estava viva, o mesmo teria acontecido. Ele estaria morto por achar que eu estava morta, assim como Romeu. E eu tampouco viveria sem ele.
A morte que sugou o mel de teu doce hálito, não teve poder algum sobre tua beleza”, Edward sussurrará quando meu encontrou em Volterra. Era a fala de Romeu para Julieta em seu túmulo.
Nossa história era uma versão de Romeu e Julieta com o final feliz, acho que assim pode-se dizer. Um amor proibido que é capaz de superar tudo, até mesmo a morte. Nosso amor é entre almas. É eterno.
- Não a culpo por pensar assim. Mas não consigo imaginar um mundo sem você, Bella – sussurrou, acariciando meus lábios.
- Nenhum de nós vai morrer, teremos um ao outro para sempre. Isso simplifica as coisas, não? – sorri.
- Sim, simplifica – ele sussurrou.
- Posso te fazer uma pergunta?
- Qualquer uma – respondeu.
- O que pensou quando nós nos reencontramos em Volterra? – perguntei. - Primeiro você disse “Paraíso” e depois sussurrou a fala de Romeu para Julieta.
- É hilário... – ele deu um sorriso descrente - Mas naquela hora eu acreditei que tinha uma alma e que eu estava tendo o meu pedacinho de paraíso bem no meio do inferno; Só por poder te ver, te sentir... Só por poder te tocar... E quando eu senti o seu cheiro, o perfume da sua pele e do seu sangue... Aquela fala de Romeu foi à primeira coisa que me veio em mente, minha Julieta...
Edward deu um sorriso lindo, até seus olhos pareciam sorrir.
- Sabia que até eu encontrar você, eu tinha uma queda secreta pelo ator que fazia o Romeu? – dei risada.
- Ah é?  - ele arqueou uma das sobrancelhas dando risada. – E a senhorita só me diz isso agora? Aquilo é concorrência pesada – brincou.
Dei risada me lembrando do meu bobo ciúme da atriz que faz a Julieta. Edward havia dito que tinha inveja dele, mas era por causa do suicídio.
Ugh. Não gostava de pensar nisso.
- Não sei se posso concordar. Já tenho o meu próprio Romeu e não quero mais ninguém além dele – garanti.
- Acho bom, porque o seu Romeu tem um ciúme enorme da Julieta dele – ele deu risada, depositando rápidos beijos em meus lábios.
- Isso é bom, meu Romeu – sorri. – A sua Julieta se sente amada, afinal, quem ama cuida.
- Eu pretendo cuidar da minha Julieta para sempre – murmurou.
- E eu do meu anjo Romeu – murmurei puxando seu rosto para mim, para beijar seus lábios.
Edward sorriu enquanto nos beijávamos. Quando nossos lábios se separaram, ele deu um suspiro e beijou a minha testa.
Ele estendeu a mão pro lado e com uma habilidade e subtilidade incrível, colheu uma rosa vermelha, linda que estava ao nosso lado.
- Para você, senhorita Isabella – deu um sorriso, me oferecendo à rosa.
Senti o perfume dela. Era maravilhoso, eu sempre me lembraria dele. Eu levaria a rosa de volta comigo para casa e depois que a pétala das secassem, as colocaria num livro.
- Obrigada, Senhor Cullen – sorri.
- Sabia que na época em que eu nasci, toda vez que um homem iria cortejar uma mulher, levava consigo um buquê de flores ou rosas vermelhas? – ele disse.
- Já vi isso em filmes.
- Mas como nós não somos um casal muito tradicional, prefiro oferecer-lhe uma rosa e um roseiral inteiro, afinal, eu ainda sou um cavalheiro do século XX – ele deu uma piscadela.
- Você não tem se comportado como um cavalheiro nascido em 1901 – murmurei, dando risada me lembrando da noite passada.
Se Edward e eu tivéssemos nascido na mesma época, e tivéssemos nos envolvido fisicamente como na noite passada em 1918, seria o escândalo do ano.
Era extremamente proibido, o máximo que os noivos conseguiam arrancar de suas noivas – quando essas eram moças de família – era um beijo ou dois, e roubados na maioria das vezes. Qualquer outro tipo de intimidade era depois do casamento.
- Ainda bem que os tempos mudaram e estamos no século XXI – ele deu risada.
- Sim, porque a essa altura Charlie estaria aqui pronto para lhe dar um tiro e matá-lo – murmurei.
- Acho que não será preciso chegar a tanto, eu sou um homem de família e responsável – deu risada. – E afinal, eu sou a prova de balas – ele piscou para mim.
- Convencido – comentei, dando risada.
Ele ficou sério de repente e fitou meus olhos intensamente.
- Eu... Eu queria fazer uma coisa, antes de te transformar – murmurou.
- O que? – perguntei com curiosidade. O que ele poderia querer fazer, antes de me tornar imortal como ele?
Seus olhos dourados arderam, tornaram-se mel puro e derretido. Ele fitava diretamente os meus, como se pudesse enxergar minha alma. Um brilho intenso e lindo tomou conta de suas íris.
- Casa comigo, Bella?
Por essa eu não esperava.
Edward estava pedindo para eu ser esposa dele, era isso mesmo que eu estava ouvindo?
Fiquei mais uma vez simplesmente sem fala.
Quando ele me disse mais cedo que tinha uma surpresa, eu não imaginava que fosse tão grande.
Primeiro, ceder em me transformar em vampira e agora, me pedir em casamento, me pedir para ser sua noiva e futuramente, sua esposa.
De repente todas as coisas que minha mãe me dissera sobre casamento durante toda a minha vida invadiram a minha mente. Coisas essas que não eram nada boas. Para minha mãe, casar-se antes dos trinta, era pior do que cozinhar filhotinhos de cachorro vivos.
Mas... Por que o primeiro casamento dela com meu pai não havia dado certo, o meu também não daria?
Esse fora o destino dela, não o meu. E qual seria a diferença entre o casamento e a eternidade ao lado de uma pessoa?
Eu iria ficar com Edward para sempre e isso já era uma união eterna.
Mandei todas as coisas ruins sobre casamento que minha mãe dissera a mim pro inferno, enquanto uma nova imagem se formava em minha cabeça.
Edward me esperando no altar. Eu vestida de branco – vestida de noiva -, segurando um buquê com várias rosas, meu pai me guiando até o altar. A marcha nupcial tocando... E eu indo em direção ao meu destino, ao meu amor.
Edward.
Parecia que um filme rodava em minha cabeça naquele momento. Mas na verdade eu estava sonhando acordada.
Só acordei dos meus devaneios quando Edward deu um suspiro.
- Olha, eu vou entender se você não aceitar... Se você achar que tudo esta indo rápido demais... Eu...  – ele dizia rapidamente as palavras, tive de me esforças muito pra entender alguma coisa. Ele parecia nervoso, ansioso.
Aquilo era tão humano...
- Sim – disse seriamente, fitando seus olhos.
Edward parou de respirar por um momento. Senti a tensão em seu corpo.
- Por tudo o que é sagrado... Sim você concorda com o que eu disse ou sim você... – ele parecia tão nervoso.
Não pude deixar de sorrir.
Envolvi meus braços em volta de seu pescoço, segurando a rosa que ele me dera nas mãos.
- Sim – murmurei novamente. – Sim, eu aceito casar com você – sorri.
Ele voltou a respirar – de uma maneira aliviada, devo dizer -, e deu o sorriso mais lindo que eu já vira em minha vida. Até seus olhos pareciam sorrir.
- Diz pra mim que eu não estou sonhando ou delirando? – pediu.
Dei risada.
- Não esta sonhando nem delirando – disse.
- Não brinca com isso Bella, eu posso acabar tendo um ataque do coração e isso não é fácil no meu caso. Eu acabei de te pedir em casamento. Você esta mesmo aceitando? – ele perguntou com uma expressão ao mesmo tempo maravilhada e extremamente feliz.
- Sim, eu estou aceitando me casar com você – disse dando risada. – O que você pensou que eu fosse fazer?
- Que fosse dizer não – respondeu. – Você paralisou quando eu te fiz a pergunta.
- Eu fiquei surpresa, não esperava por isso... Que outra reação você queria que eu tivesse?
- Não sei.
- Como eu poderia recusar me casar com você, sendo que eu te amo e pretendo viver para sempre ao seu lado? Casamento e eternidade é a mesma coisa no nosso caso – murmurei olhando intensamente em seus olhos.
- Eu sei, mas eu... Eu sou o homem mais feliz do mundo por ter você como noiva – ele deu um sorriso e levantou, me puxando junto com ele do chão, dobrando meus joelhos e me pegando no colo no mesmo instante.
Ele começou a nos girar no ar.
Ambos sorriamos um para o outro.
Felicidade. Tudo estava extremamente perfeito. Parecia que até as flores exalavam felicidade.
Quando ele me colocou no chão novamente, me fitou intensamente nos olhos, com um sorriso.
Edward acariciava lentamente as minhas bochechas e a minha face. Não pude deixar de inclinar o rosto em suas mãos sentindo seu carinho e seu amor.
- Eu te amo – ele sussurrou antes de me beijar.
Parecia que aquele beijo tinha um toque diferente dos outros.
Enquanto nossos lábios se tocavam - naquele ato tão comum para os amantes apaixonados -, tive a sensação de que naquele momento, Edward teve a certeza de que eu realmente o amava.
Talvez fosse imaginação minha, mas houve algo a mais naquele beijo. Mais amor.
Edward sorriu, quando percebeu que estava me deixando sem ar. Acho que nunca o tinha visto sorrir tanto num dia como hoje e acredito que nem mesma eu tenha sorrido tanto na minha vida como hoje, assim como eu nunca havia sido tão feliz na vida como agora.
- Bom, como eu não tive tempo de arrumar uma aliança, vou ter de improvisar – disse com um sorriso, acariciando meu rosto.
- Eu não preciso de um anel pra dizer que sou sua, pra dizer que sou sua noiva.
- Eu sei, conheço a sua aversão a jóias, mas será que você poderia ceder só desta vez? – perguntou com um sorriso lindo nos lábios arqueando as sobrancelhas.
Não iria negar um pedido daqueles.
- Tudo bem – cedi, dando risada.
Edward colocou uma mão no bolso da calça e tirou uma corrente fininha e dourada de lá de dentro, ao qual pendia um pingente de safira azul em forma de um coração. Esta tinha um desenho em forma de uma flor, feita de diamantes, o cabinho e as folhas estavam incrustados a ouro na pedra azul, como se fizesse parte dela, fundindo-se um ao outro.
Os pequenos brilhantes da flor formavam pequenas facetas em forma de arco íris no ar, a luz do dia.
- Há muito tempo isso está guardado comigo – ele murmurou indo para trás de mim, e afastando meu cabelo para o lado esquerdo do meu ombro. – Era de minha mãe, Elizabeth. Eu estava disposto a convencer você aceitar esse colar como presente de aniversário de dezoito anos, mas então tudo aquilo aconteceu e eu acabei esquecendo por completo.
Edward colocou o colar no meu pescoço, prendendo o pequeno fecho em seguida. Ele deu um beijo na minha nuca, provocando-me arrepios.
Toquei o pingente no meu pescoço e abaixei o olhar, observando-o. O colar tinha o toque clássico e sutil do século XX, era uma verdadeira antiguidade, daquelas que realmente se herdam de geração em geração, na família.
Era lindo.
- É muito lindo – disse me virando de frente para ele e fitando diretamente seus olhos.
- Melhor do que ter uma aliança na sua mão é ter o meu coração perto do seu. – sorriu. – Meu coração é como uma pedra, mas ele é seu. Toda vez que olhar para esse colar no seu peito, pense em mim.
- Sempre – prometi. – Obrigada por me dar seu coração.
- Eu é que tenho que agradecer por você existir, meu amor. Você deu razão a minha existência – murmurou, dando um beijo em minha testa, e passando os braços em volta da minha cintura. – Meu coração sempre foi e sempre será seu.
- Assim como o meu – encostei a cabeça em seu peito, enquanto ele estreitava mais os braços a minha volta, abraçando-me.

Edward e eu voltamos para o pico do morro, decidimos ficar no campo e ver o por do sol. Sentamos embaixo daquela árvore solitária de Ipê roxo e ficamos ali. Conversando, nos abraçando, nos beijando, nos amando.
- Tem algo que eu não entendo – disse a ele, de repente enquanto algo me vinha à cabeça.
O sol estava se pondo através dos morros da fazenda. O céu naquele momento era uma mistura de tons de azul, preto e tons variados de laranja, amarelo e até mesmo vermelho.
Algumas estrelas já começavam a querer aparecer no céu, assim como uma linda e iluminada lua. As nuvens de mais cedo haviam sumido ainda a pouco e o céu estava absolutamente limpo.
Era o crepúsculo.
O fim do dia, o começo da noite.
- O que você não entende? – perguntou, acariciando minhas mãos pousadas em cima de me ventre.
Edward sentado, encostado no tronco da árvore, e eu em seus braços.
Virei o rosto para o lado, observando ele de soslaio.
- Porque esse fascínio pela cor azul? – perguntei.
Ele deu risada.
- Não sei. Eu realmente gosto dessa cor em você, somente você... Você fica ainda mais linda vestida de azul, contrata com o tom de sua pele, mas talvez... – ele parou de responder. Seu silêncio significava uma coisa: ele estava imerso em seus pensamentos.
Ajeitei-me nos braços dele, de modo que pudesse fitar seu rosto. Ele estava realmente estava com uma expressão pensativa, fitando o vazio.
- Talvez... – estimulei.
Edward voltou a olhar para mim e sorriu.
- Talvez seja pelas dimensões naturais ao qual o azul encobre. O céu, - ele olhou para cima, para o céu límpido e azul escuro, onde as estrelas brilhavam - o mar, algumas flores, pedras, borboletas... Tudo belo e encoberto por variados tons de azul. Desde o tom mais claro ao mais escuro. Meu amor por você pode ser comparado ao tamanho infinito do céu, as ondas ora calmas, ora rebeldes e tempestuosas do mar. Quando eu te vejo, meu coração brilha como as estrelas; Quando eu te vi pela primeira vez, toda a minha essência se transformou como uma pedra a ser esculpida... Quando eu te toco, é como se meu amor pudesse voar até você com o mais sutil bater de asas de uma borboleta... São coisas diferentes, mas ambas conectadas pelos tons mais belos e variados de azul... Meu amor por você é assim, nós somos assim. Diferente de várias maneiras, mas igual de certa forma. Nosso amor é o que nos une, ele é eterno.
- Sim, é eterno – concordei, sentindo uma lágrima escorrer por meus olhos.
Edward me abraçou.
Nós ficamos mais alguns minutos, observando o findar do dia. Quando a noite enfim tomou o céu por completo, Edward decidiu que era à hora de voltarmos pra cabana.
Coloquei os sapatos novamente, segurei a rosa que ele me dera nas mãos e então voltamos pelo bosque. Se Edward não enxergasse bem no escuro e eu não tivesse segurando sua mão, concerteza teria me perdido.
Quando passamos pela soleira da porta, meu corpo inteiro se enrijeceu, não por que eu quisesse, foi uma reação voluntária. Espontânea.
Jasper estava sentado no sofá da sala ao lado de Alice.
- Edward, Bella – disse ele com um sorriso quando nos viu de mãos dadas entrando na cabana. – Enfim, chegaram... Pensei que não fossem mais aparecer.
- Estávamos no bosque, Jasper – Edward disse, fazendo pequenos círculos com o dedo polegar na minha mão, numa tentativa de me acalmar. Ele havia sentindo minha tensão.
- Oi Bella, quanto tempo – Jasper me cumprimentou, timidamente.
- Oi Jasper – respondi, educadamente.
- Ei, que tensão é essa aqui no ar? Passado é passado gente; o que passou, passou. O importante é que tudo esta bem agora – murmurou Alice levantando do sofá animadamente, com um sorriso de fada.
- Bella, eu lhe devo desculpas... Desculpa por ter perdido o controle e tentado de atacar no seu aniversário em setembro passado – Jasper disse, ficando de pé ao lado de Alice.
- Não precisa se desculpar Jasper. – murmurei. – O que passou, passou.
Edward olhou para mim e sorriu de lado.
- E então, alguém aqui tem novidades? – disse Alice, revirando os olhos com um sorriso de menina arteira.
Edward deu risada.
- Como se você já não tivesse visto, Alice – Edward murmurou a irmã.
- Do que ela esta falando? – perguntei.
- Do nosso casamento e de eu ter decidido te transformar – Edward respondeu, olhando para mim.
- Vão se casar? – Jasper, indagou com um sorriso imenso.
- Sim, eu fiz o pedido a Bella e ela aceitou – Edward respondeu ao irmão sorrindo e depois olhou para mim novamente. – Já perdemos tempo demais.
- Estou completamente decepcionada Edward. Como um cavaleiro do século XX, eu realmente achei que você fosse fazer conforme manda a tradição e pedi-la em casamento com uma aliança – disse Alice.
- Alice! – exclamei. – Não preciso de uma aliança para dizer que pertenço a ele.
- De qualquer forma, vou resolver isso assim que chegarmos em casa – Edward disse.
- O que? – perguntei surpresa.
- O que Charlie vai pensar quando contarmos a ele sobre nosso casamento? Uma aliança é indispensável – Edward murmurou a mim.
- Charlie vai pensar que irá querer me matar e matar a você. Eu simplesmente desapareci, a agora vou voltar com você e noiva.
- Desse jeito vocês vão matá-lo. O pai da Bella vai ter um ataque cardíaco - Jasper comentou, brincando.
- É muito para meu pai absorver, precisamos ir com calma – disse a Edward.
- Como você quiser, amor – Edward murmurou. – Mas de qualquer forma, sua aliança já esta te esperando.
- Porque me deu esse colar então? – toquei o pingente no meu pescoço.
- Era pra ser seu presente de aniversário, lembra? – arqueou as sobrancelhas. – Pense nisso como uma representação – sorriu.
- Ei, eu ainda não disse o que eu queria dizer – disse Alice estalando os dedos, chamando a atenção de nós.
Edward revirou os olhos.
- Diga Alice – murmurou.
- Vão me deixar ser a madrinha de casamento de vocês? – perguntou minha futura cunhada na cara dura.
Como se eu fosse escolher outra pessoa para ser a madrinha de meu casamento.
Edward deu risada.
- Como você é modesta Alice... Está se convidando pra ser a madrinha de nosso casamento? – gargalhou. – Muito cara de pau.
- Diga se tem alguém melhor do que eu pra ser a madrinha de casamento de vocês? – disse Alice dando um beijo em cada um de seus ombros, com um sorriso divertido.
Sorri.
- Se Edward concordar, não há pessoa melhor para ser a nossa madrinha de casamento – disse a Alice.
- Sério? – ela bateu palmas, com um sorriso enorme quase não contendo o entusiasmo.
- Sim, estou falando sério.
- Se a noiva esta dizendo, eu aprovo. – murmurou Edward sorrindo. - Jasper e Alice, por favor, sejam nossos padrinhos de casamento?
- Com o maior prazer e honra. – Jasper respondeu, envolvendo os braços na cintura de sua esposa.
- Yeah! – Alice cantarolou completamente feliz, fazendo com que todos nós déssemos risada.
Edward e eu conversamos e concluímos que chamaríamos Rosalie e Emmett para nossos padrinhos de casamento também. Edward adorava Emmett, era seu irmão favorito. E apesar de suas intrigas com Rosalie, ele também gostava da irmã.
Alice e Jasper foram para a recepção do hotel fazenda, fechar a conta. Eu fui para o quarto, pegar o sobretudo preto que Alice havia deixado para mim em cima da cama e minha bolsa.
Aproveitei para dar uma rápida ligada no celular, que havia virado a noite guardado.
Suspirei.
Havia mais de dez ligações de meu pai.
Charlie devia estar muito preocupado comigo, teria uma longa e complicada conversa com ele quando voltássemos a Forks. Tenho para mim que ele não aceitaria com muita facilidade Edward em minha vida, mas nada em relação a isso ele poderia fazer.
Edward era tudo para mim.
Coloquei o celular de volta dentro da bolsa e a rosa vermelha que Edward me dera também. Ela ficaria um pouco murcha, mas depois eu a colocaria na água e a faria reviver.
Edward veio por trás e abraçou-me pela cintura.
- Esta tensa. Preocupada com a volta para casa amor? – sussurrou, no meu ouvido depositando um beijo em meu ombro.
- Um pouco. Charlie poderá nos criar problemas e Jacob também – murmurei com um suspiro.
- Não se preocupe, pois iremos resolver isso. Tudo ficara bem. Eu prometo meu anjo – ele virou-me de frente para ele e beijou meus lábios carinhosamente.
Edward simplesmente congelou. Ficou tenso de repente.
Seus olhos se arregalaram, suas mãos na minha cintura se tornaram mármore.
Frias e rígidas como uma pedra.
De repente, ele me girou para trás dele, como se quisesse me proteger de algo que eu não via, um perigo invisível.
- O que foi? – perguntei desesperada com a reação dele.
- Eles estão aqui – respondeu.
Não foi preciso dizer nada mais do que isso.
Inconscientemente, eu já esperava por isso. O medo e o pânico tomaram conta de mim naquele momento.
Edward não disse quem eram eles, mas eu já sabia.
Os Volturi.
A porta do quarto foi arrebentada, caindo com um estrondo enorme no chão, fazendo-me estremecer.
Edward se botou protetoramente a minha frente.
Mantos negros rastejando ao chão foram à primeira coisa que eu vi.
- Ora, ora, ora... Veja só o que temos aqui – sussurrou um dos vampiros, quando subi meus olhos e encarei seu rosto, o reconheci das pinturas da casa dos Cullen.
Aro.
Meu coração começou a palpitar e eu senti naquele momento que o fim estava mais próximo do que eu imaginava.


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