❝ Oneshot :: No Air — Parte 01


Bom, aqui esta minha Oneshot no Air ♥
Ela ficou muito grande, então eu optei por dividi-lá em duas partes. 
Espero que gostem! 
Boa leitura (:


Por Edward Cullen.

Isabella, Isabella... Seu nome simplesmente não saia da minha cabeça, era como se uma voz suave o sussurrasse repetidas vezes em minha mente.
Estávamos a apenas uma semana de finalmente subirmos ao altar. Minha noiva estava nervosa e distraída, mas bastasse que eu apenas a abrasasse que tudo desaparecia e eu a sentia relaxar em meus braços. Mas o que mais estava me angustiando era o motivo de seu nervosismo. Ela simplesmente não me dizia o que estava se passando e eu tinha as minhas suspeitas.
Aquele cachorro vira lata havia desaparecido e o pai de Bella havia espalhado cartazes por cada poste e esquina de Forks e La Push, e eu tinha motivos o suficiente para desconfiar que ela estivesse preocupada com seu amigo.
Embora eu seja grato por toda a ajuda que Jacob e a matilha nos deram quando precisamos e por ter cuidado de Bella quando eu não pude – por mera idiotice de minha parte, pensando que deixá-la seria o melhor para ela –, não posso deixar de sentir o ciúme me corroer cada vez que o nome Jacob é pronunciado pelos lábios do meu amor.
Ele havia jogado sujo, feito com que Bella se sentisse mal e até mesmo dividida entre nós dois, mas eu joguei limpo e consegui nos manter intactos e principalmente, juntos. Parte da culpa de ela sentir dúvidas eu sei que cabe a mim, uma vez que eu deixei buracos nela quando a abandonei. Embora ela negue, sei que muitas vezes ela sente medo de eu deixá-la novamente e isso a perturba mesmo que eu tenha lhe dito repetidas vezes que eu não irei abandoná-la nunca mais, pois a amo tanto que não tenho forças pra ficar longe dela.
Por Isabella eu sou capaz de ir até as últimas consequências. Por sua felicidade eu sou capaz de anular a minha e passar por cima de todas as minhas inseguranças, que foi o que eu fiz quando mandei o convite de nosso casamento para Jacob, sabendo que ela ficaria feliz em tê-lo por perto. Ela não sabe disso e se depender de mim só saberá no dia do nosso casamento.
Mas algo vem me perturbando há alguns dias.
Nós fizemos um acordo – acordo este em que eu pensei seriamente em romper há algumas semanas atrás por achar que estava errado, mas ela insistiu em manter. Parte desse acordo é transformá-la em imortal após a nossa lua de mel, mas... Mas será que o que eu tenho a oferecer a ela é o suficiente?
A eternidade pode se tornar vazia com o tempo e tenho de exemplo Rosalie e Emmett que depois de décadas se cansaram do ‘casal feliz’. E se depois de alguns anos casados ela se cansar de mim e se arrepender da escolha que fez? E se deixar todo o seu passado para trás para ter uma vida eterna ao meu lado não for o suficiente?
Sempre seremos apenas nós dois, infelizmente eu não posso dar filhos a ela – uma das muitas desvantagens de ser imortal –, não posso construir a minha própria família ao lado dela, a menos que nós adotemos uma criança. Mas como seria a nossa vida com uma criança humana, tendo que esconder o tempo todo que somos imortais até ela ter certa idade e tendo de mudar de tempos em tempos? Que tipo de vida e estrutura uma criança humana com pais vampiros teria?
Era algo que eu não gostava de imaginar e pensar, um assunto delicado entre nós embora ela tenha me dito que se isso se tornar um problema mais pra frente, podemos adotar. Mas acredito eu que ela não tenha pensado nestes pontos, então resolvi não prolongar o assunto.
Apesar de ter certeza de que ela me ama, eu me sinto inseguro em relação às escolhas que ela fez. Ela esta pensando somente no agora, não no futuro. E se as coisas mudarem com o tempo? O quanto isso irá nos fazer sofrer?
O quanto eu e ela ainda podemos nos despedaçar durante uma tempestade e ainda sobreviver?
A maneira como nós sofremos repetidas e repetidas vezes por causa das conseqüências de nossas escolhas chega a ser até mesmo masoquista. Mas eu a amo tanto, que toda a dor se tornar nada quando ela esta comigo em meus braços. E estranhamente ela sente a mesma coisa.
– O que esta te preocupando filho? – Esme apareceu do nada vindo da floresta a minha frente e sentando-se ao meu lado nos degraus que davam acesso a porta dos fundos de nossa casa.
Era o crepúsculo.
Os pássaros estavam se recolhendo entre as árvores e o sol se pondo sob a cadeia de Montanhas Olympic e o sinuoso rio Sol Duc.
Era algo lindo de se ver.
– Nada de importante – respondi balançando a cabeça para os lados.
– Você mente muito mal, cara – Emmett murmurou aparecendo vindo da floresta, de mãos dadas com Rosalie.
Eles deviam estar voltando de uma expedição de caça.
– Ah que maravilha! – resmunguei.
Um tentando decifrar os meus pensamentos já é ruim, imagine três.
– Se você esta preocupado com alguma coisa em relação ao casamento, relaxe. – Rosalie falou. – Alice esta cuidando para que tudo seja impecável.
– E esta nos deixando loucos também não é?! Isso você se esqueceu de acrescentar, Rose – Emmett murmurou com uma careta e um sorriso zombeteiro.
Vi na mente de Emmett a baixinha irritante da minha irmã Alice dando mil e umas ordens a ele. Alice é mesmo impossível!
– Não é nada com relação ao casamento, sei que Alice vai dar o melhor dela transformando tudo num verdadeiro conto de fadas moderno – garanti. – Os preparativos para a cerimônia é o que menos me atormenta neste momento.
– Então o problema é com a noiva – Rosalie conjecturou. – O que foi, vocês discutiram?
– Não, antes fosse isso – dei um suspiro. – Digamos que eu tenha algumas dúvidas em relação ao que estamos fazendo.
– Se for com relação a lua de mel eu já disse que tudo é instintivo e na hora da prática você vai saber o que fazer – Emmett murmurou e Rosalie deu um tapa na cabeça dele.
Esme olhou para os lados tentando disfarçar um sorriso, mas eu sabia que ela estava em gargalhadas internamente.
Arqueei as sobrancelhas. Eu não devia tê-lo deixado ouvir a conversa que eu tive com Carlisle.
– Ai, Ai Rosalie – reclamou passando a mão onde Rosalie o bateu como se estivesse sentindo dor.
– Emmett Cullen mais respeito, pois nossa mãe esta aqui – Rosalie disse brava.
– Não se preocupem comigo – minha mãe murmurou levantando as mãos.
– Não tenho nenhuma dúvida em relação a Lua de Mel, Emmett – garanti. – Tenho certeza do que estou fazendo.
– Hohoho, falou o sabe tudo – zombou.
– Esta com dúvidas em relação ao que então, querido? – Esme perguntou. Sempre doce e maternal.
– O futuro meu e de Bella – murmurei com um suspiro passando as mãos pelo cabelo.
– Se você acha que ela vai fugir na hora H do casamento, acho melhor você ir falar com Alice – Rosalie deu de ombros abraçando Emmett.
– Não acho que ela vá fugir, pelo menos ela não me deu motivos para pensar isso – falei. – O meu problema é em relação ao futuro, ao depois do casamento e da lua de mel... Depois que ela se tornar como nós.
– Não tem mais certeza de que quer passar a eternidade ao lado dela? Tem medo do que você sente por ela mude depois que ela deixar de ser humana? – Esme indagou com um olhar preocupado tanto comigo, quanto com Bella. Ela já ama minha noiva como uma filha.
– Não, claro que não – murmurei. – Deus, eu a amo. Nada vai mudar pra mim, ela sempre será a minha Bella. Minha Bella menos frágil, apenas. Tenho medo do que ela vai sentir com o tempo... Não tenho certeza de que o que eu tenho a oferecer para ela é o suficiente para fazê-la feliz.
– Mas o que mais ela pode querer Edward? – Rosalie indagou. – Beleza, eternidade, dinheiro, você... Com a eternidade ela pode ter o que quiser, ainda mais numa família como a nossa.
– Você sabe muito bem que ela não pode ter o que quiser Rosalie – lembrei-a.
Oh meu Deus, ela quer filhos?, Rosalie perguntou mentalmente.
– Não, não é isso o que você esta pensando Rosalie. Nós já conversamos sobre e ela disse que não se importa – murmurei.
– É o que ela sente agora, mas no futuro... As coisas podem mudar – Rosalie murmurou lembrando-se de uma conversa que teve com Bella contando a respeito de sua história e de seus desejos.
– É esse o ponto, Rosalie – murmurei. – As coisas podem mudar mais pra frente, e ela pode se arrepender. A pergunta é: o quanto isso irá nos afetar e nos fazer sofrer?
– É algo para se pensar – ela concordou.
– Será que alguém pode compartilhar a informação? – Emmett reclamou bufando.
– Eu perguntei a ele se Bella queria ter filhos assim como eu sempre quis, mas infelizmente não posso – Rosalie disse a ele.
Emmett e Esme franziram o cenho.
– Não me diga que o instinto maternal de Bella resolveu florescer justo agora? – Emmett indagou.
– Emmett, que maneira mais rude de falar sobre isso – Esme repreendeu. – É natural numa mulher o desejo de ter filhos, é algo que já nasce conosco. Algumas demoram mais para sentir este anseio do que outras, e há casos de mulher que nunca na vida almejaram por filhos. Se o de Bella floresceu agora, talvez seja porque ela tenha imaginado como seria ter uma família ao lado de Edward e esse lado tenha florescido.
– Vocês não estão entendendo – murmurei quando Emmett estava prestes a dizer algo. – Bella não se importa em não ter filhos, nós conversamos muito sobre isso. Mas ela não se importa agora e diz que caso seja um problema mais pra frente, nós podemos adotar. Só que ela não pensou nos prós e nos contra, não percebeu que nós jamais poderíamos dar uma vida estruturada a uma criança humana, sendo nós imortais. Como iríamos viver tendo de esconder de nossos filhos o que somos e tendo de mudar de tempos em tempos?
A compreensão iluminou o rosto de Esme e Emmett.
– É por isso que nós nunca adotamos uma criança, por causa do que somos – Emmett murmurou olhando para Rosalie.
– Conversei com Bella uma vez sobre isso também – Rosalie falou deixando Esme e Emmett surpresos. Eu já sabia de tudo. – Contei a ela minha história e meus desejos, dando a ela os pontos negativos a respeito da eternidade. Ela me disse que nunca irá querer nada mais do que ficar com Edward. Eu disse a ela que ela iria querer algo mais, algo pelo qual ela teria que matar para ter. Sangue. No entanto, eu não havia colocado as coisas dessa forma e pensado que no futuro ela poderia querer filhos também.
– Agora eu compreendo os seus medos, Edward – Esme falou pegando minha mão e acariciando. – Mas talvez eles acabem se você tiver uma conversa sincera com Bella e expuser para ela o que sente. Mostre a ela o que ela não esta vendo, coloquem as cartas na mesa deixando tudo às claras entre vocês. Vocês vão se casar em uma semana, filho... E se você não confiar nela para expor seus medos, isso não irá dar certo. Confiança, respeito, carinho, companheirismo e amor. Este é o segredo de um casamento duradouro. Se vocês tiverem isso, tudo dará certo.
– Tenho medo de perdê-la novamente – confessei. – Tenho medo de que no futuro ela se arrependa das escolhas que esta fazendo e isso a faça sofrer... Me faça sofrer... Não sei se iria suportar a dor de perdê-la de novo. Prefiro pensar que se ela um dia decidir me deixar, eu serei forte para ir embora e deixá-la para seguir a sua vida da maneira que ela desejar para ser feliz. Ela é tudo pra mim, sem ela eu não sou simplesmente nada.
Minha Bella é o meu amor, meu ar, minha vida, minha fonte luz e calor. Ela é a minha alma.
– Concordo com Esme – Rosalie murmurou. – Você deveria ir falar com Bella, Edward. Converse com ela, diga o que sente... Posso ter todos os defeitos, mas tenho que admitir que ela é uma das pessoas mais compreensivas que eu conheço.
Pela primeira vez eu vi Rosalie dizendo algo inteligente a respeito de Bella.
Compreensiva? Sim, Bella sempre foi compreensiva. Tão compreensiva que chegava a ser atésubmissa.
Eu tenho de admitir que eles estejam com a razão. Eu precisava falar com ela, tínhamos de ter uma conversar decisiva. Era o nosso futuro que estava em jogo, a nossa vida e felicidade. Nosso relacionamento e casamento que ainda nem havia começado poderiam estar numa corda bamba e cedo ou tarde nós iríamos cair pra um lado ou pro outro. E as conseqüências poderiam ser dolorosas, então eu tinha de agir enquanto ainda havia tempo.
– Eu vou falar com ela – anunciei. – Hoje à noite.
Quem sabe assim eu consiga que Bella me diga o que a esta deixando tão nervosa e distraída. Eu realmente espero que eu esteja errado e que não seja a respeito de Jacob Black.
– Sim, faça isso – incentivou Esme. – Você verá que irá se sentir muito melhor.
– Assim eu espero – murmurei ficando de pé. Já devia passar das oito da noite. O sol já havia se posto e nuvens de chuva estavam se formando em meio ao anoitecer. As luzes do lado de fora haviam sido acesas através do censor instalado e era a única luz que nos iluminava.
– Obrigada – murmurei olhando para Rosalie, Emmett e Esme que sorriam para mim. – Por tudo.
– Não há de que – eles disseram em coro, fazendo com que nós déssemos risada ao mesmo tempo em que Alice chegava sabe-se lá de onde arrastando Jasper pela mão, tagarelando mentalmente sobre tecidos, candelabros e flores.
– Boa noite – Alice e Jasper saudaram – Reunião familiar e não me chamaram? – ela indagou parando ao meu lado assim que percebeu que estávamos reunidos.
– Não, apenas um bate papo – Emmett deu de ombros com um sorriso e eu assenti agradecendo por ele não ter dito o tema do nosso “bate papo”.
Não queria ter de passar mais uma hora ouvindo Alice falar sobre suas visões e o que ela conhecia e não conhecia, sobre o que ela tinha e não tinha certeza a respeito do meu futuro com Bella. Eu conhecia minha irmã bem o suficiente para saber que era exatamente isso que iria acontecer. Se ela tivesse alguma visão de minha conversa com Bella e quisesse falar sobre, mais tarde eu conversaria com ela. Mas não agora.
Agora eu iria pra casa de Bella.
Era sábado, dia 5 de agosto.
Provavelmente, o pai de Bella já estava em casa esse horário.
Olhei para o céu pela janela do meu quarto e vi que a chuva estava ameaçando a querer cair. Eu não estava a fim de chegar igual a um gato molhado na casa de Bella, então iria de carro. Se Charlie estivesse em casa, eu teria de dar um jeito de ir pra outro lugar ter essa conversa com Bella. Tínhamos de estar a sós para conversar.
Tomei um banho rápido vesti uma calça jeans, uma camisa preta e uma jaqueta de couro por cima por causa da chuva. Peguei as chaves do meu carro e fui pra garagem.
Enquanto eu dirigia sobre as estradas escorregadias de Forks outra pergunta atingiu minha mente.
E se depois dessa conversa com Bella ela perceber o quanto ela esta abrindo mão e desistir de nós?
Eu não posso pensar nisso. Não posso.
Eu tenho de ser sincero com ela, ouvir o que ela tem a dizer depois que eu expor o que eu sinto. Eu devo isso a ela, eu tenho de ser sincero com ela.
Seja o que Deus quiser.
Exatamente quinze minutos depois eu estava estacionando meu volvo no meio fio em frente à casa dela atrás da Mercedes Guardian que eu havia dado a Bella.
Aquele era o carro de antes, como eu havia explicado a ela.
Todo o tipo de proteção que ela precisava aquele carro possuía afinal ela ainda é humana e eu me preocupo com sua segurança. Mas Emmett e eu havíamos comprado outro carro para dar a ela depois que ela fosse transformada. Meu irmão numa concessionária de carros esportivos é igual uma criança na Disneylândia. Pedir a ajuda dele pra escolher um carro para Bella foi uma escolha que me rendeu boas risadas. Com ajuda de Emmett, optei por dar a ela depois de nossa lua de mel uma Ferrari que estava estacionada na garagem da minha casa com uma lona por cima... Já a antiga picape dela era algo que eu preferia não pensar muito, afinal, se ela descobre que Rosalie, Emmett e eu tivemos algo a ver com a “morte” daquela coisa, tenho certeza que ela não ficará muito feliz com isso. No final das contas, quem teria que agüentar a raiva dela seria eu e não meus irmãos. Então é melhor Bella pensar que o carro apenas morreu de ‘causas naturais’.
Ativando o alarme, rapidamente fui para a soleira da porta e apertei a campainha. Após alguns segundos, Bella abriu a porta e quando ela viu que era eu seu rosto se iluminou e ela deu um meio sorriso.
– Oi – ela disse suavemente abrindo a porta para eu entrasse.
– Boa noite, amor – murmurei com um sorriso dando um rápido beijo em seus lábios macios e rosados, e depois em sua testa.
– Pensei que viesse mais tarde, você sempre vem um pouco antes da meia noite – ela disse trancando a porta.
– Eu não tinha nada para fazer em casa, então resolvi vir mais cedo – murmurei dando de ombros olhando para ela. Bella não estava me olhando nos olhos como costumava fazer, ela estava olhando para baixo, como se estivesse tentando esconder algo – Tem algum problema? – perguntei.
– Não, claro que não Edward – ela murmurou dando de ombros e passou por mim indo em direção a cozinha, eu segurei na sua mão parando-a no lugar.
Havia algo de errado. Ela nunca agia assim.
– Tem algo errado, Bella? – perguntei levantando delicadamente o seu queixo, para poder olhar em seus olhos. Foi então que eu notei seus cílios molhados e os círculos vermelhos em volta de seus olhos. Suas íris brilhantes marejadas pelas lágrimas que ela estava tentando segurar.
Ela fechou os olhos uma vez e quando os abriu novamente uma lágrima escorreu por seu rosto.
Aquilo me desarmou.
Todos os motivos que me trouxeram até aqui desapareceram. De repente, tudo o que me importava era abraçá-la.
Enxuguei suas lágrimas e ela inclinou seu rosto em minhas mãos ao meu toque. Ela precisava de mim, precisava do meu amor.
– Você esta chorando, meu amor... O que aconteceu? – perguntei preocupado abraçando-a, enquanto ela repousava a cabeça em meu peito.
– Agora não, por favor – ela pediu com a voz rouca por causa das lágrimas. – Eu tenho de terminar o jantar, deixei as batatas no forno – ela murmurou tentando sair dos meus braços.
Apertei meus braços a sua volta.
– Não, não... Esquece o jantar, você não esta bem, amor – murmurei. Antes que ela percebesse, disparei para a cozinha e desliguei as panelas que estavam no fogo e o forno e voltei para passando os braços em volta de sua cintura.
– Desliguei tudo na cozinha – murmurei baixinho em seu ouvido. – Onde está Charlie? – perguntei me dando conta de que a casa estava silenciosa demais. Havia apenas o martelar incessante do coração de Bella, o som da chuva batendo nas janelas e no telhado, o crepitar do fogo aceso na lareira e as nossas respirações.
– Na casa de Billy. Eu acho – sussurrou. – Ele disse que iria passar o fim de semana na casa de um amigo pelo telefone, agora a pouco. Então eu presumi que seja na casa de Billy, em La Push.
Charlie deixando a filha sozinha durante o fim de semana?
Isso realmente é novidade.
– Tudo bem, então – murmurei. Dobrei seus joelhos e a peguei em meus braços antes que ela pudesse dizer algo. Subi as escadas e a levei para seu quarto.
Eu a coloquei na cama e deitei ao seu lado, puxando o edredom por cima dela. Estava uma noite muito fria para ela, e ela estava vestindo apenas com uma blusa azul escuro de mangas compridas com um tecido fino e jeans. Não queria que ela pegasse friagem e viesse a adoecer. Ela deitou sobre o meu peito e eu a abracei deixando-a chorar seja lá qual for o motivo.
– Vai ficar tudo bem, amor – sussurrei em seu ouvido baixinho e estreitei os braços a sua volta.
– Não acho que vá – sussurrou discordando com um soluço.
– Por quê? – quis saber.
– Charlie – ela disse o nome dele como se isso explicasse algo. – Nós brigamos. Ele me disse coisas horríveis e eu acabei gritando com ele – ela disse finalmente dizendo o porquê ela estava chorando.
Isso explica o porquê o pai dela vai passar o fim de semana fora de casa e deixou a filha sozinha.
– Sinto muito, amor – sussurrei.
Não gostava de ver minha Bella chorando.
Charlie era uma boa pessoa e amava a filha. Não consigo imaginar ele dizendo coisas ruins para ela.
– Nunca pensei que fosse ouvir do meu pai tudo o que ouvi... – ela sussurrou levantando a cabeça e olhando nos meus olhos. Enxuguei as lágrimas de sua face. – Muito menos que ele fosse pensar que eu sou uma pistoleira, uma vagabunda qualquer.
Vagabunda... Pistoleira?
– Como é? – indaguei chocado.
– Alice me arrastou mais cedo pra Seattle para que eu escolhesse as lembrancinhas do nosso casamento, ela não esta me deixando ajudar em muita coisa. Eu cheguei feliz aqui em casa, conseguia convencer Alice a não exagerar na extravagância e meu pai viu como eu estava e começou a fazer comentários maldosos sobre o nosso casamento. Depois ele começou a me questionar sobre os motivos que me levaram a aceitar o seu pedido de casamento, começou a me perguntar se o dinheiro contava tanto... Se eu queria mais assim como a minha mãe queria, começou a me questionar se era por isso que eu estava com você e não com Jacob. Eu disse pra ele que o dinheiro nada tinha a ver com a minha decisão, que eu estava com você porque eu te amo e não pelo que você tem. Isso realmente não me importa – ela explicou dando de ombros. – Depois ele começou a falar sobre o que as pessoas estavam pensando sobre o nosso casamento repentino... Que alguns estão pensando que eu estou grávida e que eu estou dando o golpe da barriga e tudo o que ele tem ouvido a meu respeito no trabalho... Ele pela primeira vez falou mal da minha mãe, disse que ela foi leviana ao abandoná-lo me levando com ela e disse que eu estava no mesmo caminho que ela. Que eu estava prestes a me tornar uma pistoleira, uma vagabunda. Quando eu perguntei a ele se era isso que ele pensava de mim, ele disse que diante das circunstâncias ele concordava com o que as pessoas estavam falando e que pensava sim que eu estava dando o golpe. Meu próprio pai pensa isso de mim. Meu pai! – então ela desabou a chorar.
Eu a abracei mais forte.
– Não posso acreditar que o seu pai disse tudo isso... Que ele pense tudo isso – murmurei perplexo e chocado.
Quando eu pedi a benção dele para o nosso casamento eu não vi nada na mente dele que pudesse induzir que ele pensasse algo tão horrível da filha dele. Que ele não me aprovava na vida dela eu sempre soube. Ele nunca gostou de mim desde a primeira vez que me viu, e quando eu abandonei a filha dele então, só piorou sua aversão a mim.
Eu não me importava com o que as pessoas estavam pensando sobre o meu casamento com ela, sobre o fato de eu ser milionário e ela não. Bella e eu sabíamos a verdade. Iríamos nos casar porque nos amávamos e por que eu havia insistido nisso. Mesmo com medo ela cedeu porque me ama.
Eu só queria me casar com ela enquanto ela ainda é humana porque quero ver ela linda, vestida de branco, vindo para os meus braços – com seus brilhantes olhos castanhos... Lábios rosados, pele macia e perfumada, e principalmente, seu coração cantando em seu peito.
Embora eu não vá admitir em voz alta para ela, o único sonho que eu já tive depois de ter me tornado imortal é me casar com ela. Acho que posso dizer que é um sonho secreto vê-la vestida de branco.
Quero ter ela em meus braços ainda como humana. Eu a amo, eu a desejo como jamais desejei mulher alguma em minha existência.
O meu amor e o meu desejo por ela foram um dos motivos que me levaram a ceder a respeito de nossa lua de mel. Ela não sabia, mas eu a levaria para a Ilha de Esme no Brasil. Um lugar mágico onde só existirá nos dois durante nossa entrega total. Um lugar perfeito e imperfeito assim como o momento deve ser. Ela merece isso.
– Eu sei que é difícil de acreditar... Charlie Swan sendo cruel – ela falou. – Mas acredite, ele foi. Isso me machucou e muito.
– Sinto muito, meu amor – murmurei dando um beijo em sua testa. – Eu sempre soube que Charlie não me aprovava na sua vida, e sei que ele tem os seus motivos. Não tiro a razão dele... Mas ele pensar isso de você... É algo que eu jamais imaginei na minha vida.
– Eu sei – ela sussurrou. – Apesar de meu pai ter nos dado a benção em relação ao nosso casamento, eu sempre tive a consciência de que ele não aprovava e sempre soube que as pessoas iriam fazer comentários maldosos a respeito do nosso casamento e isso me preocupou no inicio, você sabe. Mas meu próprio pai pensar e dizer tudo o que ele disse pra mim quando eu estou tão feliz... Doeu muito ver que ele concorda com as coisas ruins que as pessoas estão falando a meu respeito na cidade.
A dor estava estampada na voz de dela e ela não merecia isso. Bella era uma das pessoas mais bondosas e generosas que eu conheci em minha vida.
– Tem algo que eu possa fazer amor? – perguntei. – Quer que eu converse com ele e tente explicar de alguma maneira os motivos do nosso casamento repentino, sem revelar o nosso segredo?
– Não, não há nada que você possa fazer Edward – ela repousou a mão direita sob meu peito onde meu coração um dia batera. O brilho suave da noite que entrava pela janela refletiu nos pequenos diamantes da aliança de noivado em seu dedo anelar. Segurei sua mão delicadamente e entrelacei nossos dedos.
– Tem certeza?
Ela suspirou.
– Tenho. Isso é algo que somente eu posso resolver com Charlie – falou. – Se ele pensa isso a respeito do nosso casamento, então eu não quero que ele me leve até o altar e me entregue a você. Não interessa se eu sou jovem pra casar, você tem todo o dinheiro do mundo... Ele é meu pai e eu estou feliz. Ele deveria estar feliz por mim e me defender das coisas horríveis que as pessoas estão falando a meu respeito e não me julgar e dizer tudo o que disse pra mim. Quando ele voltar, nós vamos ter uma boa conversa, além do mais ele colocou a minha mãe no meio... Renée pode ser imatura, mas não leviana. Ela foi embora porque o casamento deles não deu certo, em momento algum ela o traiu e foi uma vagabunda – ela praticamente cuspiu a última palavra.
– Seu pai ultrapassou todos os limites – murmurei.
Charlie havia sido cruel com a própria filha e dito coisas horríveis a ela. Não iria dizer nada a Bella, mas assim que eu tivesse a oportunidade, conversaria com ele.
Faltava apenas uma semana para o nosso casamento e eu não queria que nada a estressasse... Mas ela já estava estressada antes de hoje, parecia sempre aflita, preocupada... Distraída.
– Todos os limites e mais um pouco – ela concordou.
– Você parecia estressada... Preocupada nos últimos dias – notei. – Estava distraída, distante...
– Eu estou preocupada com o que Alice esta fazendo a respeito do nosso casamento – ela falou encolhendo os ombros, como se o assunto não a agradasse. – Ela separou uma agenda inteira só pro nosso casamento. Os convites já foram enviados e eu nem vi a lista de convidados, embora quando eu deixei ela cuidar de tudo tenha pedido o veto na lista de convidados. O vestido de noiva é lindo, mas eu gostaria de ter tido a oportunidade de escolher... Minha mãe e sua família estão cuidando de tudo sem que eu dê a opinião em nada e até onde eu sei, nem você esta vendo nada.
Então era isso?
Dei um meio sorriso.
– Bom, foi você que deu carta branca a Alice – lembrei-a – E realmente, eu não vi nada... Muito menos o seu vestido de noiva – ela levantou a cabeça e olhou pra mim. Seus olhos estavam inchados, mas ela já não chorava mais.
– Ainda bem que você não viu o vestido de noiva – ela sorriu. – Sabe que dizem que quando o noivo vê o vestido da noiva antes da cerimônia, trás má sorte.
– Bom, acho que não é com a má sorte do vestido de noiva que temos de nos preocupar e sim com a sua – brinquei.
Ela deu risada.
Um som tão raro e suave para meus ouvidos que eu já me perguntei diversas vezes se o fato de ela mal sorrir quando está comigo é porque eu não a faço feliz.
– Sim, realmente temos que nos preocupar com a minha má sorte – ela fez uma careta. – Mas eu acho que ela já se esgotou por enquanto, tenho esperança de que tudo dará certo.
– A esperança é a última que morre, afinal – brinquei. Acariciei seu rosto, ela fechou os olhos. – Esta melhor?
– Sim – ela sorriu. – Tudo fica bem quando você esta por perto.
– Fico feliz com isso, amor – estreitei meus braços a sua volta e senti seus músculos relaxarem. – Esta com fome? – perguntei, me lembrando que quando cheguei ela estava fazendo o jantar.
– Não – sussurrou. – Eu estava fazendo o jantar só pro caso de Charlie voltar, mas um pouco antes de você chegar ele ligou dizendo que iria passar o fim de semana fora, então... Não tem importância.
– Tem certeza que não quer que eu pegue nada pra você comer amor? – perguntei. – Não é bom você ficar sem se alimentar.
– Tenho. Eu não costumo fazer isso, mas hoje realmente estou sem apetite pra comer depois de tudo o que aconteceu...
– Eu sinto muito, Bella – sussurrei novamente em seu ouvido. – Nunca imaginei que nosso casamento pudesse acarretar isso em Charlie, que ele pudesse pensar isso de você... Tem certeza de que esta fazendo a escolha certa?
Aquela pergunta não saia de minha cabeça.
Será que ela, será que nós estamos fazendo a escolha certa?
Toda a nossa trajetória esta sendo tão dolorosa, machucando tantas pessoas... Parece ser tão errado, é como se estivéssemos desafiando o destino ao ficarmos juntos. E de fato estamos. Se o mundo fosse normal, eu não existiria mais. Bella jamais teria sofrido tudo o que sofreu por minha causa. Ela seria apenas humana e feliz ao lado de outro humano.
Ela levantou-se apoiando nos braços como para que me olhar melhor. Coloquei uma mecha de seu cabelo que estava caído em seu rosto atrás de sua orelha.
– Porque está me perguntando se estou fazendo a escolha certa? – ela quis saber. – Acha que eu estou com dúvidas?
– Não, eu não acho... Você fez a sua escolha lá atrás e apesar do que isso te custou, você persistiu nela – respondi. – Mas estou me referindo ao nosso acordo. Se quiser desistir da sua parte, a proposta que eu lhe fiz na clareira ainda esta de pé...
– A minha resposta ainda é a mesma. Não. – ela deu um sorriso e eu sorri de volta. – Não vou desistir do nosso casamento em plenas vésperas e se antes eu já tinha certeza da minha decisão, com o que Charlie fez hoje eu tenho mais certeza ainda. É com você que eu quero ficar para sempre e eu quero fazer isso da maneira certa, se é que ela realmente existe – brincou.
– E qual seria essa maneira certa?
– Bom, eu acho que é começando com o nosso casamento – sorriu. – Pelo menos uma coisa normal nós temos que fazer.
Dei risada.
– Se for ver por esse lado... Eu concordo com você, não tem nada de normal ou tradicional entre nós – murmurei. - Nós quebramos todas as regras.
– Nem todas – ela arqueou as sobrancelhas.
Ah Isabella, Isabella... Se você quer jogar, vamos jogar... Mas dois podem jogar esse jogo!
Peguei ela pela cintura e a girei na cama de modo que eu ficasse por cima dela. Um grito aguda escapou por seus lábios enquanto ela dava risada.
Seu coração estava disparado. O calor de seu corpo me atingia como lufadas de ar e o seu perfume floral... Esse eu prefiro nem comentar. Era tentadoramente irresistível.
– Bem, você não quis abrir mão da sua parte do acordo – sussurrei meus lábios no seu pescoço, subindo para o seu ouvido. – Então temos que esperar uma semana pra quebrar a última regra... – trilhei beijos até seus lábios e a enlacei com meus lábios. – A mais perigosa de todas as regras...
Ela envolveu seus braços a minha volta.
– Estou disposta a correr o risco – ela falou quando nossos lábios se separaram.
– Sabe que é arriscado Bella – lembrei-a.
– Edward, eu tenho consciência do que estamos fazendo e estou disposta a arcar com todas as conseqüências – disse com convicção. – Mas depois – acrescentou depois de alguns segundo.
– As consequências podem ser desastrosas se fizermos isso enquanto você ainda é humana.
– Eu confio em você Edward – ela disse. – Se você não fosse tão obcecado por controle eu jamais correria o risco, pois eu sei que tudo dará certo no final.
Obcecado por controle?
Nunca havia parado pra pensar dessa forma, mas ela tinha razão.
Bella desestruturou o meu mundo, mas ele nunca fez tanto sentido quanto agora. Ela é como o ar pra mim.
Como eu poderia respirar sem ar?
Eu poderei sobreviver sem ele, mas não poderei respirar, pois a dor será grande demais.
Sobreviver.
Foi exatamente isso que eu fiz enquanto Bella e eu estávamos longe um do outro.
Quando nos reencontramos, ela me trouxe de volta a vida.
Ela me fez voltar a viver, salvando-me da penumbra que era a minha vida antes dela, durante cada segundo desde quando nós nos conhecemos.
– Estou cuidando de tudo na esperança de que você esteja com a razão desta vez – falei.
– Tentei fazer Alice me dizer pra onde nós vamos depois do casamento, mas não rolou – ela confessou dando de ombros. Suas bochechas assumiram uma linda cor rosada, que era possível ver mesmo no escuro.
– Ah é sua danada? – brinquei fazendo cócegas nela, provocando um ataque de riso nela.
Eu daria tudo para nunca vê-la chorar, para nunca mais ver a tristeza em seus olhos. Se depender de mim, de agora em diante só haverá um sorriso em seus lábios e o brilho da felicidade em seu olhar. Eu farei qualquer coisa para ver isso nela.
– Sim, você está muito misterioso a respeito do lugar em que vamos passar nossa lua de mel... E Alice não me deu nenhuma pista – ela disse mordendo os lábios. – Bem, nenhuma pista além dos vestidos que ela me fez comprar hoje.
– Vestidos? – arqueei as sobrancelhas.
Eu havia pedido ajuda a minha irmã para manter segredo de Bella a respeito da Ilha.
Alice havia ido semana passada pro Brasil com Jasper para acertar algumas coisas com os caseiros da casa e garantiu-me que ela mesma iria arrumar as malas de Bella pra nossa lua de mel para não lhe dar pistas.
– Sim, eu fui pra escolher as lembrancinhas do nosso casamento em Seattle e ela me arrastou pro shopping enquanto Jasper ia abastecer o carro – ela fez uma careta. – Quando eu perguntei o porquê daqueles vestidos, ela me disse que era pra depois que eu fosse transformada, mas eu tenho minhas dúvidas. Ela os guardou no meu armário e ainda tem aqueles saltos mortíferos.
A expressão dela era de puro pavor... Chegava a ser engraçado. Não pude deixar de sorrir.
– O que há demais nesses vestidos? – perguntei.
Bom, os vestidos não podiam dar muitas pistas a ela. Afinal, o mundo é grande e eu poderia levar ela pra qualquer lugar do mundo e ainda assim ela poderia usar um vestido – exceto onde fosse muito frio.
Há tanto pra se conhecer, tantos lugares lindos que eu quero que ela conheça; que eu quero conhecer, mas somente ao lado dela.
Ela da sentindo a tudo. A beleza, ao significado, a vida, a existência, ao meu mundo... Ao meu universo.
– Quer ver? – ela perguntou.
– Sim, mas... Com uma condição.
Ela franziu o cenho.
– Qual? – indagou.
– Quero ver você usando eles.
Ela deu um meio sorriso.
– Tudo bem – concordou.
Rolei para o lado saindo de cima dela e ela levantou da cama indo pro closet dela e saiu de lá com três cabides pendendo os vestidos dobrados no braço e um par de sapatos de salto preto nas mãos.
– Já volto – ela disse e saiu com um sorriso do quarto, indo para o banheiro eu presumi.
Sentei-me na cama, encostando-me na cabeceira dela e acendi ao abajur dela no criado mudo dando uma leve luminosidade ao ambiente.
Vamos ver o que Alice aprontou dessa vez com Bella.
Alguns segundos depois eu ouvi a porta do banheiro ser aberta e seus passos cuidadosos até a porta. Quando levantei meus olhos, deparei-me com uma verdadeira beldade de cabelos escuros a minha frente encostada no batente da porta com a mão na cintura.
– Uau! – foi só o que eu consegui dizer observando minha amada noiva naquele vestido azul rendado.
Linda. Bella estava deslumbrante.
Alice pode ser maluquinha, mas tem bom gosto, isso eu tenho de admitir.
– Esse é bonito e não é o mais curto – Bella disse apontando para o vestido. – Mas esses saltos são mortíferos.
– Curto? – indaguei arqueando as sobrancelhas.
– Sim – ela suspirou. – Eu realmente não sei onde é que ela pensa que eu vou usar uma coisa daquelas, principalmente aquele preto.
Dei risada e levantei da cama estendendo a mão para ela.
Ela deu passos firmes e cautelosos e pegou minha mão. Segurei sua mão quente e suave e a puxei para os meus braços, abraçando-a pela cintura com um braço e o outro levantando seu rosto para poder fitar seus lindos olhos.
– Não devia deixar que Alice tomasse as rédeas de tudo. Acredite ou não, às vezes ela se esquece do significado da palavra limites – murmurei.
– Eu sei, mas ela fica tão alegre e feliz quando esta fingindo que eu sua boneca, que eu não quero estragar o momento dela – explicou com um meio sorriso e depois uma sombra escura cruzou seus olhos. – Já fiz pessoas demais sofrerem, então estou tentando compensar de alguma forma.
– Bella... – comecei a dizer, mas ela me interrompeu.
– Edward, por favor, não diga nada. Nós já conversamos sobre isso. Eu fiz besteiras da quais eu me arrependo amargamente, fiz uma confusão enorme até conseguir colocar cada coisa em seu devido e torto lugar. Mas essa confusão feriu pessoas que eu amo, feriu você embora você tenha escondido muito bem o que realmente sentia a respeito. Você pode achar que eu estava alheia a tudo, mas eu não estava. Eu só não conseguia sair daquela confusão – ela deu um suspiro pesado e quando abriu os olhos, eles brilhavam. Ela estendeu a mão e tocou o meu rosto. Os diamantes da aliança em sua mão brilhavam. – Agora que toda a tempestade passou e que não há mais nenhuma adaga apontada diretamente para nós, só esperando o comando para nos atingir, eu posso enxergar tudo com clareza. Quero fazer as coisas certas, um passo de cada vez.
Embora eu não concordasse com o que ela estava fazendo, preferi não argumentar dessa vez. Não queria acabar entrando numa discussão com ela. Isso trouxe a tona o motivo pelo qual eu havia ido até ali.
Não. Agora não. Não quero conversar com ela sobre um assunto tão delicado como esse, quando ainda pouco ela estava chorando e triste em meus braços, principalmente, depois do que o pai disse a ela.
– A começar com o nosso casamento? – perguntei.
Ela sorriu.
– Sim, a começar por ele – falou. – Essa semana eu tenho a última prova do vestido, e falando em vestidos... Quer ver os outros dois?
– Claro – sorri e estreitei meus braços a sua volta. – E a propósito, você ficou linda com esse azul – sussurrei em seu ouvido. Senti ela estremecer em meus braços.
Suas bochechas assumiram uma linda cor rosada. Eu iria sentir falta disso quando ela fosse como eu.
– O próximo é meu favorito – ela sorriu e saiu para trocar de vestido.
Sorri vendo o entusiasmo dela.
Quem diria que Bella um dia iria sorrir por causa de um vestido?
Seja pelo motivo que for, quero sempre ver um sorriso nos lábios dela, não lágrimas escorrendo de seus olhos.
Quando ela voltou, estava mais linda ainda vestida de branco. Por um momento eu me permitir imaginar como ela estará no dia do nosso casamento. Alice não me deu pistas e nem me deixou ver em sua mente o vestido de Bella, alegando a velha tradição que o noivo não pode ver o vestido da noiva antes do dia do casamento, pois trás má sorte.
Bem, não era exatamente com essa má sorte que eu estava preocupado e sim a que ronda Bella e eu desde sempre.
Seja como for, ela estará linda. Tenho certeza.
– O que achou? – ela perguntou mordendo o lábio, ansiosa. – De todos os vestidos, esse é o que eu posso dizer ser o mais decente – ela deu risada.
– Linda! – murmurei envolvendo-a com os meus braços, assim como ela em seguida envolveu-me com os seus. – De qualquer forma você fica linda e eu realmente espero que você comece a acreditar nisso, pois eu sei muito bem que você não se vê com clareza.
Ela sorriu e cruzou os braços em volta do meu pescoço.
– Não pode ler a minha mente, então não tem como saber o que eu penso – brincou.
– Touché mademoiselle – murmurei e roubei um beijo dela enquanto ela sorria.
– Da pra falar a minha língua? Não falo francês – pediu revirando os olhos e dando risada.
– Touché é uma expressão usada na esgrima para quando se recebe um golpe de um adversário emademoiselle é senhorita em francês.
– Oh, então você esta dizendo que eu lhe golpeei quando disse que não tem como saber o que eu penso? – ela arqueou as sobrancelhas com um sorriso zombeteiro.
– Exatamente – concordei. – Você adora esse fato, não é?
– Bom... – hesitou mordendo o lábio com uma expressão divertida. – Admito que isso é bastante vantajoso pra mim... Sim, eu adoro o fato que você não pode ler a minha mente. Pelo menos isso você não pode fazer comigo.
Ah, então é isso?
– Mas posso ler os seus olhos e eu sempre consigo o que eu quero – murmurei brincando.
– Duvido – desafiou. – Diz o que estou pensando agora.
Seus olhos assumiram um brilho perigoso. Eu não sabia o que ela estava pensando, mas eu sabia o que eu iria fazer para descobrir.
– Bom... Vamos ver... – disse fitando os belos olhos castanhos de Bella. Coloquei uma das mechas de seu cabelo rebelde atrás de sua orelha. – Nesse momento... Eu realmente não sei o que esta pensando, porque você não quer deixar que eu saiba. Mas eu sei como descobrir...
– Como? – deu um meio sorriso.
– Assim – sussurrei e a beijei delicadamente.
Seus lábios rosados e macios, seu hálito quente e embriagador, seu perfume doce e envolvente, seu corpo misterioso e sedutor... Tudo nela era extremamente tentador. Isabella era a personificação do despertar dos desejos e do pecado.
Ela poderia facilmente conquistar o que quisesse, com apenas uma sorriso e um olhar.
Somente ela estava alheia ao seu poder.
Poder este que havia me enfeitiçado no primeiro instante em que nossos olhos se cruzaram... Minha bela feiticeira!
– E então... – sussurrei acariciando a pele suave de seu queixo. – Vai me dizer o que esta pensando?
– Não – ela sussurrou e sorriu, sua respiração estava irregular.
– Você é muito teimosa – sorri e a beijei novamente ao mesmo tempo em que escutávamos um baralho vindo do primeiro andar.
– Meu celular esta tocando – ela sussurrou com um suspiro.
– Deixa tocar – murmurei e a encostei na parede, enlaçando-a pela cintura e a beijando novamente.
Ela sorriu e correspondeu ao meu beijo, mas a droga do celular dela não parava de tocar no andar de baixo.
– Esta tarde e pode ser algo importante, eu preciso atender – ela murmurou entre meus lábios.
– Se for importante liga amanhã de manhã – sussurrei.
– Não, pode ser Charlie e o que ele vai pensar se eu não atender? – argumentou. – Não quero que ele volte hoje, eu quero algumas horas de distância entre nós. Não quero enfrentá-lo.
– Ele disse que não voltaria – falei.
– Mas é melhor eu atender... Seja la quem for – ela falou.
– Deixa que eu pego pra você – falei. – Onde esta?
– Acho que na mesinha no centro da sala, de frente com a lareira... Deixei lá mais cedo quando cheguei com Alice em casa. Eu acho – ela falou.
– Vou pegar pra você, amor – murmurei dando um beijo em sua testa.
– Ta, eu vou trocar de roupa...- ela disse saindo dos meus braços, mas eu a segurei.
– Ainda falta um vestido e eu quero ver – lembrei com um sorriso.
Ela revirou os olhos, dando risada.
– Ta bom, eu vou colocar – sorriu. – Mas... Esses saltos ficam – ela tirou os sapatos e os atirou do outro lado da cama.
Dei risada.
– Sempre anti-fashionista... Alice ficaria apavorada de ver isso – falei.
– Bom, ela vai ter que se acostumar em ter uma cunhada que não liga pra moda e coisas extravagantes por que isso nunca vai mudar. Jamais abandonarei o bom e velho Jeans por cetim ou seda – ela deu uma piscadela para mim e foi para o banheiro.
Eu sai da porta do quarto dela e desci as escadas em direção a sala.
Bella... Bella...
Uma das coisas que eu mais gosto dela é esse jeito simples e humilde.
Depois de anos vagando entre a humanidade e tendo a plena ciência do pensamento deles, percebi que cada vez mais o ser humano se tornou soberbo, avarento e inescrupuloso. Tudo por causa de uma coisa.
Por dinheiro as pessoas matam, roubam, traem, cobiçam... Cometem todos os pecados imagináveis.
É bom saber que ela é um dos raros seres humanos que não se importa com isso. Que vive a vida da maneira que pode, com o que pode. Eu amo tudo isso nela.
Sua bondade, sua honestidade, seu caráter, sua beleza, sua doçura... Isabella é a mulher da minha vida, a razão da minha existência.
Ela é tudo o que eu nunca sonhei, pois nunca achei que fosse encontrar. Mas ainda assim eu agradeço a Deus por tê-la colocado em minha vida. Por tê-la feito me amar e me mostrado o que é amar quando eu sempre julguei estar condenado a trevas e escuridão por toda a eternidade.
Quente como o sol, luminosa com a lua, radiante como uma estrela, inesperado como um meteoro. Foi assim que Bella se tornou a minha a minha vida, a minha alma. O meu tudo.
Ela é a luz que atravessou o meu céu escuro e estrelado, iluminando-o. Dando vida e razão a tudo.
O fogo ainda crepitava na lareira, iluminando a sala no meio da escuridão. A chuva havia se transformado em tempestade e o som vindo lá de fora, era apenas um zumbido no meio no silêncio.
Como ela havia dito, o celular estava em cima da mesinha da sala.
Peguei o aparelho em minhas mãos e ele se iluminou.
Duas chamadas perdidas da mãe dela.
Olhei o relógio em cima da lareira e vi que já era quase uma hora da manhã.
O tempo havia passado rápido.
– Fecha aqui pra mim? Eu não consigo puxar o zíper – ouvi Bella dizer e quando girei nos calcanhares me deparei com a verdadeira tentação em pessoa.
Deus, eu sei que sou um pecador só por existir, mas isso é tentação demais para mim!
Seus cabelos castanhos caindo em uma bela cascata por seu rosto, sua pele delicada e suave como uma rosa, seu perfume floral embriagador, seus brilhantes olhos castanhos que mais pareciam dois chocolates derretidos, e principalmente, seus lábios rosados num vermelho convidativo e as curvas perfeitas de seu corpo misterioso sob aquela renda negra, sob o tafetá vermelho eram a mais pura tentação.
Se fosse possível um olhar queimar, o meu nesse momento teria queimado ela.
Sem dizer uma palavra, mesmo porque a beleza da beldade a minha frente havia me deixado sem fala, eu fui até ela e subi lentamente o zíper da sua cintura até sua nuca, cobrindo a pele nua de suas costas com a renda e o tafetá.
O que Alice tinha na cabeça quando comprou um vestido tão curto e tentador como aquele?
Por tudo o que é sagrado. Ela estava deslumbrante!
Não me lembro de tê-la visto tão linda quanto agora.
– Obrigada – ela sussurrou quando eu fechei o zíper atrás do seu vestido.
Eu a virei lentamente pela cintura de frente para mim e fitei fundo em seus olhos.
– Não há de que – sussurrei.
Uma áurea diferente nos rondava. Eu não sabia dizer o que, era algo extremamente diferente, mas principalmente intenso.
Por um momento eu percebi que aquela era a primeira vez que estávamos de fato sozinhos em muito tempo.
Sem preocupações, sem medos do que aconteceria no amanhã, pois não havia mais perigo.
Éramos somente nós dois.
Acredito que a última vez que estivemos apenas os dois juntos desta forma, numa bolha onde nada mais existia foi muito antes de eu ir embora e transformar nossas vidas num puro inferno.
Mas dessa vez era diferente.
O amor havia se intensificado, o tempo havia passado e desejos desconhecidos haviam sido despertados.
– Quem estava ligando? – ela sussurrou sem desviar os olhos dos meus.
– Renée – murmurei entregando o celular a ela.
Ela abaixou o olhar e mordeu o lábio enquanto via o registro de chamadas.
Se ela soubesse o que aquele simples gesto despertava em mim... Eu simplesmente não conseguia parar de olhar para seus lábios... Sua boca tentadora...
– De manhã eu ligo para ela – sussurrou ainda olhando para o celular. – Provavelmente ela se esqueceu da diferença de fuso-horário entre aqui e a Flórida.
– É melhor assim – concordei levantando o queixo dela e a fazendo soltar o lábio preso entre os dentes. – Para de morder a boca, porque uma hora você ainda vai acabar se machucando – sussurrei acariciando o seu lábio.
Ela fechou os olhos. Seus cílios longos e escuros, assumindo um tom avermelhado com o reflexo das chamas da lareira perto de nós.
– Você ainda disse o que achou deste vestido – ela sussurrou e abriu os olhos me olhando de volta.
Tirei o celular delicadamente de suas mãos macias e joguei em cima do sofá sem desviar os olhos dela.
– O vestido... – comecei, mas parecia que me faltavam palavras pra continuar.
Era a primeira vez que eu realmente me sentia sem fala diante dela, sem saber o que dizer.
– Então... – ela mordeu novamente o lábio hesitante e eu segurei seu queixo o soltando. Coloquei uma das mechas de seu cabelo atrás da orelha.
– Linda – sussurrei e beijei seus lábios tentadores. Puxei-o delicadamente com a minha própria boca, para não machucá-la.
Quando abri os olhos e olhei nos olhos dela, algo havia sido despertado em mim e eu vi que o mesmo havia acontecido com ela. Algo que nós dois havíamos guardados durante muito tempo.
Um desejo tão certo quando incerto, mas ainda assim proibido.
Um desejo proibido capaz de deixar a nós dois sem ar.
A áurea era intensa, envolvente... Sedutora... Puxava-nos um para o outro de uma maneira que eu nunca senti antes, nem mesmo quando ela aceitou se casar comigo e eu cogitei a ceder, ou quando eu desisti do nosso acordo na clareira.
Era calmo, tranquilo.
Era intenso e não era forçado ou premeditado.
Simplesmente natural, assim como o nascer ou pôr do sol.
Eu só conseguia enxergar seus lábios rosados e tentadores.
– Só isso? – ela sussurrou tão baixo que era quase inaudível, até mesmo para mim.
– Não – neguei e voltei a beijá-la sem conseguir resistir a tentação que era a mulher que eu amava.
O controle sobre mim... O bom senso... Onde estávamos... O que eu era... O que ela era... Nada mais importava.
Tudo desapareceu.
Meu juízo desapareceu sob os lábios daquela feiticeira, sob a tentação exercida pelo corpo misterioso de minha noiva.
– Linda... Provocante... Simplesmente tentadora... Minha feiticeira – sussurrei quando nossos lábios se separaram por apenas um momento. Ambos ofegantes, mas nenhum de nós com a menor intenção de parar.
Seu coração estava acelerado, batia em um ritmo descompassado no peito.
Seus lábios, sua pele perfumada e macia... Tudo era especialmente tentador nela, naquele momento.
Meu braço enlaçando sua cintura fina e perfeita. Minhas mãos obedecendo a comandos do meu subconsciente enroscada nos fios de cabelo da nuca dela, assim como as mãos dela...
Tirei-a do chão, desequilibrando ela da ponta dos pés.
Eu só conseguia sentir o seu corpo quente, sua respiração acelerada, seus lábios macios e quentes nos meus.
Ela colocou as mãos nos meus ombros e tirou minha jaqueta e eu deixei que ela caísse no chão.
Inclinei seu corpo sem separar nossos lábios e quando me dei conta estávamos deitados no tapete da sala, em frente à lareira.
Quando paramos de nos beijar, olhei nos seus olhos. Eles tinham um brilho escuro, lascivo.
Ela me puxou e eu voltei a beijá-la, não havia uma célula em meu corpo com vontade de parar. Eu a desejava, eu a amava... Eu a queria de qualquer forma.
Meus lábios desceram da sua boca, por seu pescoço, por sua pele suave, quente e perfumada. Minhas mãos traçavam arrepios pela pele quente e lisa de suas pernas por onde eu tocava, mas eu parei na bainha do vestido dela. Tudo tinha um limite, e eu estava tentando manter os nossos apesar de meu juízo ter ido pro buraco.
Nós dois ouvimos quando a renda se rasgou sob as minhas mãos em sua cintura, descendo por suas pernas e com apenas um movimento o tafetá se rasgou revelando parte da coxa dela.
E então nada importava para nenhum de nós. Não havia nada que pudesse nos parar. Só sentíamos um ao outro, naquele beijo sem fim e cheio de sentimentos nunca ditos ou sentidos.
Então algo inesperado aconteceu.
A merda do celular dela voltou a tocar.
Separei nossos lábios e encostei a testa na dela. Bella estava ofegante e com as bochechas coradas.
O aparelho continuava a tocar.
– Eu preciso atender – ela sussurrou ofegante. Fitei em seus olhos e algo mudou novamente.
Naquele momento eu me dei conta do que estava fazendo, parece que tudo voltou de uma vez só. Principalmente o meu juízo e o meu autocontrole.
Droga, eu não podia ter tido um lapso de controle em plenas vésperas de nosso casamento!
Girei para o lado e ela levantou rapidamente pegando o celular em cima do sofá.
– Oi mãe – ela murmurou atendendo ao telefone com a voz rouca.
Levantei do tapete e peguei minha jaqueta do chão.
O que eu tinha feito, ou melhor, o que eu tinha quase feito?
Não prestei a atenção na conversa dela com a mãe, mas percebi que ela ficou nervosa com alguma coisa.
– Tudo bem, eu ligo amanhã. Boa noite mãe! – ela disse desligando o telefone e jogando em cima do sofá novamente com um suspiro.
– Esta tudo bem? – eu perguntei.
– Está – ela respondeu olhando para mim e seu rosto assumiu um rubor. – Coisa da sem juízo da minha mãe. Renée, sempre será Renée.
– Claro – disse sem ter o que dizer.
Nós dois olhávamos um para o outro sem saber o que dizer. Nenhum de nós dois sabíamos como encarar o que tinha quase acontecido agora a pouco. Isso nunca havia acontecido antes.
– Eu... Eu vou... Vou trocar de roupa – ela disse andando de costas em direção a escada.
– Eu vou checar se liguei o alarme do carro – murmurei a primeira desculpa que me veio na cabeça para sair daquela áurea tentadora que ainda nos rondava.
Seus lábios rosados ainda eram tentadores, seus cabelos caindo em adoráveis ondas por suas costas e em seus ombros ainda eram lindos...
Ela subiu as escadas e eu fui lá para fora. Ainda chovia muito, então eu não passei da varanda respirando o ar puro da madrugada.
Deus, o que foi aquilo?
Isso não pode voltar a se repetir, pelo menos não antes do nosso casamento. Eu prometi a ela que iríamos tentar ter uma lua de mel comum, apesar de todos os riscos que eu sei que ela estará correndo. Mas sei que se eu perder o controle com ela, as coisas podem acabar mal.
Muito mal.
Respirei fundo mais uma vez e voltei para dentro da casa dela.
Bella estava descendo as escadas, com o cabelo preso de lado e vestida de forma mais comum. Moletom e uma blusa preta.
Menos tentador e provocante, embora de qualquer forma ela seja linda.
– Parou de chover? – ela perguntou.
– Não, parece que o mundo ainda esta caindo lá fora – falei. – É melhor eu ir embora.
Suas feições mudaram no mesmo instante e ela pareceu ficar triste.
– Não, fica – pediu, seus olhos brilhante pareciam implorar pra mim. – Por favor. Eu não quero ficar sozinha hoje.
Depois do que o pai dela fez com ela hoje, eu não podia negar um pedido daqueles.
– Tudo bem, eu fico – dei um meio sorriso e suas feições mudaram novamente. Ela pareceu ficar mais relaxada.
Fui até ela e dei um beijo em sua testa.
– Já esta tarde – lembrei. – É melhor você ir dormir, amor.
– Sim, eu estou cansada – ela concordou, subimos pro quarto e eu deitei na cama junto com ela, abraçando-a. Ela se aninhou em meus braços e em pouco tempo, ela estava ressonando tranquilamente.
Enquanto ela dormia, eu podia observá-la.
Ela é realmente uma beleza clássica, rara. Traços finos e delicados, olhar doce e inocente, mas um corpo quente e enlouquecedor.
Isabella era tudo o que qualquer homem desejaria e eu a tinha nos meus braços. Em breve para sempre.
Pensando nisso, acariciei seus lábios rosados com carinho e depositei um casto beijo neles.
– Eu te amo – sussurrei mesmo sabendo que ela não me ouviria e abracei-a mais forte.
Um novo dia iria nascer com o raiar do sol, e eu ainda tinha coisas importantes para tratar. Mas por ora, basta para mim tê-la apenas em meus braços. Pois sei que é a mim que ela ama, mas será que isso basta para sempre?
Eu ainda não tinha a resposta para as minhas dúvidas e então percebi que eu não poderia adiar isso por muito tempo, eu tinha de ter essas respostas antes que subíssemos ao altar e fosse tarde demais.
Amanhã seria um dia decisivo. Mas agora, a questão é: eu a terei em meus braços dormindo tranquilamente quando a próxima noite cair?



CONTINUA...

Um comentário:

 
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